domingo, 26 de fevereiro de 2012

Agressão a gay por três lésbicas pode ser considerada "crime de ódio"

Vejam abaixo o caso curioso de três lésbicas que estão sendo acusadas de "crime de ódio de cunho homofóbico" nos Estados Unidos. Aproveitando a deixa, sabiam vocês que vinte e uma (21) pessoas foram condenadas nos Estados Unidos em 2010 por crimes de "heterofobia"?

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Boston Herald
25 de Fevereiro de 2012
Por Richard Weir

Três mulheres identificadas como lésbicas pelo advogado que as defende foram acusadas ontem (24) de cometer um crime de ódio por espancar um homem gay na Estação de Trem Forest Hills, Boston, em um caso incomum que segundo especialistas expõe a lógica perversa da lei de crimes de ódio.

“Acredito que nenhum júri com bom senso condenará as acusadas sob aquelas circunstâncias, mas o que isso realmente demonstra é a estupidez da legislação dos crimes de ódio”, afirmou o advogado pelas liberdades civis Harvey Silvergate. “Se você espanca alguém, você é culpado de agressão a um ser humano. Ponto. A ideia de tentar segmentar os seres humanos em categorias está condenada ao fracasso”

A acusação e a União Americana pelas Liberdades Civis – ACLU - de Massachusetts afirmaram que não importa a orientação sexual das acusadas; elas ainda devem responder pelo crime de agressão e espancamento com a intenção de intimidar, já que a agressão física foi acompanhada por uma linguagem de ódio, o que pode levá-las a dez anos de prisão.

“Um judeu pode ser anti-semita”, disse a advogada-chefe da ACLU Sarah Wunsch.  “O simples fato de alguém pertencer a uma mesma classe não significa que não possa agir motivado por ódio ao seu próprio grupo”.

Mas Carolyn Euell, 38, mãe de duas acusadas, Erika Stroud, 21, e Felicia Stroud, 18, disse aos repórteres que a agressão não pode ser um “crime de ódio”, já que suas duas filhas são lésbicas.

A advogada de acusação Lindsey Weinstein afirmou que as duas irmãs e uma outra colega, Lydia Sanford, agrediram impiedosamente o  homem com uma série de socos e pontapés após ele ter esbarrado nelas com sua mochila nas escadas da estação. Weinstein disse que a vítima, que teve o nariz quebrado, relatou aos policiais que acreditava “ter sido atacado por conta de sua orientação sexual” já que as três mulheres “o insultaram com xingamentos homofóbicos”.

A advogada de defesa Helene Tomlinson, que representa Sandord, disse ao juiz que sua cliente é “uma lésbica assumida... de modo que a acusação de atitude homofóbica é injustificada”. Ela afirma que o homem é que foi o agressor e que utilizou expressões de ódio racial: “ele provocou as mulheres”.

A defesa de Felícia Stroud, C. Harold Krasnow, afirmou: “Elas não sabiam qual era a orientação sexual dele, da mesma forma que ele não sabia a delas”.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Para além do sexo anal



Quando soube da minha homossexualidade, a primeira pergunta do meu pai não foi se eu amava alguém ou se tinha um namorado, mas se era “passivo” ou “ativo”. Colegas heterossexuais também têm essa curiosidade natural e, meio sem jeito, já me questionaram: quem é o homem da relação?

A verdade é que há muito desconhecimento sobre esse assunto, inclusive entre os próprios homossexuais. A cultura do sexo anal é tão dominante nesse “meio” que mesmo aqueles que não se identificam com a prática não se sentem à vontade, muitas vezes com medo da rejeição, para dizer NÃO ao parceiro e propor formas alternativas de dar e receber prazer. Normalmente, para ser considerado efetivamente gay, é preciso passar pela experiência, às vezes dolorosa e para muitos asquerosa, de fazer sexo anal. A mídia e as campanhas de prevenção governamentais enfatizam muito a camisinha, mas em nenhum momento sugerem a adoção de práticas mais seguras e saudáveis do que o sexo anal – não o fazem porque acham que não podem julgar o comportamento de ninguém.

O fato é que, ao contrário do que muitos fundamentalistas pensam, ser homossexual não se resume ou é sinônimo de dar ou comer cu. Pesquisas indicam que entre 20-45% da população homossexual masculina sexualmente ativa não pratica sexo anal. Masturbação mútua, frottage, sexo oral e tantas outras modalidades podem ser tão ou mais gratificantes do que o sexo penetrativo de pênis e ânus. Além disso, há sempre a opção de abstinência sexual, corretamente indicada pela Igreja Católica como a melhor forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Para aqueles que desejam conhecer mais sobre práticas sexuais não-penetrativas, sugiro os seguintes sites:

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Bahia, Luiz Mott, Movimento Gay Brasileiro, Chatice, Burrice, Idiotização e o Caralho de Asa KKKK

Por João, travesti

ENTÃO, o cidadão chega à delegacia e é 'obrigado' a declarar de público se é viado ou heterossexual: o cigarro do delegado é um falo! O delegado o olha dos pés a cabeça e já tem o diagnóstico, a burocracia sacraliza a VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL: manter em silêncio o seu desejo é uma violência contra o Estado diz o delegado: "Assuma que é viado". Na Bahia ninguém mais poderá se furtar aos escaninhos da BOA VIGILÂNCIA. Quem se dirigir à delegacia terá de dizer se é bicha ou heterossexual. Pergunta-me aí o sábio leitor: "Mas, João, por que disto? ". Simples, querido: o xamã gay da Bahia que responde pelo nome de Luiz Mott quer rastrear os crimes de HOMOFOBIA CULTURAL (rsrsrs). Sim, mais uma modalidade de homofobia. TODO mundo sabe que se uma bicha, um viado, uma sapatão morrer, for assassinado, logo sua morte é, imediatamente, atribuída a um crime de homofobia. Fosse qualquer outro cidadão, as causas poderiam ser aventadas de modo diferente. Morreu um gay, chega algum agente no cio do movimento gay brasileiro para discursar: "Veja o que os heterossexuais fizeram com este pobre rapaz só por ele ser gay". Chega a dar sono. Luiz Mott, em sua poderosa eloquência nos admoesta: "A declaração de que os 'HOMICÍDIOS' tem (sic) como causa não homofobia, mas drogas, não resiste à crítica, pois é a HOMOFOBIA CULTURAL que empurra tantos LGBT's para as margens sociais, inclusive à prostituição nas pistas. TODOS os seis crimes registrados na Bahia em janeiro 2011 (na verdade são sete, um só agora confirmado), as vítimas eram reconhecidamente homossexuais". OU cremos que o Estado da Bahia é um dizimador de bicha, OU cremos que Luiz Mott e o GGB - Grupo Gay da Bahia - são uns neuróticos, senão, vejamos. Ainda é possível sustentar um discurso de que a homofobia "empurra para as margens sociais" os homossexuais? Será? Desconfio muito, duvido até. O que percebo, e não é nenhum exagero, os homossexuais é que estão empurrando os heterossexuais para as margens senão institucionais, ao menos, da mentalidade cultural. É odioso ser macho, o ideal é que o homem seja viado, de preferência, delicado, cheio de paetês nas camisas e blush nas faces e batom vermelhíssimo nos lábios: viva os queers! Um viado maconheiro que comprou e não pagou que destino tem? Evidente, o tráfico manda-o apagar. Nas estatísticas de Luiz Mott o viado foi morto pelo tráfico: o tráfico é homofóbico. Risível, pois não? O que é preciso fazer, a meu ver, não é começar uma busca idiota para saber com quem o criminoso se deitou na noite anterior ao crime, mas em que condições o crime ocorreu, quem é seu mandante, por quê? Entendemos a visão limitadíssima de Luiz Mott e o que ele deseja com isto, isto é, em saber a sexualidade dos prováveis criminosos ou vítimas de crime. Ele quer inventariar tudo e criar um manual sexual do crime. É preciso encontrar novos caminhos... O GGB ainda mantém aquela velha estratégia que as bichas usavam na década de setenta para combater o preconceito. Viremos o disco, ninguém mais quer ser viado. Tenho dito!!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vai tomar na Cuba!

