sábado, 22 de março de 2014

Dica do Olavo de Carvalho...

Postado em 22/03/2014, há menos de uma hora e senti urgência em compartilhar aqui:



Conheça o filósofo: http://www.olavodecarvalho.org/

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Reconsiderações sobre o surgimento da AIDS

Por David Horowitz

A chamada “liberdade” nos Estados Unidos nos permitia uma visão mais aproximada das consequências dessa idolatria radical. Na primavera de 1983, choveram críticas contra o governo Reagan por causa de sua política em relação a aids. Embora apenas 1500 casos tivessem sido diagnosticados, a taxa de contaminação alcançava níveis epidemiológicos, registrando aumentos de 100% a cada seis meses. Em decorrência de nosso processo de questionamento, Peter e eu desenvolvemos uma espécie de aversão às denúncias apocalípticas da esquerda. Os ativistas acusavam as autoridades federais de deliberadamente negar verbas para a luta contra a aids, e assim “assassinar” os homossexuais. Era uma acusação tão absurda quanto àquelas feitas contra Lyndon Johnson durante a Guerra do Vietnã: “Ei, ei, LBJ – quantas crianças você matou hoje?”. Imitando os protestos da década de 1960, os radicais homossexuais organizaram um protesto em frente ao Ministério da Saúde em Washington. Um dos manifestantes, portando uma máscara com o rosto de Reagan e vestindo um roupão preto, carregava um cartaz com a frase “Aids é Genocídio”.

(...) Em relação à aids, a própria postura de culpa parecia suspeita, quase como uma tentativa de evitar as responsabilidades da vida adulta. A burocracia fez com que os órgãos federais levassem muito tempo para lidar com esses problemas, se é que um dia o fizeram de verdade. A aids ainda era uma doença desconhecida e os 26 milhões de dólares já gastos eram uma quantia altíssima. O superintendente do Serviço de Saúde Pública declarou que a doença era a “prioridade número 1”. Ignorando tais esforços, os manifestantes dirigiam-se ao presidente como se ele fosse o “Grande Pai Branco” da nação, como se todas as crises do país pudessem ser resolvidas com um estalar de dedos seu. Todavia, se alguém poderia conhecer uma solução para o problema da aids, esse alguém era a própria comunidade atingida pela doença. Mesmo sem ter conseguido isolar o vírus causador, a opinião médica era unânime: a aids era uma doença sexualmente transmissível e o comportamento promíscuo de seus portadores foi o responsável por transformá-la em epidemia. As primeiras pesquisas com doentes revelaram que cada indivíduo no grupo teve mais de mil parceiros sexuais por ano, cerca de cem vezes mais do que a média de contatos de um homem heterossexual solteiro. Era essa promiscuidade agressiva que explicava a rapidez com que a doença avançava dentro da comunidade gay.

A militância radical era uma das fontes de tal comportamento libertino. O movimento gay foi lançado durante o auge da revolução sexual. Para os seus integrantes, libertar-se significava romper as amarras da “repressão sexual”. Para os heterossexuais, a revolução sexual terminou nos anos 1970, com o vírus da herpes. O herpes não era uma doença fatal, como a aids, mas os seus sintomas mostraram-se graves o suficiente para convencer o público que não participava da luta ideológica a prestar mais atenção aos problemas de higiene causados pelo sexo promíscuo. As chamadas casas de sexo, onde os frequentadores podiam manter relações sexuais livremente, foram fechadas e os parâmetros morais em relação à sexualidade tornaram-se mais conservadores. Mas essa sobriedade não alcançou o âmbito da revolução gay. Para os radicais homossexuais, era impossível abrir mão do sexo promíscuo, mesmo por razões de saúde e higiene, uma vez que ele era um elemento fundamental dentro da ideia de liberdade. Dentre os gays, certas doenças venéreas muito mais sérias do que o herpes já estavam se proliferando. Pouco antes do surgimento dos primeiros casos de aids, Edmund White, autor de Os prazeres do sexo homossexual, manifestou-se diante de uma plateia: “Na guerra contra uma sociedade que se mostra inimiga do sexo, os gays deveriam fazer de suas doenças sexualmente transmissíveis uma bandeira para simbolizar a sua coragem”. Um jovem ativista gay chamado Michael Callen, que mais tarde fundaria a organização “Pessoas com Aids”, estava presente na plateia. Naquele momento, pensou: “Toda vez que eu pego uma doença venérea, é como se eu estivesse dando a minha contribuição para a revolução sexual”.

