domingo, 8 de novembro de 2009

Padre Fábio de Mello - lidando com a homossexualidade.

Veja o carismático católico Padre Fábio de Mello falando sobre homossexualidade:





Transcrição:

"Padre Fábio", Maria Eva, ela quer saber como lidar com o homossexualismo dentro de casa. E tinha aqui também um rapaz de 22 anos, dizendo que ele é homossexual, que ninguém sabe, tá aqui: "Padre, me ajude pelo amor de Deus, eu sou homossexual, minha familia não sabe, já pensei em suicidio, pois sou uma pessoa muito infeliz. Tenho 23 anos."

Minha gente, o grande problema da homossexualidade, é que - eu não vou entrar no mérito do que é certo e do que é errado, todo mundo já sabe, nós ja falamos tantas vezes sobre isso aqui, não sou eu quem vou fazer o julgamento de ninguém, não me sinto no direito de fazer isso, todos nós temos as nossas fraquezas, todos nós temos as fragilidades, a sexualidade é uma questão muito complexa, a reflexão sobre o pecado a gente já falou sobre isso, ela ficou durante muito tempo em cima da questão da sexualidade, então, quando nós falamos de homossexualidade, parece que nós estamos falando do pior pecado do mundo, pelo amor de Deus, não é isso. Nós não podemos tratar essas questões com esse moralismo cego, que nos impede de ver o outro - o maior problema, como é que possamos lidar, Maria Eva, você que quer lidar com o homossexualismo dentro da sua casa? Primeira coisa, minha filha, não veja isso como a pior coisa do mundo. Uma mãe e um pai levam um filho à perdição no momento em que consideram a homossexualidade como a coisa mais vergonhosa. Não, primeira coisa, retire dos seus olhos esse preconceito horroroso, porque às vezes nós jogamos pessoas preciosas fora, por causa da opção sexual delas. Eu não tenho que fazer julgamento nenhum, sabe por quê? Porque é a conciencia dela, é ela que está administrando os afetos, é ela que sabe o que ela consegue renunciar e o que não consegue, é ela que está administrando as pulsões [?] sexuais dela.

Não sou eu quem vou chegar e dizer, "você tem que viver assim", "você tem que viver assado", a Igreja não faz isso também. A Igreja propõe, propõe, mas o que antes a gente precisa ter diante dos nossos olhos é que esta questão precisa ser administrada com amor e com misericórdia, porque senão nós perdemos a pessoa. Porque senão nós perdemos a pessoa e o pior: nós a matamos de um jeito muito trágico, o que não é retirar a vida não, minha gente, mas é perder o gosto pela vida. A gente encontra homossexuais, que fazem a opção pela castidade, e são pessoas que vivem o dilema, todos os dias porque isso não vai passar com o tempo. Bonito é você pensar, da mesma forma que um padre faz a opção pela castidade, como o homem casado faz a opção pela castidade, e mesmo estando casado, tudo isso é opção de renúncia, e há homossexuais que não fazem a opção pela castidade. Vivem a experiência de amar uma outra pessoa do mesmo sexo. Nós não estamos aqui para julgar, nós estamos aqui para dizer que quando você tiver este problema dentro da sua casa, que você tenha a sensibilidade de olhar esta pessoa, do mesmo jeito que Jesus olharia. Nós não temos absolutamente, nós não temos o direito de entregar a condenação a ninguém. Nós temos o direito de propor a reflexão, mas a decisão daquilo que ela reflete, está ali fora. Você não tem como obrigar o seu filho a viver aquilo que você quer para ele, da mesma forma como você tem que encontrar o jeito certo de estar ao lado do seu filho, no momento em que você descobre a homossexualidade dele. No momento em que você descobre a homossexualidade dela.