Por A Catequista

Nesta semana, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ficou irritado ao saber sobre supostas declarações do Papa Bento XVI dizendo que o homossexualismo é uma ameaça ao futuro da humanidade. O ex-BBB atacou o pontífice com palavras duras:

O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade. Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas, a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo. Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial”. (1)

O deputado possui a arte de concentrar altíssimas doses de veneno em poucas palavras. Nós aqui do blog não temos antiofídico pra enviar ao nosso papitcho, mas desejamos informar os católicos sobre o que realmente o papa disse, além de mostrar o quanto infundadas são as declarações desse parlamentar.
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O deputado Jean Wyllys caracterizado de Che Guevera, o revolucionário homofóbico. (Foto: revista Rolling Stone)

“O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo…”


Nós católicos temos razões de sobra para termos orgulho do nosso papa, porque ele foi um corajoso DESERTOR do regime nazista.


A incorporação de crianças alemãs na Juventude Hitlerista tornou-se oficialmente obrigatória a partir de 1938. Por isso, Joseph Ratzinger, aos 14 anos, foi obrigado a se incorporar a esse grupo. Em 1941, um dos seus primos de Ratzinger, um adolescente com Síndrome de Down, foi morto pelo regime, que eliminava os deficientes físicos e mentais.


Em 1943, com 16 anos, Ratzinger foi incorporado, pelo alistamento obrigatório, ao Exército Alemão. No ano seguinte, fugiu como desertor.


Quem acusa este homem de ser simpático ao nazismo, só pode ser duas coisas: no melhor dos casos, é mal informado; na pior hipótese, é desonesto.


“O papa (…) disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade.”


Não, ele não disse isso. Bem poderia ter dito, a gente aqui aplaudia de pé, mas não disse. Pra variar, a mídia distorceu suas palavras.
O que Bento XVI falou foi que os jovens precisam ser educados em uma família formada por um homem e uma mulher, e que “as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade” (2). Entre estas políticas danosas, o papa citou a questão do uso de células tronco embrionárias e o aborto, e em momento algum citou as palavras “homossexualismo”, “gay” ou algo similar.


Agora, que a Igreja condena a cultura gay e as práticas homossexuais, não é nenhuma novidade. Trataremos deste tema em outro post.


"Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas…"


E o socialismo, BBBputado, não é ruim, não? Interessante… Sobre a imensa pilha de cadáveres, as torturas e o desespero em escala colossal promovidos pelos seus companheiros de ideologia, o senhor Jean Wyllys não fala nada!


“Ameaça ao futuro da humanidade são (…) a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo.”


Sim, a pedofilia foi uma das maiores misérias que abalaram a nossa Igreja (essa mesma Igreja que sabemos ser a maior promotora do bem das crianças em todo o mundo). E essa atrocidade foi realizada, quase que em sua totalidade, por padres homossexuais. Ou ninguém reparou que praticamente todas as vítimas são meninos?


Por isso mesmo, Bento XVI foi direto ao ponto, e lançou um documento proibindo expressamente a permanência de pessoas com tendências homossexuais nos seminários (saiba mais aqui).


“Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial.”



O deputado parece sugerir que Bento XVI deseja que todos os gays morram. Não, senhor: o Papa e os católicos amam os gays e prezam pela sua vida, tanto que rezam, evangelizam e fazem penitência pela sua conversão.


Genocidas e assassinos de gays – não em potencial, mas de fato – são os comunistas, que em toda a parte onde se estabeleceram no poder trataram os gays como verdadeiras pestes a serem exterminadas.
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Prisioneiros do regime comunista da U.R.S.S. realizando trabalhos forçados na Sibéria.




Na União Soviética, da década de 1930 até 1992, ser homossexual era considerado um CRIME vergonhoso, um ato contra-revolucionário. Milhares de gays foram mortos em campos de concentração na Sibéria; lá, onde no inverno a temperatura chega a 40 graus abaixo de zero, eles realizavam trabalhos forçados.


Na China, desde o estabelecimento do governo socialista até meados da década de 1980, os acusados de práticas homossexuais eram condenados a penas severas, como a castração ou a pena de morte.


O senhor Jean Wyllys, filiado a um partido socialista, é fã de Che Guevara. Ele parece não saber que Che, junto com Fidel, foi responsável pela abertura dos campos de concentração para onde eram enviados os gays cubanos, de 1960 a 1970. E, até 1993, os portadores de HIV da ilha, em sua maioria homossexuais, eram capturados e detidos nestes mesmos campos.


Quem quiser saber mais sobre como o regime comunista cubano trata os gays, basta consultar o site do Grupo Gay da Bahia – GGB:


“Data de 1971 a infeliz resolução do Primeiro Congresso Nacional de Educação e Cultura de Cuba onde se decretou que ‘os desvios homossexuais representam uma patologia anti-social, não admitindo de forma alguma suas manifestações, nem sua propagação, estabelecendo como medidas preventivas o afastamento de reconhecidos homossexuais artistas e intelectuais do convívio com a juventude, impedindo gays, lésbicas e travestis de representarem artisticamente Cuba em festivais no exterior.’ (…).
“Em 1959 ao tomar o poder em Cuba, Fidel declarou que ‘um homossexual não pode ser um revolucionário’. Em 1965 Fidel e Che Guevara criam as Unidades Militares de Ajuda à Produção, acampamentos de trabalho agrícola em regime militar, com cercas de 4 metros de arame farpado, onde os homossexuais e outros ‘marginais’ realizavam trabalho forçado nos canaviais, com até 16 horas de trabalho forçado (…)".
“Em 1980, segundo informes oficiais, 1700 ‘homossexuais incorrigíveis’ de Cuba foram deportados para os Estados Unidos (…).
“Consta que o próprio Guevara, ao encontrar na Biblioteca da Embaixada Cubana em Argel, a obra Teatro Completo de Virgilio Piñera, homossexual assumido, jogou o livro na parede, dizendo: ‘como vocês têm na nossa embaixada o livro de um pajaro maricon!’ o sinônimo cubano para veado.” (3)


A história e os fatos demonstram que o senhor Jean Wyllys e os demais gays e lésbicas do Brasil devem dar graças a Deus por terem nascido em um país com bases cristãs. Isso que ele chama de “Ocidente” foi criado pela Igreja Católica. Se o deputado tivesse nascido em um país muçulmano ou governado por comunistas, não teria a liberdade de dizer essas asneiras.
Agradeçam ao Papa por terem o direito de espezinhá-lo despreocupadamente, seus ingratos.


*****


Conheço uma penca de católicos devotos que votaram no Chico Alencar (PSOL-RJ) para deputado federal nas últimas eleições. Se você é um desses, parabéns: considere-se um dos responsáveis pela eleição do deputado Jean Wyllys.


O ex-BBB não recebeu votos suficientes para se eleger, mas entrou graças ao sistema de proporcionalidade, sendo beneficiado pelos muitos votos recebidos pelo seu colega de partido, Chico Alencar.


Notas:


(1) Jornal do Brasil. Casamento gay: Jean Wyllys associa Bento XVI ao nazismo e o chama de genocida . 10.01.2012


(2) Site do Vaticano. Discurso do Papa Bento XVI ao Corpo Diplomático Acreditado Junto da Santa Sé . 09.01.2012


(3) Site do Grupo Gay da Bahia. Gays exigem que Fidel Castro peça perdão pela perseguição aos homossexuais em Cuba . Consulta realizada em 11.01.2012

Fonte: http://ocatequista.com.br/?p=3538

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Gays de Direita e Q-Libertários entrevistados pelo site Um Outro Olhar

Segue uma entrevista concedida pelo Gays de Direita (GG) e pelo blog Q-Libertários (QL) no ano de 2010 ao site Um Outro Olhar (UOO). Embora muita coisa tenha mudado de lá pra cá, acho importante resgatar as inquietações originais que nos levaram à criação deste espaço.


UOO:Vocês mantêm dois blogs, Gays de Direita e Q-Libertários, que vão na contramão da perspectiva com que a maioria de ativistas e blogueiros LGBT aborda a questão da homossexualidade que é tradicionalmente mais à esquerda ou de esquerda. Então pergunto, primeiro, quando decidiram lançar os blogs e qual o objetivo deles?

GG: A ideia de criar o blog surgiu em uma festa na casa de um amigo, onde percebi que praticamente nenhum homossexual ali compartilhava dos mesmos ideais de cunho esquerdista do movimento gay. Além disso, em conversas com amigos em outras ocasiões, notei que havia muita desinformação em relação a temas do interesse dos homossexuais e desconhecimento acerca do verdadeiro caráter da militância LGBT no Brasil.