No fim dos anos 1970, uma série de doenças atingia a comunidade gay, incluindo a gonorreia anal, a sífilis, o citomegalovírus e a hepatite B. Várias dessas epidemias estavam ligadas ao câncer e a problemas no sistema imunológico. Além disso, elas se espalharam de forma tão ampla que o atendimento aos doentes consumia mais de um milhão de dólares dos cofres públicos por dia. Mesmo assim, os órgãos de saúde se recusavam a intervir e a aplicar medidas de prevenção. Quando entrevistei Don Francis, funcionário do alto escalão do Centro de Controle Epidemiológico, ele me explicou as razões para esse tipo de política sanitária: “Não temos a intenção de interferir no estilo de vida alternativo dessas pessoas”. Isso demonstrava quanto as tentativas por parte dos revolucionários gays de demarcar os seus espaços independentes foram bem-sucedidas. Mesmo com a proliferação das epidemias, as boates gays e as “saunas”, que funcionavam sob licença pública, mantiveram as suas portas acintosamente abertas e continuaram lucrando como nunca.

Depois da descoberta dos primeiros casos de aids, as casas de sexo não deixaram de operar. Quando encontrou os seus pacientes homossexuais se divertindo em uma casa de banhos, um grupo de médicos decidiu procurar o jornal San Francisco Chronicle e denunciar o ocorrido, na esperança de que, diante de uma notícia chocante como essa, a comunidade gay e as autoridades de saúde pública pudessem tomar alguma atitude. Porém, os seus esforços não renderam os frutos esperados. Acusados de “homofobia gay” pelos militantes da causa homossexual os médicos preferiram calar-se. Enquanto isso, os ativistas continuaram a culpar Reagan e a criticar a falta de verbas federais para combater o aumento do número de casos de contaminação e de morte entre os já infectados, “exigindo” dos médicos uma cura imediata para a doença.

Peter e eu decidimos analisar essa história. O surto de AIDS se concentrava quase que exclusivamente dentro das comunidades gays de três cidades americanas – Nova York, Los Angeles e São Francisco, sendo que esta última registrava o maior número de casos. A área conhecida como distrito de Castro, em São Francisco, era a base da mais populosa e politicamente engajada comunidade gay do país. A influência política dos homossexuais de São Francisco era tão abrangente que nenhum prefeito conseguiu se eleger sem seu apoio. Decidimos retratar a situação da cidade como um caso emblemático. Para iniciar a pesquisa, como era de costume, entrei em contato com outros jornalistas que também estavam cobrindo o caso. 

Dentre eles, o que mais se destacava era Randy Shilts, repórter do San Francisco Chronicle que representava a voz da comunidade gay no jornal. Liguei para Shilts e marcamos um almoço. Simpático e comunicativo, Shilts demonstrava uma enorme curiosidade em relação a tudo o que acontecia dentro daquele universo. Ele era autor de O prefeito da rua Castro, biografia de Harvey Milk, primeiro homossexual eleito em São Francisco. (...) Não havia ninguém mais indicado para falar sobre o assunto do que ele. Shilts sabia do trabalho que Peter e eu estávamos desenvolvendo, pelo qual manifestava um sincero respeito. Enquanto Shilts me punha a par da situação atual da aids, pude ver que nossos pressentimentos estavam certos. Além de tudo, os aspectos políticos da história eram muito mais significantes e muito mais preocupantes do que tínhamos imaginado.

Shilts revelou que o clima de intimidação que pairava sobre a comunidade gay era tão pesado que ninguém tinha coragem de abrir a boca. Aqueles médicos que tentaram, em vão, alertar o público para os perigos escondidos em saunas e outros estabelecimentos do tipo eram apenas a ponta do iceberg. Estudos realizados por pesquisadores universitários mostraram que um em cada 222 homens homossexuais no distrito de Castro já era portador da doença. “Se um cara fizer sexo com mais outros dez numa noite, o que não é rato de acontecer”, disse Shilts, “o risco de infecção passa a ser de 1 em 33.” Se essa for uma prática habitual, e geralmente é, a possibilidade de contaminação pela aids é mais do que certa. De acordo com Shilts, eram os próprios líderes gays que omitiam os resultados das pesquisas e o fato de que a aids era uma doença sexualmente transmissível.

Era algo difícil de acreditar, mas quando fui confirmar a história de Shilts, esta mostrou-se verdadeira. A Associação Democrática Gay Stonewall, uma das potencias politicas na comunidade, resumiu a visão politicamente correta predominante entre os ativistas no seguinte slogan: “O sexo não causa aids – o que causa aids é um vírus”. O grupo acreditava que associar a doença com o sexo promíscuo e também com o sexo homossexual (95% dos casos em São Francisco eram entre homens homossexuais) poderia estigmatizar o “estilo de vida gay” e criar uma revolta política. Os ativistas tinham poder de fogo suficiente para evitar que as informações sobre os meios de informação da aids fossem divulgados pelos órgãos de saúde aos indivíduos com comportamento de risco. Não havia nenhum material informativo nas clínicas especializadas no tratamento de doenças venéreas da cidade alertando para a natureza sexual da doença, explicando que o causador da aids era um vírus presente no sangue e transmitido pelo sêmen, e que o sexo anal era o responsável pela maioria das contaminações. Os folhetos sobre aids diziam que a origem da doença ainda era desconhecida, e recomendavam dormir mais e se exercitar mais como formas de prevenção.

