segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ser gay em cidades pequenas.

Entre tantos mitos que imperam na consciência de muitos homossexuais, uma delas é a de que ser gay numa cidade pequena é um inferno. Há alguns anos estive em visita a uma cidade no interior paulista e lá descobri que havia pelo menos dois casais de namorados que eram homossexuais, andando de mãos dadas nas ruas e namorando na tarde de sábado na praça central desta cidade na frente da Igreja local. O fato me chamou a atenção porque eu mesmo nunca tinha visto cena de tamanha tranqüilidade nem mesmo na minha cidade natal, que não é pequena. Nas vezes que percebi algum comentário a respeito desse tema, abordei o assunto levantando estes fatos por mim vividos, questionando a veracidade do mito. Até podem existir cidades pequenas nas características “infernais”, mas não acredito que isto é muito freqüente. Vejam o seguinte relato:

Meu nome é Marcel, tenho 22 anos e moro no interior do Paraná Estarei aqui partilhando várias experiências como esta de ser gay em cidades pequenas. Afinal não é em todos os lugares que os gays desfrutam de bares, boates, grupos de apoio ou qualquer coisa que permita uma vivência aberta de sua sexualidade sem medo de recriminação – e sempre que eu falar em gay na coluna, incluem-se aí lésbicas, bissexuais e transgêneros.

Muitos de nós, internautas que acessam a TVTudo.com e outros sites, moramos em lugares assim e, por várias vezes, vemos-nos perdidos, com o sentimento de que somos os únicos gays em nossa cidade e sem saber o que fazer ou com quem falar. O que fazer então?Não sei exatamente. Afinal não existe uma fórmula mágica. Mas acredito que posso contar um pouco de minha história e assim, criar identificações com outras pessoas que passam por problema parecido.

Quando comecei a perceber que era gay e que não tinha como fugir disso (na época encarava minha homossexualidade como um fato negativo), comecei a revirar a Internet atrás de sites que falassem do tema. Essa experiência mostrou um “mundo gay” paralelo ao meu, habitado pelo pessoal das grandes cidades que se reunia nas baladas GLS nos finais de semana ou então para animados encontros em parques. A cada dia crescia a vontade de estar na pele de algum deles, morar também em cidade grande, onde sejamos anônimos e a população seja um pouco mais favorável à homossexualidade – se bem que esse é um fator que varia bastante e não depende muito de cidade.

As coisas iam acontecendo e meu pensamento a mil. Muitos questionamentos, muitos anseios. Nessa época, graças ao apoio de muita gente que se correspondia comigo, contei à minha família que era gay. Foi um dia que marcou uma reviravolta na minha vida, iniciou-se uma fase dolorida, marcada por lágrimas, mas que me enchia de alegria. Continuei trilhando meu caminho, assumindo para um amigo e outro, de forma que hoje posso dizer que praticamente todos os amigos que convivem comigo sabem, além de muitas pessoas de meu emprego.

Quais foram as reações? Apoio, respeito e admiração. Percebi que posso muito bem viver a minha sexualidade de forma sadia em uma cidade pequena, com certas limitações mas sem esconder-me atrás de uma fachada de “machinho”.

Referências

HOMOSSEXUALIDADE. Ser gay em cidades pequenas. GUÉRIOS, Marcel: 2005. Disponível em: http://www.homossexualidade.net/gls-homossexualismo/gay-em-cidade-pequena/. Acesso em: 5/10/09.

2 comentários:

  1. Hum... realmente, acho que hoje em dia não há mais tanta diferença assim entre uma cidade pequena ou grande em relação aos gays. No passado, os gays corriam para as metrópoles em busca de liberdade, segurança, sexo e parceiros, constituindo guetos. Legal saber que hoje os gays estão conseguindo ter uma vida satisfatória não precisando ir pras grandes cidades.

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  2. O Assunto só é polêmico por causa do movimento "politico" e "politiqueiro" que age no Brasil. Eu tenho em minha família pessoas com essa orientação sexual. Tenho amigos que são assim. Amigos da minha filha que são meus agora e também o são. Nenhum deles fala politizado. Nenhum está preocupado em se impor. Eles querem ser tratados como pessoas comuns. Esta polêmica tem fundamento no poder politico, dinheiro, fama e ideologia barata.

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