O blog tem o objetivo de incentivar o debate sobre assuntos da atualidade a partir de uma perspectiva conservadora. Pensamos em vários nomes, mas acabamos optando por “Gays de Direita” mesmo. Julgamos que os resultados de nossa iniciativa têm sido muito positivos: apesar de uns xingamentos, temos recebido muitos elogios e críticas de pessoas que pensam como a gente, além de ter despertado a admiração até mesmo de alguns heterossexuais, que acabaram se tornando fãs do blog. Evidentemente, as publicações do blog não necessariamente representam a opinião de todas as pessoas envolvidas no grupo. Da mesma forma, não esperamos que os leitores concordem com tudo o que é publicado, pois alguns temas inclusive são bastante controversos.

QL: Não tive, a princípio, a intenção de criar um blog que relacionasse política com assuntos LGBTs. Entristecia-me qualquer tentativa de mesclar identidade sexual com ideologia política. Contudo, ao fazer buscas na internet por sites de temática LGBT percebia que boa parte deles estava atrelada, politica ou ideologicamente, a partidos e movimentos de esquerda. Nessa época, eu já não me considerava de esquerda, embora não quisesse aceitar. Fui doutrinado pelos meus professores a pensar que a esquerda possuía o monopólio dos bons sentimentos. Após uma série de reflexões e estudos, percebi que não compartilhava com a visão de mundo socialista. Procurei por sites ou blogs gays que tivessem alguma afinidade com o que pensava, mas não encontrei nenhum, pelo menos em língua portuguesa. A partir daí, resolvi criar o blog. Sobre o objetivo do mesmo, acredito que seja apresentar às lésbicas, aos gays, aos bissexuais e aos transgêneros a visão que nós, libertários, possuímos da sexualidade humana e dos direitos civis e individuais.

UOO: GG, dizer-se de direita no Brasil, no contexto pouco democrático atual, é como assumir um estigma. Exige coragem portanto. Assumir-se gay e de direita exige muito mais, principalmente porque a direita sempre foi vista como inimiga das pessoas homossexuais, tendo de fato assumido posturas muito reacionárias. Fale um pouco sobre essa (aparente?) contradição.

GG: Intuitivamente, observo que a impressão das pessoas comuns em relação ao socialismo é muito mais negativa do que em relação à direita. Por isso, eu não vejo essa interpretação como uma percepção generalizada dentro da população gay ou fora dela. É perfeitamente normal que homossexuais defendam idéias de direita. Há gays católicos, gays que são virgens e gays que defendem relações monogâmicas e estáveis. Parece-me que quem quer saber de “revoluções” é a cúpula do MHB, totalmente influenciada pelo discurso marxista e alheia aos interesses e necessidades da população homossexual.

As pessoas gostam de falar que existe uma contradição entre ser gay e de direita porque a direita, de um modo geral, não assume um posicionamento pró-gay; no entanto, também não assume uma posição anti-gay. São um ou outro os casos de pessoas de direita que se manifestam de forma contrária aos gays, coisa que também ocorre nas esquerdas.

Minhas pesquisas a este respeito apontam que o MHB, em conjunto com outros movimentos e indivíduos defensores do socialismo, tem adotado uma estratégia gramsciniana de penetração na mídia, cinema, artes em geral, escolas etc. com o objetivo de difundir uma imagem negativa e incorreta a cerca da maneira pela qual, por exemplo, o capitalismo, os militares e Igreja Católica abordam a homossexualidade.

Hoje no Brasil não existe mais ensino, mas sim doutrinação, tendo a verdade sido substituída pela propaganda. E este é o cerne da questão do blog: colocar uma luz sobre a evidente doutrinação que existe dentro da militância e fora dela. Eu acho que o gay brasileiro precisa parar de acreditar no que dizem por aí e passar a investigar os fatos por conta própria.

UOO: QL, você identifica seu blog como para homossexuais libertários e de centro-direita. Gostaria primeiro que me definisse o que é ser libertário e a relação dessa corrente de pensamento com a questão homossexual. Como também os anarquistas se identificam como libertários, gostaria que estabelecesse qual a diferença entre libertários liberais e de esquerda. Segundo gostaria que explicasse também como define ser de centro-direita e no que isto se diferencia de ser de direita sobretudo no referente à questão LGBT.

QL: O libertarianismo ou libertarismo é uma filosofia política que defende a maximização das liberdades individuais e a minimização do Estado. Na Europa, o termo é usado como sinônimo de liberalismo clássico. Contudo, nos Estados Unidos, a palavra “liberal” ganhou novos contornos. Lá, ela designa uma pessoa adepta de uma economia controlada atrelada ao Estado-providência. Assim, os verdadeiros liberais americanos adotaram o nome de libertários. Embora muita gente enxergue os Estados Unidos como um país bipartidário (democratas versus republicanos), há outros partidos, entre eles o Partido Libertário, o terceiro maior partido do país. Não sei se você sabe, mas o Partido Libertário americano foi o primeiro partido a endossar os direitos para a comunidade LGBT, incluindo o direito de se casar com quem quiser, independente do gênero. Em 1974, o Partido Libertário pediu a revogação das leis contra homossexuais. O libertarianismo difere do anarco-comunismo pelo fato do último ser contrário à propriedade privada e ao dinheiro. Além disso, o anarco-comunismo prega a tomada do poder pela revolução, atitude essa condenada pelos libertários. Durante o processo de criação do blog pensei em exclusivamente libertários. Entretanto, optei por incluir o termo “centro-direita” para ampliar o leque de opções para quem é adepto dessa corrente. Quando se fala em “direita” pensamos em uma série de estereótipos que foram criados pela esquerda. Nada mais injusto e covarde. A “direita” é diversa e congrega uma série de ideias e concepções, muitas conflitantes. Em alguns meios, é comum definir os liberais como de centro-direita.

UOO:Vocês acreditam que essa polarização direita x esquerda que requentaram nos dias de hoje procede? Ela já não havia sido superada por outra visão mais abrangente que apontava para a possibilidade de se superar a dicotomia Estado x mercado? Ou a questão direita x esquerda vai além dessa dicotomia e não há um meio-termo possível?

GG: Com certeza ainda procede. Eu acho que a definição de direita e esquerda vai além dessa dicotomia, é muito mais abrangente do que as considerações entre liberdade de mercado ou dirigismo estatal. Também defendemos um modelo de Estado menos dominante e uma economia liberal, mas procuramos nos concentrar no modo pelo qual Estado e sociedade interagem na atualidade.

Uma das questões que merecem ser discutidas é esse modelo de Estado, construído a partir de 1988, que protege demasiadamente os ditos “movimentos sociais” e, com isso, acaba criando uma atmosfera de falsa cidadania, na qual os desejos de um pequeno grupo passam a definir a agenda pública. Eu vejo uma insatisfação muito grande, entre os homossexuais, quanto à pretensão da militância gay em criar um modelo de homossexual. Não é raro ver militantes LGBT dizendo que querem proibir a Bíblia, acabar com a família, controlar mídias, instalar “ditaduras do proletariado”, entre outras coisas.

A larga maioria da população brasileira não odeia os homossexuais mas também não quer que eles fiquem ditando regras acerca de como seus filhos devem ser educados, sobre como as pessoas devem se comportar no trabalho ou como devem pensar a respeito de suas doutrinas religiosas.

QL: Provavelmente não, mas essa discussão é algo que se agrava em muitos países. A polarização entre esquerda e direita remete à Revolução Francesa. Todavia, a divisão entre essas duas correntes varia conforme a época. Antes, a direita foi monarquista; hoje é republicana. Alguns pontos e posturas defendidos pela esquerda atual deixariam Lênin de cabelo em pé. Houve tentativas de encontrar um meio-termo entre as duas grandes correntes: a social democracia, o liberalismo social, a terceira via e o próprio centrismo. Contudo, essas visões e seus defensores não apresentam uma proposta clara, o que abre espaço para interpretações dúbias e bizarras.

UOO: Vocês são bem críticos do atual Movimento LGBT brasileiro. Por quê? Porque o movimento foi aparelhado pelo PT, portanto partidarizado, ou por que o consideram muito de esquerda simplesmente? Se a partidarização fosse de direita (supondo que isso fosse possível), veriam a situação com outros olhos?