Uma figura central no desenvolvimento da política em relação à aids mantida pela cidade São Francisco, a quem entrevistei por sugestão de Shilts, era a coordenadora dos programas municipais de saúde dirigidos aos homossexuais. Negra e lésbica, Pat Norman não possuía formação na área médica: era uma ativista política que aprendeu, provavelmente na prática, a lidar com as questões de saúde. Pat ocupava o cargo de diretora do Departamento de Saúde do Homossexual na Secretaria Municipal de Saúde. Alguns meses antes, a Comissão Coordenadora do Atendimento ao Homossexual, que ela presidia, havia rejeitado as propostas para implantar a triagem de doadores de sangue na cidade, depois que vários hemofílicos foram contaminados durante as transfusões. A comissão alegou que o projeto era uma tentativa de “reimplantar a lei de miscigenação que fazia distinção entre o sangue branco e o sangue negro”, e baseado no “mesmo conceito que durante a Segunda Guerra Mundial levou o governo a ordenar a prisão de todos os cidadãos nipo-americanos, residentes na metade ocidental do país, por meio de espionagem”. No momento em que abordei a necessidade de divulgação de mais informações sobre a transmissão da aids por via sexual ao grande público, Norman evitou dar respostas diretas, mostrando-se bastante agressiva, e a entrevista acabou ali.

(...)No fim do primeiro almoço,  Shilts comentou “David, se você quer tanto entender o sexo homossexual, é simples: é menino sem menina”. Não havia outra instituição capaz de ilustrar melhor esse fato do que as saunas, descritas por um ativista como sendo “os símbolos da liberação gay”. As “casas de banho” eram uma indústria que movimentavam mais de 100 milhões de dólares por ano em todo o país. Alguns estudos mostraram que as saunas eram frequentadas por quase 70% da população gay, e que a média de relações sexuais por cliente era de três por noite. Consequentemente, a possibilidade de contrair uma doença venérea era de 33%. Ainda um pouco hesitante, disse a Peter que eu iria até lá para conferir.

(...) As saunas já eram fonte de amargos conflitos entre os líderes gays. Tive a oportunidade de entrevistar um deles, Bill Kraus, que mais tarde morreria de aids, assim como o próprio Shilts. Kraus era presidente da Associação Democrática Gay Harvey Milk e estava convencido de que as saunas representavam uma ameaça à saúde da comunidade. No seu íntimo, Kraus achava que elas deveriam ser fechadas, mas sabia que se tratava de uma deia politicamente inviável e, por isso, tinha medo de expressá-la em público. Sua preocupação imediata era obrigar a prefeitura a afixar avisos nas casas de banho alertando para o risco de transmissão de aids por meio do sexo. Essa era uma questão urgente, pois a Parada do Orgulho Gay estava marcada para acontecer em junho, ou seja, a menos de um mês. Nessa época, dezena de milhares de homossexuais de todo o país, cidadãos acima de qualquer suspeita, reuniam-se em São Francisco para se banhar no seu oceano de “liberdade” e doença. Numa reunião entre os proprietários das casas de banho e os líderes gays, a proposta de Kraus foi rejeitada e ele se tornou alvo de críticas e agressões pessoais. Kraus foi chamado de “fascista sexual”, de “traidor da comunidade”, de alguém que quer “sufocar a sexualidade”. Segundo a explicação dada por um ativistas, a lógica dos radicais funcionava da seguinte maneira: “As mesmas instituições que lutaram contra a repressão sexual [as casas de banho] estão sendo criticadas com a desculpa de estratégia médica”.

Ao falar comigo, Kraus estava bastante nervoso e exigiu que toda citação literal de seu depoimento fosse submetida à sua aprovação antes de ser incluída no artigo. Mas ele também ficava agradecido por estarmos escrevendo uma reportagem sobre o assunto, uma vez que os membros da comunidade se sentiam muito intimidados para falar publicamente. Conversando com Kraus e outros ativistas como ele, lembrei-me das minhas experiências durante a era McCarthy, quando ainda era criança. Os medos que as pessoas sentiam eram os mesmos: medo da difamação, do isolamento político, medo de perder os amigos, de ser expulso da comunidade. Foram esses temores que levaram Shilts a nos entregar uma matéria que era sua por direito.

Por (mais uma) sugestão de Shilts, entrevistei também uma enfermeira lésbica chamada Catherine Cusic, integrante da Associação Harvey Milk. Por ser especialista no tratamento de pacientes com aids, Catherine viu doentes morrendo nos braços de seus parceiros e consolou as famílias que vinham dar o último adeus a seus filhos. Seu depoimento foi arrepiante: “Tem gente na comunidade”, disse ela, “que não quer que os outros saibam da verdade. Acham que isso vai prejudicar os negócios, vai afetar a imagem do homossexual. Centenas, talvez milhares, vão morrer por causa desse tipo de atitude. É praticamente um assassinato”.