Outro dia encontrei, gente, uma senhora, que descobriu que todos os filhos dela eram homossexuais. E ela foi descobrindo aos poucos. E isso pra ela, pareceu assim, que o mundo caiu. E o que eu achei bonito no depoimento daquela mulher? É que ela me disse assim, "padre, no momento pensei que jamais conseguiria amar os meus filhos por causa do problema que eles tinham". E eu ouvia dos meus filhos: "mãe eu não escolhi ser assim, eu não escolhi gostar do mesmo sexo, mãe". É uma pulsão [?] que está desde o momento em que a criança é criança e se isso não é administrado - a psicologia consegue muitas vezes reorientar essa sexualidade, mas quanto mais cedo você descobre, essa tendencia da homossexualidade, mas fácil é de você reorientar - a psicologia acredita nisso. Mas o bonito do testemunho daquela mãe, minha gente, é ela dizendo assim: "padre, eu pensei que jamais seria capaz de poder olhar nos olhos deles, porque pra mim aquilo era uma vergonha, mas aos poucos eu fui descobrindo que o amor que eu tinha pelos meus filhos era infinitamente superior a qualquer pecado que eles pudessem cometer na vida".

Então, aquilo que eu considerava um pecado absoluto, absurdo, motivo de condenação, eu comecei a retirar aquele véu todo e pesado, que eu estava colocando sobre eles, e eu quis enxergá-los com os olhos da misericórdia, e eu podia, padre, ela me dizia, porque eu sou mãe deles. Não é nada difícil você amar um filho, por pior que ele seja. E aí a gente encontra testemunhos bonitos, de mães que conseguem acolher os filhos nessa condição, e que conseguem ser para eles um sinal bonito da misericórdia de Deus. Conseguem estabelecer com eles uma relação de amizade, de carinho. O que nós não podemos fazer, minha gente, é, por causa da opção sexual daquela pessoa, nós a desprezarmos, nós a dizermos que nós somos melhores, que você é melhor que o outro, não. E mesmo porque, as vezes, nós encontramos uma generosidade tão grande nessas pessoas, justamente por causa da dificuldade que elas tiveram de serem aceitas. É engraçado isso, eu não sou juíz, você não é juíz, eu não tenho direito de condenar o outro pela escolha que ele fez, nós não somos deuses, nós não somos autoridades divinas para poder falar "olha você está condenado", ou "você está a salvo", "você não pode fazer isso", o que nós podemos fazer é propor o que a Igreja diz e a reflexão está aí, ela está mais que dita, mais que explicitada, mas entre o que a Igreja diz e o seu coração de mãe permite, e o que é o que seu coração de mãe permite? Trazer o seu filho para perto de você. Não fazer desta condição, desta dificuldade que ele tem, desta luta que ele estabeleceu com a vida, fazer disto um motivo de jogá-lo fora. Mesmo porque, se é jogado fora, vira uma pessoa terrível. Se não é amado vira uma pessoa terrível, se é desprezado vira uma pessoa terrível. O amor ainda é o recurso que nos ajuda a recuperar as pessoas.

Eu pessoalmente acredito nisso, gente, eu não tenho nenhuma dificuldade de lidar com as pessoas, com as piores pessoas do mundo, porque eu sou uma delas. Quando eu olho para as piores pessoas do mundo, para as piores mesquinharias, eu não fico "nossa como essa pessoa é capaz disso", "nossa como aquela pessoa foi capaz de fazer aquilo", não. Sabe por quê? Porque eu sou humano e me vejo nela. Porque quantas vezes eu também fui capaz de fazer aquela atrocidade? Às vezes, eu vejo uma pessoa gritando, sendo mal educada, sendo grosseira, qual é o primeiro sentimento que eu tenho? Meu Deus, será que ela não tem vergonha de fazer isso? Será que ela não tem misericórdia com aquela que ela está humilhando? E antes de fazer isso, me vem outra coisa, e acho que é aquela luz que Deus acende em mim. Padre Fábio, você também já fez isso. Então, ao invés de condenar, de segregar, de jogar fora essa pessoa, pegue aquele exemplo para que você nunca faça isso também. E aqui neste caso, é bem isso, minha gente, nós não temos o direito de jogar as pessoas fora, por razão nenhuma, e foi justamente Jesus quem nos ensinou isso. A misericórdia de Jesus condensa também a justiça, mas a justiça deixa pra Ele. Pra nós, só resta a misericórdia. Eu prefiro muito mais errar sendo misericordioso, a errar sendo injusto. Então, o que me resta é o acolhimento, é apresentar a verdade, mas sobretudo, acolher aquela pessoa que vive aquela dificuldade [...]

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