GG: Há vários porquês. Primeiro porque noto que boa parte dos militantes é formada por pessoas interessadas em captar recursos públicos ou simplesmente criar projetos para acrescentar no seu “currículo de militante gay”. Não é raro encontrar nessa militância cientistas sociais, jornalistas e advogados que não tiveram sucesso em suas carreiras e buscam na “causa gay” uma desculpa para maquiar seu fracasso profissional.

Segundo, na própria discussão dentro do movimento, vislumbramos uma série de ideias bizarras, chegando-se ao cúmulo de identificar como “aliados” partidos de ideologia comunista, com histórico de massacre de gays sem precedentes em toda a história da humanidade. Esta pregação pelo socialismo está tornando a militância cada vez mais distante do gay comum, impedindo que os militantes compreendam suas reais necessidades. Por esta razão, o público LGBT se sente pouco estimulado a participar da militância, não se identifica com os discursos, preferindo seguir adiante com a própria vida.

Por exemplo, a ABGLT recentemente esteve num evento realizado em Cuba, o pior país da America Latina para os homossexuais. Os gays cubanos têm protestado contra Mariela Castro que se esforça em passar uma imagem de defensora dos direitos gays; seus programas, no entanto, não passam de fachada, não mudando em nada a vida dos gays daquele país. Outro fato bizarro foi a mesma ABGLT ter praticamente ficado em silêncio diante da vinda de Ahmadinejad ao Brasil, em novembro. É verdade que a ONG em questão manifestou o seu apoio à comunidade judaica, mas apenas nominalmente. Aquele era um momento em que os gays deveriam ter se juntado com os judeus e protestado contra Ahmadinejad, considerando que, no Irã, a tortura e a execução de homossexuais são legalizadas. O presidente da associação chegou a dizer, em entrevista, que pediria ao governo Lula licença para protestar, deixando patente que quem manda na ABGLT é o PT.

Terceiro, o movimento gay fica constantemente mudando o foco de suas reivindicações: ora milita pelo “matrimônio” gay, ora tenta aprovar o PLC 122/2006, ora busca eleger candidatos homossexuais. Essa alternância de estratégia acaba custando muito nos campos tático e operacional e, vendo como administrador, parece-me que esses ativistas têm feito um péssimo trabalho. Não é de se estranhar que não conseguem alcançar nenhum dos objetivos concretos a que se propõem, sejam eles bons ou ruins. Eles não têm obtido êxito nem em dar o primeiro passo que consiste em reunir os homossexuais para criar um movimento sólido. Os atuais grupos de militância gay são todos patéticos, com um contingente que varia entre 5 ou 15 pessoas em cada grupo, com pouquíssimas exceções. A ABGLT, que se gaba de ser representante de 220 grupos homossexuais, não passa de um embuste, já que a quantidade de grupos gays no Brasil, segundo um levantamento feito por nós no ano passado, não passava de 110. Isso sem mencionar o fato de a ABGLT ser uma organização fechada, não passa de um grupo de comadres marxistas, como se ser gay demandasse necessariamente ser socialista.

Por fim, não vejo nenhuma possibilidade de haver uma partidarização à direita no atual cenário do movimento gay. Não acho inclusive que o movimento deveria assumir uma tendência, mas simplesmente procurar priorizar as reais necessidades dos homossexuais brasileiros.

QL: Não diria que sou um crítico, apenas não compartilho do discurso radical e fundamentalista de determinados setores do movimento LGBT brasileiro. Acho um equívoco essa partidarização apontada por você. A questão dos direitos civis deveria ultrapassar as disputas eleitorais de direita e esquerda. O movimento homossexual vive num mundo fora da realidade. Talvez por influência da esquerda marxista, existe um preconceito contra o setor privado. Como se o dinheiro usado para financiar ONGs, Paradas e entidades LGBTs viesse de Júpiter e não pelo dinheiro do governo, que vem justamente do sistema econômico. Aliás, há aí duas coisas que repudio nesse exemplo: a submissão de entidades homossexuais ao Estado assim como o uso de dinheiro público nas mesmas. Lembra o fascismo italiano, quando os sindicatos ficaram atrelados ao Estado. Acho isso perigoso. Se, hipoteticamente, os movimentos LGBTs fossem subordinados a partidos de “direita”, repudiaria da mesma maneira. O movimento homossexual deve ser independente. Contudo, desejo que haja uma maior abertura do movimento homossexual brasileiro a novas ideias. Em 2006 procurei um grupo LGBT e não fui compreendido. Talvez seja difícil para essas pessoas reconhecer que haja opiniões diferentes.

UOO: Os Planos Nacionais de Direitos Humanos de FHC e de Lula contemplaram algumas reivindicações de direitos homossexuais, mas o de Lula veio com um recheio onde se observam propostas de abolição do direito de propriedade, monitoramento e controle da imprensa, controle de livros didáticos, ampliação do desarmamento da população (e de seguranças!!?) enquanto o governo financia, com $ público, o cada vez mais armado MST), e outras estrovengas autoritárias. Muitos ativistas, que inclusive reconhecem o caráter aberrante desse plano, estão fazendo vista grossa ao cerne da coisa para ver se passam os direitos homossexuais. Como vocês veem essa estratégia?

GG: Recentemente, um militante comunista disse que a população tem dado mais ênfase às questões do aborto, da propriedade privada e à polêmica dos militares do que a questão homossexual. De fato, de todas elas, parece que a questão homossexual é a que menos preocupa. O PT não está interessado em entregar coisa alguma aos homossexuais, embora pudesse fazê-lo, já que possui maioria aliada no Congresso.

Acho engraçado que tão logo a questão do PLC 122/2006 (projeto contra homofobia) arrefeceu, veio em seguida este PNDH-III. Para mim, esse programa, mais do que um esboço de dominação política, é também estratégia para agitar a sociedade e depois o governo dizer que os “cristãos fundamentalistas” têm pressionado o PT nessas questões.

Eu conviveria perfeitamente bem com a esquerda, sem o menor problema. E deve haver uma esquerda. No entanto, os partidos de esquerda que estão aí, com um passado de assassinatos, assaltos, terrorismo e mortes, obviamente não possuem a menor aspiração democrática.

QL: O PNDH 3 foi alvo de tantas críticas que fica difícil fazer um elogio. Reprovo qualquer tentativa de controle por parte do governo à minha vida, à minha propriedade e à minha liberdade. Eles falam que o Plano saiu de discussões de diversos setores da sociedade. Mas quais setores? Na realidade são os tais movimentos “sociais” ligados aos partidos de esquerda que, segundo os próprios, totalizaram 14 mil pessoas nesses dois anos. Desde quando 14 mil representam 190 milhões de pessoas? Sabemos que os reais objetivos do PNDH 3 são partidários, de ampliar o poder da esquerda e do PT em particular. Tal partido não está nem um pouco interessado em Direitos Humanos. Se estivesse, por que seus dirigentes e militantes não se posicionam contra países que desrespeitam os direitos humanos, como Cuba, China e Venezuela? A recepção de Mahmoud Ahmadinejad pelo presidente Lula, no ano passado, foi uma ofensa àqueles que lutam pelos direitos humanos.

UOO: Da perspectiva LGBT de direita e libertária, quais as principais bandeiras a serem levadas por um movimento LGBT e como elas deveriam ser encaminhadas? Há diferenças com as que já são encaminhadas pela militância tradicional ou não?

GG: Penso que a única coisa correta originada do PT foi o projeto de união civil (e os direitos daí derivados, como a transferência da herança ao parceiro e a possibilidade de financiar em conjunto a compra de seu lar), mas esta se tornou uma bandeira abandonada pelos próprios militantes homossexuais. A maioria deles não se vê minimamente interessada em defendê-la, já que alegam que o projeto estaria “defasado” e que outro mais novo e abrangente seria mais oportuno. Uma distorção que tem sido freqüente é chamar este projeto de “casamento gay”, pois passa a ideia de que a lei permitiria nos casarmos dentro das igrejas, o que é um absurdo, pois as religiões têm o seu próprio percurso evolutivo que deve ser respeitado. Apesar do PLC 122/2006 não determinar isto explicitamente, na prática, era um projeto que estava levando a isto.

A questão da AIDS ainda é um campo a ser explorado. Alguns militantes homossexuais têm reclamado da impossibilidade do gay doar sangue, mas este é um problema real, já que há muitos gays que fazem sexo sem camisinha com até 26 homens num único final de semana. Muito se fala que as políticas brasileiras de combate à AIDS são referências internacionais, mas também é dito que gays e jovens constituem população de risco. Se as políticas brasileiras são tão boas, por que os índices de contaminação entre os gays têm aumentado? Esse é o tipo de reflexão que o movimento LGBT deveria fazer; e, ao invés de estimular a promiscuidade sexual, incentivar a fidelidade e a monogamia.