A opinião dos líderes gays tinha um peso muito grande. O superintendente de saúde pública de São Francisco, dr. Mervyn Silverman, afirmou que não poderia implantar nenhuma política de saúde em relação à aids sem a prévia aprovação dos gays. Na minha opinião, com esse gesto, o médico estava abdicando de sua responsabilidade enquanto profissional e enquanto autoridade municipal. Não obstante, o dr. Silverman defendia a sua posição com unhas e dentes. Ele não era capaz nem mesmo de questionar em público a visão, forjada politicamente, de que não havia certeza em relação à natureza sexual da transmissão da aids. “Se o senhor diz que não se sabe ao certo como a aids é contraída”, perguntei-lhe, “como pode afirmar com tanta convicção que não há risco de transmissão casual?” A impossibilidade de a doença ser transmitida casualmente a heterossexuais (através da saliva, por exemplo) foi largamente defendida pelos órgãos de saúde em várias de suas declarações. Com essa atitude, buscavam tranqüilizar o público freqüentador dos diversos restaurantes e outros estabelecimentos em São Francisco de propriedade de homossexuais. “Ah”, Silverman respondeu sem hesitar, “os gays são mais vulneráveis que os heterossexuais em alguns aspectos. O sistema imunológico de um homem homossexual normal já é debilitado por natureza”. “E como o senhor ficou sabendo disso?”, perguntei, incrédulo. Ele, então explicou como as células T são contadas, como a hepatite B enfraquece o sistema imunológico e como as outras tantas doenças sexualmente transmissíveis, que as autoridades de saúde como ele deixaram correr livremente dentro da comunidade gay, fazem com que os homossexuais masculinos fiquem mais expostos à infecções.

Fiquei chocado diante dessas afirmações. Tínhamos aqui um grupo de pessoas correndo sério risco de contrair uma doença venérea, e a maior autoridade de saúde pública do município – completamente ciente dos perigos – recusava-se a fechar as saunas e outros pontos de encontro sexual, ou a afixar avisos nesses locais, ou mesmo a falar à comunidade gay e ao grande público sobre a natureza da ameaça que enfrentava. Silverman acabou deixando o Departamento de Saúde Pública para tornar-se presidente da Fundação Nacional Contra a Aids, aparecendo em eventos de gala beneficentes ao lado de celebridades como Elizabeth Taylor, arrecadando milhões de dólares em donativos para cuidar dos doentes terminais que as suas políticas ajudaram a criar.

O artigo que escrevemos foi publicado como a matéria de capa da edição de julho de 1983 da revista California, sob o título de “Whitewash” [Pá de cal]. A reportagem abria com a seguinte frase: “Enquanto o número de vítimas da aids duplica a cada seis meses, os líderes gays da Califórnia omitem informações fundamentais sobre as formas de contágio dessa doença fatal, colocando milhares de vida em risco [...]” 

Foram realizadas diversas manifestações na porta da redação da revista protestando contra o conteúdo “homofóbico” da reportagem. Houve também críticas da parte de Pat Norman e de outros líderes homossexuais. Seguindo essa mesma linha, a Newsweek acusou o nosso artigo de “sensacionalismo”. De modo geral, a mídia tratou de esquecer logo o assunto. As dimensões políticas da história da AIDS só seriam conhecidas mais a fundo quatro anos depois, quando Shilts descreveu esses acontecimentos no seu livro intitulado O prazer com risco de vida. Outro jovem escritor, Michel Fumento, inspirou-se na nossa reportagem para iniciar uma investigação das políticas por trás da epidemia. O resultado de sua pesquisa foi mais tarde publicado sob o título de O mito da aids heterossexual.

Por causa do nosso artigo, fui convidado a participar de vários programas de entrevistas para debater com ativistas gays. Nas minhas aparições, sempre reconhecia a pertinência das preocupações daquela comunidade. Meu objetivo era chegar até os jovens que, sem saber, estavam no caminho da doença. Eu sabia que, se eles me vissem como alguém alheio aos seus interesses, jamais ouviriam o que eu tinha a dizer. Num desses programas, fiquei frente a frente com Randy Stallings, presidente da Organização Alice B. Toklas, terceira associação gay mais importante ligada ao Partido Democrata de São Francisco. Comecei criticando o tratamento aos homossexuais americanos, lembrando que até há pouco tempo a homossexualidade era crime, e afirmando que a epidemia era uma tragédia humana. “Se você é gay”, disse eu, “e não manteve um relacionamento monogâmico durante os últimos dez anos [o período de latência presumido do vírus], você pode ser portador de uma doença fatal”. Stallings veio para cima de mim. “Viram só? Ele falou monogâmico! Isso é preconceito. É homofobia!” Eu não me deixei intimidar. “Não estamos discutindo filosofia”, retruquei. “Esta é uma questão de vida ou morte”. Mas Stallings insistia. Ele negou que a doença fosse sexualmente transmissível e afirmou que as autoridades não agiram com negligência quando se recusaram a afixar avisos sobre a doença” (...).