Deveria também ser criado um sistema de informação e vigilância com relação aos crimes motivados por preconceito que permitisse o acompanhamento dos casos judiciais diretamente pelo público interessado. Atualmente, quando ocorre um crime hediondo, os dirigentes das ONGs fazem suas declarações, mas parece que pára por aí. Nos EUA, fatos assim são acompanhados de perto pelo público gay, que atende prontamente os chamados da militância para protestar.

QL: Acredito que a militância LGBT deveria focalizar os direitos civis e exigir do Estado o fim de qualquer lei que discrimine pessoas ou organizações com base na orientação sexual. Mas sou contra leis “especiais”. Aqui no Brasil temos a mentalidade de que o governo tem de salvar as pessoas de si mesmas e que seremos uma sociedade democrática através da ação estatal. Por vezes, a militância LGBT age de forma autoritária e incoerente. Vou te dar um exemplo: basta que um líder religioso cristão faça algum comentário se posicionado contra a homossexualidade que temos motins em portas de igrejas, pessoas queimando fotografias do Papa... Por que não se tomou essa mesma postura quando o ultra-homofóbico presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad visitou o Brasil?

UOO:Sei que no exterior há grupos organizados de LGBT conservadores e libertários, mas, aqui no Brasil, acho que a iniciativa de vocês é pioneira. Vocês pretendem partir para uma organização nos moldes internacionais futuramente?

GG: Claro que sim, porém, para garantir a legitimidade do movimento, não devemos nos associar a nenhum partido político. Mas ainda há muito pela frente. No momento, acompanhamos fatos políticos e violações homofóbicas ocorridos em outros países, entre outras questões. Temos também nos esforçado para denunciar que as técnicas de subversão marxista-leninista, empregadas durante o regime militar pelas esquerdas, estão sendo utilizadas ainda hoje.

QL: Gostaria muito. Tenho mantido contatos informais com uma organização italiana e outra norte-americana. Mas esbarramos aqui numa série de problemas, como a precariedade de um país como o Brasil e o estereótipo que muitas pessoas desenham dos liberais. Comecei de forma tímida, com o blog e uma lista de discussão. Mas entre os planos futuros desejo ter um site e um espaço para reuniões e encontros.

UOO: Como vocês veem as próximas eleições para a população homossexual e o país? Que cenário visualizam?

GG: O presidente da ABGLT deu uma entrevista recentemente recomendando a candidata do PT, Dilma Rouseff. É evidente que a aliança político-partidária da ABGLT está acima do compromisso de representar a população homossexual. Se um pseudo-operário nada trouxe de concreto para a população gay, menos ainda fará uma ex-guerrilheira terrorista e assaltante de bancos, da VAR-Palmares, treinada em Cuba.

De qualquer forma, não creio que a Dilma sairá vencedora. Por outro lado, devemos ficar atentos, pois a troca de um presidente não necessariamente traz impactos positivos sobre o movimento gay. Nesse sentido, um candidato eleito por outro partido pode significar um continuísmo da presente situação, caso ele faça vista grossa aos militantes esquerdistas que fazem carreira como “militantes gays”, cujo único objetivo é obter recursos públicos.

QL: Não há neste país nenhum partido que se aproxime daquilo que acredite. Há boas tentativas como o Partido Libertário e o Partido Federalista, mas são projetos e dependem da burocracia estatal para a regularização dos mesmos. Não vejo um futuro promissor para um país que apresenta candidatos presidenciais como Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

UOO: Por fim, agradecendo pela entrevista, pediria que deixassem uma mensagem para as leitoras e os leitores do site.

GG: Nossa mensagem para os leitores é “invadam” as sedes do movimento gay, procurando participar das reuniões e dos meios de conversação existentes na internet, a fim de ajudar a mudar a situação ou pelo menos para testemunhar a veracidade do que falamos. Algumas dessas organizações se envolvem até em práticas criminosas (tal como o aliciamento de menores, num determinado caso). O problema de pessoas que fazem carreiras em movimentos sociais é que estas não se destinam a resolver os problemas da população, uma vez que os problemas são o motivo de elas estarem ali recebendo verba pública. Recentemente, um homossexual comunista em Cuba foi expulso do partido pelo fato de ser gay. Se fosse verdade que “o capitalismo gera a homofobia”, fatos como esse jamais teriam ocorrido. Por isto é importante analisar a coerência dos discursos dessas pessoas.

QL: Agradeço, primeiramente, a Miriam Martinho pela confiança e pela oportunidade. Quando paro para ver tudo que os teóricos da esquerda escreveram: ditadura do proletariado, guerras civis, revoluções armadas e sanguinárias, paredón, fica tudo com um ar de morte e monstruosidade. Toda leitura que já fiz sobre liberalismo nunca encontrei um autor que violasse os direitos essenciais dos seres humanos: direito à vida, à liberdade, à propriedade, e por aí vai. Portanto, convido a comunidade LGBT à defesa da igualdade de direitos.

Fala de Papa Bento 16 é distorcida pela imprensa e militantes gays comemoram

Notícia da Reuters traduzida pelo Estado de São Paulo afirma que "o papa Bento 16 disse nesta segunda-feira, 9, que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque "o próprio futuro da humanidade".

Infelizmente, a desinformação jornalística é repetida pelas mídias sociais e a militância LGBT se aproveita da ocasião para manifestar seu ódio à religião, especialmente à Igreja Católica.

O que poucos sabem é que, no seu discurso, em momento algum, o papa menciona "casamento homossexual". Para conferir a íntegra da fala de Bento 16, clique aqui:

"A educação é um tema crucial para todas as gerações, pois depende dela tanto o desenvolvimento saudável de cada pessoa como o futuro da sociedade inteira. Por isso mesmo, aquela constitui uma tarefa de primária grandeza num tempo difícil e delicado. Para além de um objectivo claro, como é o de levar os jovens a um pleno conhecimento da realidade e, consequentemente, da verdade, a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade. Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade. O quadro familiar é fundamental no percurso educativo e para o próprio desenvolvimento dos indivíduos e dos Estados; consequentemente, são necessárias políticas que o valorizem e colaborem para a sua coesão social e diálogo. É na família que a pessoa se abre ao mundo e à vida e, como tive ocasião de lembrar durante a minha viagem à Croácia, «a abertura à vida é um sinal da abertura ao futuro»[3]. Neste contexto de abertura à vida, recebi com satisfação a recente sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia, que proíbe atribuir alvarás em processos relativos às células estaminais embrionárias humanas, e também a Resolução da Assembleia parlamentar do Conselho da Europa que condena a selecção pré-natal em função do sexo".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Um homossexual condena os “direitos homossexuais”

Por Justin Raimondo
Os ativistas homossexuais do passado pediam ao governo que os deixasse em paz. Sua plataforma política consistia fundamentalmente na descriminalização de relações homossexuais entre maiores de idade. Hoje, contudo, à medida em que a tolerância social à homossexualidade cresce, os ativistas homossexuais se voltam cada vez mais para o governo a fim de impor seus interesses à sociedade. Muito embora o poder estatal tenha sido utilizado como clava contra os homossexuais desde pelo menos a Idade Média, os líderes gays de hoje subitamente parecem eles mesmos empunhar o bastão, dizendo: “Agora é a nossa vez”. Isto é uma grande ironia – e uma possível causa de problemas para os homossexuais e convulsão social para a América.

O nascimento do movimento de liberação dos homossexuais na América pode ser datado em 27 de Junho de 1969, quando clientes do Stonewall Inn, um bar para homossexuais em Manhattan, resistiram a uma tentativa da polícia de fechar aquele estabelecimento. Durante três dias, uma rebelião da vizinhança efetivamente impediu a polícia de dar seguimento à antiga tradição de extorsão de bares “gays” e de fechamento dos que se recusavam a pagar propina. Na autuação oficial, os donos do Stonewall foram citados por não possuírem alvará para venda de bebidas alcoólicas. Mesmo que eles tivessem requerido a obtenção do alvará, contudo, dificilmente eles teriam sido atendidos: o órgão estatal responsável por este tipo de licença era notoriamente hostil a estabelecimentos voltados para homossexuais. Assim sendo, os primeiros manifestantes homossexuais modernos estavam se rebelando contra a regulação estatal. De fato, a liberdade perante o governo, genericamente considerado, era uma idéia central do movimento de liberação homossexual.

No entanto, algo fez com que o movimento gay se desviasse deste objetivo originário. Hoje, o intitulado movimento pelos direitos homossexuais vê o governo como o provedor, e não o inimigo, da liberdade. Da medicina socializada, passando pela legislação anti-disriminação e chegando às aulas obrigatórias de “tolerância” nas escolas, não há qualquer tipo de iniciativa para incrementar o poder governamental que estes supostos guerreiros da liberdade não apoiem.

Enquanto as relações homossexuais entre maiores de idade sejam consideradas atos ilegais em alguns estados, eu acredito que organizações dedicadas a legalizá-las têm um assento legítimo na constelação das causas em prol dos direitos humanos. Além deste objetivo estritamente limitado, contudo, um movimento político baseado em orientação sexual é uma aberração grotesca. O fato de que o movimento pelos direitos homossexuais ter assumido uma postura cada vez mais autoritária é a consequência inevitável de se basear compromissos políticos em lealdades tribais, e não em princípios filosóficos.

Numa sociedade livre não existem direitos homossexuais, apenas direitos individuais. Tanto para homossexuais quanto para heterossexuais, estes direitos se fundem num único princípio: o direito de ser deixado em paz. Politicamente, o movimento pelos direitos dos homossexuais deve voltar às suas raízes libertárias. Isto iniciaria o imprescindível processo de despolitização da homossexualidade e evitaria uma perigosa guerra cultural que a minoria homossexual jamais poderá vencer.

Mesmo a “neturalidade” estatal que homossexuais “de centro” como Andrew Sullivan advogam forçaria o governo a tratar a homossexualidade como algo equivalente à heterossexualidade, como se vê nas demandas de Sullivan em prol de um pseudo-“casamento” homossexual e da admissão de gays assumidos nas forças militares. A verdadeira neutralidade, contudo, exigiria não uma aceitação, mas indiferença, desatenção, inação. Um estado neutro não penalizaria nem recompensaria a conduta homossexual. Ele não proibiria nem legitimaria juridicamente o casamento homossexual. Num ambiente militar, um estado neutro submeteria qualquer manifestação de sexualidade à mesma rigorosa regulação.

Os homossexuais devem rejeitar a idéia disparatada de que eles são oprimidos pelo “heterossexualismo”, uma ideologia vil que subordina e denigre homossexuais ao insistir no papel central da heterossexualidade na cultura humana. Não se pode fugir da biologia humana, por mais que tal projeto possa seduzir acadêmicos alienados que imaginam que a sexualidade humana é uma “construção social” alterável à vontade. Homossexuais são e serão sempre uma raridade, uma pequena minoria necessariamente à margem da família tradicional. O “preconceito” heterossexual das instituições sociais não é algo que precise ser imposto a uma sociedade relutante por um estado opressivo, mas uma predileção que surge de forma bastante natural e inevitável. Se isto é “homofobia”, então a natureza é sectária. Se os homossexuais utilizam o poder estatal para corrigir esta “injustiça” histórica, eles estão se engajando num ato de beligerância que será considerado com justiça uma ameaça à primazia da família tradicional.

Mesmo vários homossexuais liberais admitem que o modelo dos “direitos gays” já serviu a todo e qualquer propósito útil que ele algum dia possa ter tido. A idéia de que os homossexuais, especialmente os homens, sejam um grupo de vítimas é tão contrária à realidade que ela já não é mais sustentável. Nos campos econômico, político e cultural, os homossexuais exercem uma influência desproporcional ao seu número em face da totalidade da população, um fato que deu origem a inúmeras teorias conspiratórias. Dos cavaleiros medievais de Malta ao misterioso “Homintern” dos tempos modernos, a idéia de uma poderosa organização secreta de homossexuais é tema persistente na literatura conspiratória, imitando a forma e o estilo da mitologia anti-semítica.

Justaposta à propaganda vitimizante dos últimos vinte anos, esta imagem de poder homossexual com ela se funde para produzir um personagem particularmente antipático: uma criatura privilegiada que não para de choramingar quanto ao seus infortúnios. Se as lideranças políticas homossexuais estão tão preocupadas quanto a um suposto crescimento de sectarismo anti-homossexual, talvez elas devam tomar o cuidado de projetar uma imagem pública menos criticável.

Na condição de contigente especializado de um exército dedicado a empurrar o socialismo “multicultural” goela abaixo do povo americano, o lobby homossexual se alimenta dos piores medos de suas bases eleitorais. Empunhando o espantalho da “Direita Religiosa” a fim de manter as tropas em alerta, os políticos gays apontam para Jesse Helms e dizem: “sem nós, vocês não teriam a menor chance contra este sujeito”.

Entretanto, nenhum grupo religioso de peso jamais clamou por medidas legais contra os homossexuais. A Coalização Cristã, o Eagle Forum e outros grupos ativistas conservadores somente se envolveram em atividades políticas supostamente “anti-homossexuais” defensivamente, trabalhando pela rejeição de leis garantidoras de “direitos gays” que atacavam as crenças mais preciosas daqueles grupos.

Os líderes do movimento gay estão brincando com fogo. A grande tragédia é que não serão eles os únicos que sairão queimados. A volatilidade dos temas que eles vêm levantando – temas que envolvem religião, família e as mais elementares premissas do que é ser humano – cria o risco de uma explosão social pela qual eles devem ser responsabilizados. A ousadia da tentativa de se introduzir um “currículo homossexual positivo” nas escolas públicas, a postura de vítimas militantes que não toleram qualquer questionamento, a intolerância brutal que se segue à tomada do poder pelos homossexuais em guetos urbanos como São Francisco – tudo isso, somado ao fato de que o próprio paradigma dos direitos dos homossexuais representa uma intolerável invasão da liberdade, tende a produzir uma reação da maioria.

Já é tempo de se questionar o mito de que o movimento pelos direitos homossexuais fala por todos, ou mesmo pela maioria dos homossexuais. Isto não acontece. Leis que estabelecem “direitos homossexuais” violam os princípios do autêntico liberalismo, e os homossexuais deveriam levantar sua voz contra elas – a fim de se distanciarem dos excessos deste movimento destrutivo, a fim de evitar conflitos sociais e para corrigir alguns graves males já criados. Estes males são o ataque político hoje lançado contra a família heterossexual pelos teóricos da revolução homossexual; o incansável deboche religioso que permeia a imprensa gay; e o ilimitado desprezo, inerente à subcultura homossexual, por toda tradição e pelos “valores burgueses”.

A busca por uma “etnia” homossexual é tão infrutífera quanto o esforço para forjar um movimento político homossexual. Ser homossexual não pode ser comparado, de forma alguma, a, digamos, ser armênio. Não existe uma cultura homossexual à parte da cultura em geral e, apesar de alegações pseudo-científicas em contrário, não existe uma “raça gay” geneticamente codificada. Existe apenas um certo comportamento adotado por um grupo heterogêneo de indivíduos, cada um baseado em seus próprios motivos e predisposições.

Quaisquer esforços de santificação desta conduta, ou de sua explicação de forma a esvaziá-la de qualquer conteúdo moral, são contraproducentes, além de pouco convincentes. Tentar reconciliar de alguma forma a homossexualidade com os costumes e crenças religiosas da maioria é renunciar ao verdadeiro direito que as pessoas, homossexuais ou não, efetivamente têm: o direito de não ter que dar satisfações quanto à sua própria existência.

A obsessão em “assumir” sua própria homossexualidade e o auto-centrismo essencialmente feminino deste tipo de ritual é certamente um outro traço do movimento homossexual que deve ser eliminado. Será que nós realmente temos que conhecer as predileções sexuais de nossos vizinhos e colegas de trabalho, ou mesmo de nossos irmãos e irmãs, tios e tias?

Esperar aprovação ou sanção oficial quanto algo tão pessoal quanto a própria sexualidade é um sinal de fraqueza de caráter. Pedir (não, exigir) com a cara limpa tal aprovação na forma de um ato governamental é algo de um mau gosto sem paralelos. É também a confissão de uma falta de auto-estima tão devastadora, de um tal vazio interior, que sua expressão pública se torna inapreensível. A auto-estima não é uma qualidade que se possa extrair dos outros, nem ser criada legislativamente.