(...) Mais uma vez, tentei deixar claro que eu não era contra a homossexualidade. Eu compreendia que aquela era uma comunidade perseguida e apoiava as suas reivindicações por respeito e por direitos iguais. Mas as políticas de saúde pública e os conceitos morais tradicionais não podiam ser simplesmente encarados como instrumentos “sexistas” cujo propósito era oprimir os gays. Embora a liderança tentasse negar, o fato era que a aids era uma doença sexualmente transmissível e que a promiscuidade era mesmo perigosa – especialmente para os homens homossexuais. As medidas de saúde pública convencionais aplicadas ao combate a epidemias deveriam ser utilizadas contra a doença. (...) Não era uma questão política, era uma questão de saúde. Tentar adequar as medidas de saúde pública a certos preconceitos políticos só poderia resultar em sérios prejuízos. O tempo estava passando. Logo a doença se espalharia de tal maneira que essas medida não mais conseguiriam deter o seu avanço. Era hora de pôr de lado os argumentos ideológicos que dominavam o debate e buscar uma solução prática.

No momento dedicado às perguntas, os ânimos da platéia começaram a se exaltar. Um dos participantes se levantou e, com a voz esganiçada, ameaçou: “Sinto-me na obrigação de denunciar o senhor para a polícia”. Em seguida, pôs-se a relatar todas as dificuldades que enfrentou na vida devido à sua opção sexual e todas as perseguições que sofreu por parte de gente como eu. Outros participantes engrossaram o coro. De repente, deixei de ser uma pessoa e me tornei um símbolo, alvo o terror e da ira coletiva. Ninguém ouvia o que eu falava. Algumas vozes gritavam xingamentos como “nazista” e “homofóbico”, aumentando ainda mais a histeria generalizada, até que um homem bradou: “Tenho vontade de te matar!”.

Ninguém se manifestou em minha defesa, nem mesmo para lembrar que eu merecia um tratamento um pouco mais educado por ser convidado e por ser minoria. Nada disso aconteceu. Só recebi demonstrações de raiva de todo o grupo. O clima esta tão tenso que, assim que se declarou o fim do evento, a platéia em peso precipitou-se em direção à mesa onde estavam os palestrantes. Eu já me preparava para apanhar. Felizmente, não houve nenhum tipo de violência física contra mim. Em vez disso, fui abordado por um homem franzino e grisalho que se aproximou de mi e, quase num sussurro, falou-me: “Tudo isso que você disse está certo. Não desista”.

Esse homem era Larry Littlejohn, o primeiro xerife homossexual de São Francisco (...). Ao ouvir a sua história, lembrei-me da transformação que o movimento dos direitos civis sofreu na década de 1960, quando a mensagem integracionista de Martin Luther King foi substituída pelo separatismo radical de Malcolm X e pela onda do Black Power. Assim como Luther King, Littlejohn e seus companheiros de militância buscavam a integração dos homossexuais na grande cultura americana, exigindo respeito e lutando pelo cumprimento dos seus direitos, como todos os outros cidadãos. Porém, no fim dos anos 1960, essa ideia foi suplantada pelo conceito radical de “liberdade”. Hoje, o objetivo não era mais a inclusão social, mas a demarcação de uma área onde a “força” e o “estilo de vida” gays predominassem sobre a ordem “heterossexista”. A moral e as instituições tradicionais, incluindo até mesmo as medidas de saúde pública, como mais tarde se descobriu, foram rejeitadas em nome da cultura revolucionária. Littlejohn passou a crer que os responsáveis pela destruição de sua comunidade eram exatamente essa cultura e as atitudes de seus integrantes.

Em 1987, quatro anos depois da publicação de nossa reportagem, foi organizada uma marcha gay em Washington nos moldes da famosa manifestação liderada por Luther King, em 1963. A passeata, que contou com a presença de 200 mil pessoas, serviu apenas para reforçar o discurso da liderança gay de que a aids não representava nenhuma ameaça para a comunidade. Para completar, faziam questão de entoar o slogan “Fora Reagan! Vida a sodomia”, como se Ronald Reagan fosse o culpado pela existência da aids e o sexo anal não fosse um dos principais meios de contágio da doença.

Pela primeira vez na vida, Peter e eu nos víamos do lado “conservador” de um debate político. O caminho que trilhamos para chegar até aqui não era, por assim dizer, “político”. A divulgação dos conceitos de higiene pessoal não tinha a mínima pretensão de “oprimir” a comunidade ameaçada pela aids, como afirmavam os radicais. Por outro lado, assumir a responsabilidade de cuidar do próprio corpo era um dos princípios básicos da ética. Era um hábito que tentávamos cultivar em nossos filhos e em nós mesmos. Ronald Reagan não era o responsável pela epidemia – era um fato mais do que evidente. Porém, quando nos recusamos a apontar o dedo para o presidente, a esquerda política viu o nosso gesto como uma tentativa de “pôr a culpa nas vítimas”. Foi, então, que percebemos que, querendo ou não, havíamos passado para o outro lado.