A história do movimento gay revela que Eros e ideologia são antípodas. A política, disse Orwell, é o “sexo azedado”, e a palavra “azeda” certamente descreve a visão do mundo dos dogmáticos dos direitos homossexuais. Isto fica evidente só de olhar para eles: melindrados a todo tempo por uma sociedade “heterossexualista” e normalmente muito pouco atraentes para conseguirem namorar, estas pobres almas politizaram tanto sua sexualidade que dificilmente se pode afirmar que ela ainda exista.

Ao invés do moralismo da “visibilidade” gay, uma solução sensata para a Questão Homossexual seria uma convocação de retorno aos deleites da vida privada, uma redescoberta da discrição ou mesmo do anonimato. A politização da vida cotidiana – do sexo e das instituições culturais fundamentais – é uma tendência a que devemos resistir com tenacidade: não apenas os homossexuais, mas os amantes da liberdade em todas as esferas de realização humana.

Artigo originalmente publicado na revista The American Enterprise.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sensato, Paes de Lira mostra sua oposição ao PLC 122

Ao contrário do fanfarrão Jair Bolsonaro, o então Deputado Paes de Lira demonstra sensatez e elegância ao se contrapor ao PLC 122 neste debate promovido por ocasião do VI Seminário Nacional pela Cidadania LGBT, em 2009. Reparem na bela respota dada ao militante gay de São Paulo, que o ameaça no final do vídeo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A criatividade da militância anti-Israel

Por Marcos Guterman

Uma ativista do movimento homossexual americano publicou um artigo no New York Times que mostra a infinita criatividade da militância de esquerda anti-Israel. Segundo Sarah Schulman, professora universitária de Nova York e lésbica assumida, Israel anaboliza sua imagem como país que respeita os direitos dos homossexuais só para escamotear as violações dos direitos dos palestinos. Desse modo, Sarah reduz todo um histórico de defesa de minorias em Israel, que inclui a presença aberta de homossexuais no Exército, a uma mera campanha de relações públicas, bolada por “executivos de marketing americanos”.

Para Sarah, o fato de Israel garantir direitos aos gays não significa nada diante de seu comportamento em relação aos palestinos. Ela parece ignorar que a garantia dos direitos dos gays é sobretudo sintomática do saudável sistema democrático de Israel e que isso deve, sim, ser motivo de orgulho quando o país é comparado a seus vizinhos homofóbicos. Mas a professora consegue inverter tudo, até o ponto de considerar que os gays brancos israelenses, satisfeitos com sua situação confortável, estão sendo “cooptados” para a causa anti-islâmica da direita. Ela desconsidera a hipótese, de resto bastante plausível, de que os gays estejam criticando as nações islâmicas por causa da perseguição sistemática aos homossexuais.

No limite, pode-se interpretar seu “raciocínio” da seguinte maneira: para ela, Israel apenas “finge” defender as minorias com o objetivo de esconder sua verdadeira natureza – a de um país racista e islamofóbico. Como vários de seus colegas de esquerda, Sarah Schulman é incapaz de ver as diferenças reais entre Israel e seus vizinhos justamente naquilo que deveria ser mais caro aos progressistas, isto é, a proteção das minorias. As tiranias do Oriente Médio, que perseguem lésbicas como Sarah Schulman, agradecem.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/marcos-guterman/a-criatividade-da-militancia-anti-israel/

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A tradução do artigo de Sarah Schulman publicada pelo Estado de São Paulo pode ser conferida aqui.

O escritor gay Bruce Bawer, citado no texto como "influência" para o atirador extremista norueguës Anders Behring Breivik, deu uma resposta contundente a essa militante lunática aqui.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A origem sórdida da criminalização dos discursos de ódio

Em tempos de discussão do PLC 122, vale a pena ler o artigo do advogado dinamarquês Jacob Mchangama The sordid origin of hate-speech laws publicado na última edição da Policy Review (Hoover Institution). O autor faz uma reconstituição histórica das leis em vigor nos países da União Europeia e na quase totalidade dos países ocidentais que criminalizam discursos de ódio, identificando os esforços da União Soviética em impor limites à liberdade de expressão por ocasião da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. Naquela ocasião, sob a liderança dos Estados Unidos e do Reino Unido, foram barradas as tentativas de criminalização dos discursos de ódio, garantindo-se uma ampla e irrestrita liberdade de expressão por parte dos países signatários.

Nos anos 90, porém, graças ao lobby de Rússia, China e Iugoslávia, outros tratados internacionais foram aprovados impondo a obrigação de cada país criar leis criminalizando os discursos de ódio no seu território. E foi isso justamente o que aconteceu, exceto nos EUA, que preferiu defender a liberdade de expressão a qualquer custo. Mais recentemente, os esforços para impor censura à liberdade de expressão vêm justamente de países islâmicos.

Parece que a ênfase crescente, na Europa e agora no Brasil, na criminalização dos discursos de ódio esquece que o respeito pela liberdade de expressão é o que distingue os estados livres dos totalitários, sendo o primeiro direito a ser cerceado por estes.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Homofobia não é crime

Segue texto do colunista João Pereira Coutinho publicado na Folha de São Paulo. O artigo de Marta Suplicy a que o autor se refere é este. Lembro que este blog, em mais de uma ocasião, desmascarou os dados do GGB - os quais a mídia e a senadora repetem de forma acrítica - sobre assassinatos de homossexuais no Brasil.

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TERÇA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO DE 2011
João Pereira Coutinho - FSP


Homofobia não é crime
É perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais, como é legítimo o inverso.


É um erro comum: alguém escreve sobre o julgamento de Oscar Wilde em 1895 e o apresenta como o momento infame em que a sociedade vitoriana resolveu reprimir "o amor que não ousa dizer seu nome".


Admito que essa versão faça as delícias das patrulhas, para quem Wilde virou mártir, ou santo. Mas, ironicamente, a perdição de Wilde não começou com a intolerância da sociedade vitoriana.


Começou quando o próprio decidiu limpar o seu nome das acusações "homofóbicas" do marquês de Queensberry, pai do seu amante Lord Alfred "Bosie" Douglas.


Se Wilde tivesse ignorado um mero cartão pessoal do marquês, onde este tratava o escritor por "sodomita", jamais teria ido parar na prisão de Reading Gaol.


Mas Wilde, em gesto inusitado para seu temperamento irônico, não gostou que se dirigissem a ele como homossexual. Partiu para a Justiça, processando o marquês.


Foi no decurso do julgamento que o jogo virou e Wilde, de alegada vítima, passou a réu. Sobretudo quando a defesa do marquês resolveu arrolar como testemunhas alguns rapazes que tinham sido, digamos, íntimos de Wilde.


A Justiça não gostou e condenou o escritor. Não porque ele era homossexual, entenda-se -a "buggery", mais do que um desporto, era até uma forma de iniciação entre "gentlemen" nos colégios de Eton ou na Universidade Oxford. Mas porque agitara as águas de forma demasiado ruidosa numa sociedade que gostava de manter os seus vícios em privado.


Hoje, a condenação de Wilde pode parecer-nos de uma hipocrisia sem limites. Não nego. Mas existe uma outra moral na história: valerá a pena criminalizar a homofobia, como Wilde tentou fazer ignorando os conselhos dos seus amigos próximos, quando se despertam no processo outros abusos inesperados?


Marta Suplicy entende que sim e, em artigo nesta Folha, defende lei para criminalizar o "delito".


Infelizmente, a sra. Suplicy confunde tudo na discussão do seu projeto: homofobia; crime homofóbico e medicalização da homossexualidade. Como diria um contemporâneo de Wilde, Jack, o Estripador, vamos por partes.


Começando pelo fim, ninguém de bom senso defende que a homossexualidade é uma doença mental. Não é preciso consultar a Organização Mundial da Saúde para o efeito. Basta olhar para a história da espécie humana - e, mais ainda, para a diversidade do mundo natural - para concluir que, se a homossexualidade é loucura, então boa parte da criação deveria estar no manicômio.


De igual forma, ninguém de bom senso negará que persistem crimes medonhos contra homossexuais, seja no Brasil ou na Europa, porque os agressores, normalmente homossexuais reprimidos, não gostam de se ver no espelho.


O problema está em saber distinguir o momento em que uma aversão se converte em crime público. Porque a mera aversão não constitui, por si só, um crime.