As políticas por trás da crise da aids apenas confirmam as conclusões que nós já havíamos chegado. Com o passar dos anos, as tradições morais das quais tanto desdenhamos durante a nossa militância na esquerda tornaram-se, aos nossos olhos, menos arbitrárias e mais aceitáveis. Passamos a vê-las não mais como intrincados conceitos sociais que a elite dominante impôs, mas como ensinamentos empíricos que o tempo tratou de preservar e transmitir na forma de sabedoria popular. A monogamia já não era mais um preconceito cego, como aprendi a duras penas e como Randy Stallings afirmava. Era, na verdade, uma atitude prudente, uma regra de comportamento que a humanidade vinha tentando nos ensinar ao longo de séculos de sofrimento, de erros e acertos. Passar a vida culpando os outros – a “sociedade” – por tudo o que acontece conosco acaba nos privando da oportunidade de aprender com as nossas experiências e de mudar o nosso próprio destino.

Extraído do livro “O Filho Radical — A Odisseia de Uma Geração”, de David Horowitz, publicado pela editora Peixoto Neto

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O “Truvada”, a AIDS e a lógica. Ou: Um remédio de combate à AIDS que pode induzir uma elevação dos casos de contaminação

Por Reinaldo Azevedo

Os Estados Unidos aprovaram a comercialização de um remédio que ajuda — só ajuda — a prevenir a contaminação pelo vírus da AIDS. Não entendo nada de medicina, é evidente. Mas sei um pouquinho de lógica. Será preciso tomar um cuidado imenso para que não haja um… aumento dos casos de contaminação! Leiam o que informa VEJA Online. Volto em seguida.
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O FDA, órgão do governo americano que controla drogas e alimentos, anunciou nesta segunda-feira a aprovação do Truvada, fabricado pelo laboratório Gilead Sciences, como primeira pílula para ajudar a prevenir a contração do HIV em grupos de alto risco. O órgão ressalta, porém, que o medicamento é incapaz de evitar a doença sozinho: deve ser usado com outros meios, como a camisinha.

TRUVADA
O Truvada, comercializado desde 2004, é a combinação de outras duas drogas, mais antigas, usadas no combate ao HIV: Emtriva e Viread. Os médicos normalmente receitam a medicação como parte de um coquetel que dificulta a proliferação do vírus, reduzindo as chances de a aids se desenvolver.

A capacidade de prevenção do Truvada foi anunciada pela primeira vez em 2010 como um dos grandes avanços médicos na luta contra a epidemia de aids. Um estudo de três anos descobriu que doses diárias diminuíam o risco de infecção em homens saudáveis em 44%, quando acompanhados por orientação e pelo uso de preservativo.

O Truvada costuma provocar, como efeito colateral, vômitos, diarreia, náuseas e tontura. Há casos também de intoxicação do fígado, perda óssea e alteração da função renal. O remédio já está no mercado para tratar a doença. A aprovação do FDA permite que a empresa Gilead Sciences, fabricante da medicação, venda a droga formalmente nas condições estabelecidas pelo órgão. “O Truvada é para ser utilizado na profilaxia prévia à exposição, em combinação com práticas de sexo seguro, para prevenir as infecções do HIV adquiridas por via sexual em adultos de alto risco. O Truvada é o primeiro remédio aprovado com esta indicação”, afirmou o FDA.

Com a decisão do FDA, médicos estão autorizados a prescrever o Truvada nos Estados Unidos a grupos como prostitutas ou casais em que um dos parceiros é soropositivo. Ricardo Shobbie Diaz, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), porém, afirma que, como os estudos mais conclusivos até o momento dizem respeito a homens que fazem sexo com homens, a droga deve inicialmente ser indicada para esse grupo. José Valdez Madruga, infectologista e coordenador de Pesquisa em Novos Medicamentos do Centro de Referência e Tratamento de Aids (CRT), de São Paulo, também afirma que, por enquanto, os estudos com resultados mais fortes analisaram grupos homossexuais.

A posição definitiva veio dois meses após o órgão ter se mostrado favorável a um estudo que indicou que o medicamento pode reduzir de 44% a 73% o risco de contração do HIV em homens homossexuais. Na mesma semana, um comitê do FDA se reuniu e os especialistas se posicionaram a favor do uso do Truvada para esses fins.

O Truvada é encontrado no mercado americano desde 2004 como tratamento para pessoas infectadas com HIV. O medicamento é usado em combinação com outros remédios antirretrovirais. Agora, com a aprovação do FDA, a droga passa a ser recomendada também para pessoas não infectadas que apresentam alto risco de serem contaminadas pelo vírus HIV.

Apesar de comemorada por grande parte da comunidade científica, a nova indicação para o Truvada foi rejeitada por alguns grupos de prevenção a aids, como a Aids Healthcare Foundation, dos Estados Unidos. De acordo com a organização, o uso contínuo do medicamento pode induzir a uma falsa sensação de segurança. Isso levaria, segundo a organização, a um menor uso de métodos preventivos mais eficazes, como a camisinha.

Brasil
Em maio, logo após o primeiro sinal verde do FDA em relação ao uso do Truvada para a prevenção do HIV, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou o medicamento no Brasil. A droga, no entanto, não passou a ser utilizada automaticamente no país. De acordo com o Ministério da Saúde, a inclusão do medicamento no coquetel distribuído no país foi analisada há dois anos e não foi encontrada a necessidade na troca das drogas.

Voltei
O número de novos casos de AIDS mesmo em países ricos e em grupos informados, que conhecem muito bem as formas de contágio, ainda é elevadíssimo. AIDS não é gripe. Não se apanha sem querer nos trens de metrô ou nas salas de aula. Exceção feita aos casos de contaminação em transfusões ou em decorrência da infidelidade de um dos parceiros (geralmente o homem) no casamento, fato ignorado pelo outro, a contaminação se dá em razão de uma escolha desastrada. Não! A pessoa não escolhe a doença, mas o comportamento temerário, ciente de que pode se dar mal. Mesmo assim, decide correr o risco.

Em países africanos, onde o flagelo da doença se mistura à pobreza, ao atraso, a cultuaras que esmagam as mulheres etc, a “vontade” é um fator de menor importância. Mas não é assim nos países mais desenvolvidos — incluindo o Brasil. As pessoas que trabalham com saúde pública por aqui, e eu conheço algumas, sabem que a AIDS é majoritariamente, sim, uma doença associada ao sexo promíscuo. Tirem da palavra o conteúdo de censura moral. O ponto é outro: chamo de “promíscua” a prática sexual com vários parceiros, sem restrição ou proteção.

Curiosamente, e os médicos sabem que isto é verdade (evitam dizê-lo para não contrariar grupos militantes), o avanço dos chamados coquetéis anti-AIDS, que vão conferindo à doença a característica de um mal crônico, administrável — não mais de doença letal — acabou provocando uma estagnação na taxa de contaminação, que parou de cair. Em alguns grupos, como o de homossexuais masculinos jovens, subiu. Vale dizer: o coquetel passou a ser visto, tolamente, como uma espécie de garantia. E não custa lembrar: a AIDS ainda mata.

Se o tal Truvada contribui, em si, para dificultar a contaminação, que seja posto à disposição da população. Se passar a ser usado como garantia, os desdobramentos podem ser contraproducentes. Por quê? Está claro que ele não impede a contaminação. Se provocar uma grande elevação do número de pessoas que se exporão ao risco, o resultado pode ser desastroso.

Uganda é o país africano mais bem-sucedido no combate à AIDS. Também por lá existe a ênfase no uso da camisinha. Mas é apenas a terceira prioridade: as duas primeiras são a defesa da fidelidade no casamento e, vejam que coisa!, o incentivo à virgindade. Não estou dizendo que seja um exemplo a ser seguido — até porque há campanhas que são mais efetivas em determinadas culturas do que em outras. Chamo a atenção para um aspecto óbvio, sempre negligenciado por grupos militantes, especialmente os de homossexuais, sob o silêncio cúmplice da área médica: até que não se tenha uma vacina contra a doença ou não se descubra a cura, o sexo seguro — e, por óbvio, homossexuais também podem praticá-lo — ainda é o melhor remédio. E, meus caros, a “camisinha” da escolha certa é a única 100% segura.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pais gays são prejudiciais para as crianças?

Por Charles C. W. Cooke 

Não é preciso uma opinião conservadora para ver que “diferentes” significa, quase sempre, “pior”.


Em seu novo estudo publicado pela Social Science Journal, Mark Regnerus faz uma pergunta: “Quão diferentes são os adultos criados por pais que possuem relacionamentos homossexuais?” A resposta para isso – tanto na literatura acadêmica quanto no imaginário do público americano – mudou dramaticamente em menos de uma geração. “Quinze anos atrás”, explicou Regnerus em um evento no neutro Institute for American Values, famílias biológicas heterossexuais eram “consideradas reflexivamente como o melhor ambiente para crianças”. Subsequentemente, isso deu lugar para a noção de que não havia “nenhuma diferença significativa” na criação de crianças em arranjos familiares não-tradicionais. Finalmente, sugeriu-se que crianças “podem se sair melhor sendo criadas por um casal gay”.