Por mais que isso ofenda o espírito civilizado de Marta Suplicy, é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso.


Vou mais longe: no vasto mundo da estupidez humana, é perfeitamente legítimo não gostar de brancos; de negros; de asiáticos; de portugueses; de brasileiros; de judeus; de cristãos; de muçulmanos; de ateus; de gordos ou de magros. A diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto entende que o mundo não tem necessariamente de gostar dele.


O que não é legítimo é transformar uma aversão em instrumento de discriminação ou violência. Não porque isso seja um crime homofóbico. Mas porque isso é simplesmente um crime.


E os crimes não têm sexo, nem cor, nem religião. Se Suplicy olhar para a estátua da Justiça, entenderá que os olhos da figura estão vendados por uma boa razão.


Pretender criminalizar a homofobia porque não se gosta de ideias homofóbicas é querer limpar o lixo que há na cabeça dos seres humanos. Essa ambição é compreensível em regimes autoritários, que faziam da lavagem cerebral um método de uniformização. Não deveria ser levado a sério por um Estado democrático.

terça-feira, 1 de março de 2011

UNIVERSIDADE HARVARD DÁ RAZÃO AO PAPA NA LUTA CONTRA AIDS

ROMA, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Um estudo realizado pela Universidade Harvard deu razão à posição de Bento XVI sobre a AIDS, afirmando que um comportamento sexual responsável e a fidelidade ao próprio cônjuge foram fatores que determinaram uma drástica diminuição da epidemia no Zimbábue.

Quem explica, em sua última pesquisa, é Daniel Halperin, do Departamento de Saúde Global da População da universidade norte-americana, que, desde 1998, estuda as dinâmicas sociais que causam a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis nos países em vias de desenvolvimento.

Halperin usou dados estatísticos e análises sobre o estudo de campo, tais como entrevistas e focus group, o que lhe permitiu coletar depoimentos de pessoas que pertencem a grupos sociais mais desfavorecidos.

A tendência de dez anos é evidente: de 1997 a 2007, a taxa de infecção entre adultos diminuiu de 29% a 16%. Após sua pesquisa, Halperin não hesita em afirmar: a repentina e clara diminuição da incidência de AIDS se deve "à redução de comportamentos de risco, como sexo fora do casamento, com prostitutas e esporádico".

O estudo, publicado em PloSMedicine.org, foi financiado pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, da qual Halperin foi conselheiro, e pelo Fundo das Nações Unidas para a População e Desenvolvimento.

"Com este estudo, Halperin promove uma reflexão séria e honesta sobre as políticas até agora adotadas pelas principais agências de combate à AIDS nos países em desenvolvimento", afirma o jornal L'Osservatore Romano, ao dar a notícia, em sua edição de 26 de fevereiro.

Segundo o estudo, fica claro que a drástica mudança no comportamento sexual da população do Zimbábue "recebeu o apoio de programas de prevenção na mídia e de projetos educativos patrocinados pelas igrejas".

Poucos anos atrás, Halperin se perguntava como é possível que as políticas de prevenção "mais significativas tenham sido feitas até agora baseando-se em evidências extremamente fracas", ou seja, na ineficácia dos preservativos.

Em suma, segundo o estudo de Halperin, é necessário "ensinar a evitar a promiscuidade e promover a fidelidade", apoiando iniciativas que visem a construir na sociedade afetada pela AIDS uma nova cultura.

Como disse Bento XVI, é necessário promover uma "humanização da sexualidade".


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Referências

ZENIT. UNIVERSIDADE HARVARD DÁ RAZÃO AO PAPA NA LUTA CONTRA AIDS. 25/02/2011. Disponível em: http://www.zenit.org/article-27357?l=portuguese. Acesso em: 01/03/2011.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Jovens gays ficam debaixo d’água para não ser presos pela Polícia Nacional Revolucionária Cubana.

Por: Mario José Delgado González (enviado por e-mail)

CUBA - Havana, 13 de outubro. Doze jovens homossexuais tiveram que ficar debaixo d’água na praia El Chivo, próximo à capital Havana, enquanto outros 6 foram presos na costa de recifes e espancados pela Polícia Nacional Revolucionária por estarem juntos em um ponto clandestino de encontro gay, no domingo, dia 10 de outubro.

O autônomo Marcos López, de 31 anos, um dos banhistas que teve que ficar debaixo d’água para escapar, diz: “Vieram de repente 2 carros e 2 caminhonetes da polícia. Em uma questão de segundos, meus amigos e eu nos olhamos e decidimos nos esconder debaixo d’água. Começamos a nadar e nos afastamos cerca de 30 metros para poder chegar onde costumam ficar os casais heterossexuais. Os outros 6 que permaneceram fora d’água foram agredidos em várias partes do corpo com cassetetes e levados para não sei aonde. Querem brincar conosco e nos intimidar. Não sei qual o motivo, mas parece que a brincadeira começou de novo.

López, visitante assíduo do lugar, afirmou que, há 3 meses, El Chivo era pouco freqüentado por oficiais da Polícia Nacional Revolucionária.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Atentado homofóbico contra estudante “afetado”

Por: Mario José Delgado González (enviado por email)


CUBA, Havana, 13 de outubro - Estudantes adolescentes da Escola Secundária Básica 7 de Novembro, localizada em Alamar, pertencente ao município de Havana del Este, lançaram, na tarde de 11 de outubro, ovos podres em Livan Matos Delgado, menor de 13 anos, em razão deste ser “afetado”.

Vilma Delgado, mãe da vítima, comentou que, desde o início do curso, seu filho vem sendo maltratado e humilhado por seus companheiros de classe.

“Já falei com o conselho da escolha e os professores não fizeram nada para melhorar a situação na escola. Não sei onde está o programa de educação sexual de que Mariela Castro tanto faz propaganda. Do jeito que as coisas vão, Livan vai perder o ano”, disse Delgado.

Segundo a mãe do menor, Matos não tem ido mais à escola desde o dia em que foi atingido pelos ovos.

sábado, 12 de junho de 2010

Sexo na Parada Gay

Escuta-se bastante dos próprios frequentadores da Parada Gay de São Paulo que ali acontece inclusive sexo ao ar livre. Um colega meu já viu gente fazendo sexo oral na Rua Bela Cintra, em plena luz do dia. Em outro blog, um gay reclamava que na própria Avenida Paulista tinha casal fazendo boquete.

Hoje, entretanto, me deparei com um depoimento com muito mais detalhes do que acontece realmente naquele burburinho. Quem escreve o depoimento é um gay viciado em sexo e em garotos de programa, dono de um blog no qual descreve suas aventuras sexuais com anônimos pela cidade.

Vejam a seguir alguns trechos do seu depoimento:

"A tentativa dos organizadores para que A Parada seja um ato de protesto se tornou ineficaz mais uma vez. A impressão que fica é que não vai para nenhum dos lados. Nem protesto, nem folia assumida.

E vamos ser sinceros: 90% os participantes estão cagando pra qualquer militância e quererm mesmo é beber, se drogar, incorporar seus personagens mais secretos, enfim, sair da rotina.

Enquanto fervia com o som, soltinho por causa do vinho, conheci um bofe saradinho, meio bêbado e safado. Se dizia bi, mas estava lá para ficar com as mulheres apesar de ter beijado um carinha na Paulista. Consegui arrastar o boy para um banheiro químico da Caio Prado e ...

Caí de boca, guloso e ao mesmo tempo com nojo daquele cubículo fétido. A vibração dos trios fazia o mijo no fundo da privada vibrar e o medo de ser pego por um GCM não deixou eu terminar o boquete. Mas foram 5 minutos bem interessantes.

Como de costume, a região do Arouche ficou intransitável quando oficialmente a Parada estava encerrada. Fiquei descansando na Rego Freitas e fui abordado por uma bibinha. Beijei. Não era feia, apesar de pintosa. Subi para a Praça da República e o dark room a céu aberto estava fervendo.

Entrei na muvuca para só sentir o clima, sou puta mas não transaria ali. O cheiro de cheque estava forte, a urina das bichas transformou a terra em barro e não era difícil alguém se desequilibrando.

O momento mais tenso foi quando a Polícia quis acabar com a putaria atirando balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio. Vi um viado apanhando de cacetete, outros sendo pisoteados no momento da fuga e lágrimas, muitas lágrimas devido as bombas. A Vieira deCarvalho parecia um velório, nunca vi tanta bicha com os olhos marejados".