Ainda que haja pouquíssimas evidências que dão suporte a essa conclusão, defensores do casamento homossexual e da adoção gay declararam que a ciência já o provou. Talvez a mais famosa dessas declarações é um artigo de 2010, escrito pelos cientistas sociais Judith Stacey e Timothy Biblarz, que propalou que “baseado estritamente em publicações científicas, pode-se argumentar que duas mulheres criam uma criança melhor do que uma mulher e um homem, ou pelo menos uma mulher e um homem com uma divisão tradicional de papéis familiares”. Esse argumento – de que pais homossexuais são iguais ou melhores do que as estruturas familiares tradicionais – encontrou seu caminho em nosso diálogo acadêmico, legal e cultural, e raramente é questionado. Daí a declaração da Nona Corte de Apelação: “Crianças educadas por pais gays ou lésbicas podem ser tão saudáveis, bem-sucedidas e bem-ajustadas quanto crianças educadas por pais heterossexuais. Pesquisas que apontam para essa conclusão são indubitavelmente aceitas no campo da psicologia do desenvolvimento.”

O estudo de Regnerus foi desenvolvido para reexaminar essa questão – uma tarefa difícil, para dizer o mínimo – ao expandir a amostragem analisada e aprimorar a metodologia das pesquisas anteriores. O Censo dos EUA, por exemplo, coleta uma porção de informações úteis, mas, por não conter questões sobre orientação sexual, muito de sua contribuição ao assunto deve ser inferido. Da mesma forma, muitos estudos acadêmicos que utilizam a “técnica bola-de-neve” de amostragens pequenas – um processo no qual os sujeitos que participam do estudo recrutam pessoas conhecidas para participarem dele – podem ser confusos. Um desses estudos, abordado no artigo de Regnerus, analisou mulheres que leem jornais e frequentavam livrarias e eventos lésbicos; o problema com essa abordagem popular é que ela restringe a amostragem aos mais educados, ricos e socialmente similares, resultando em uma compreensão limitada. Estudos assim pulularam nos últimos anos.

Em busca de suas respostas, Regnerus entrevistou 15.088 pessoas. Destas, os pesquisadores encontraram 175 pessoas que foram criadas por mães que estavam em um relacionamento lésbico, e 73 pessoas que foram criadas por pais que tiveram relacionamentos gays – ainda assim, um grupo relativamente pequeno.

A primeira coisa que Regnerus descobriu foi que residências gays com crianças são localizadas nas mesmas áreas geográficas que os lares de casais heterossexuais com crianças. Ao contrário do que se pensa, não há concentração real de crianças onde gays vivem em massa. Por exemplo, como há poucas crianças nas residências de San Francisco, há também poucas crianças vivendo com gays em San Francisco. De fato, a Georgia é o estado com mais crianças vivendo com casais do mesmo sexo. Apesar da fama de serem menos amigos dos gays, os estados do Meio-Oeste americano estão bem representados na medição demográfica de casais gays com crianças. E, fazendo jus à tendência geral, casais gays latinos têm mais crianças do que casais gays brancos.

Regnerus descobriu que as crianças do estudo raramente passaram suas infâncias inteiras nas casas de seus pais gays e seus parceiros. Apenas dois dos 175 sujeitos que declararam ter a mãe em um relacionamento lésbico passaram toda a sua infância com o casal, e nenhuma criança estudada passou toda sua infância com dois homens gays. Os números também caem bastante quanto ao tempo decorrido: por exemplo, 57% das crianças passaram mais do que 4 meses com mães lésbicas, mas apenas 23% passaram mais de 3 anos com elas. Isso é muito interessante, mas tem implicações sérias para o estudo – implicações sobre as quais voltarei a falar depois.

Por último, Mark Regnerus buscou responder se as crianças com pais em relacionamentos homossexuais experimentaram desvantagens quando comparadas com crianças criadas por seus pais biológicos. A resposta, contra o zeitgeist, parece ser um retumbante sim. Crianças com pais em relacionamentos homossexuais possuem baixo desempenho em quase todos os quesitos. Algumas dessas diferenças podem ser relativamente inofensivas – como em que presidente votaram na última eleição, por exemplo –, mas a maioria não é. Um déficit é particularmente preocupante: menos de 2% das crianças de famílias biológicas intactas sofreram algum tipo de abuso sexual, mas o número correspondente às crianças de casais homossexuais é de 23%. Igualmente perturbador é que 14% das crianças de casais homossexuais passaram algum tempo em abrigos temporários, comparado com 2% do total da população americana. Índices de prisão, contato com drogas e desemprego são bem maiores dentre filhos de casais homossexuais.

O que podemos concluir disso? Bom, é aqui que a coisa se complica. Comparar filhos de pais homossexuais com o “padrão-ouro” – ou seja, pais biológicos que permaneceram casados – é problemático. Dado como o estudo foi feito, alguém poderia perguntar justamente se a questão não é tanto a comparação entre criação homossexual e criação heterossexual, mas entre instabilidade e estabilidade na infância. Por definição, qualquer filho de duas pessoas do mesmo sexo sentirá falta de pelo menos um de seus pais biológicos e provavelmente experimentará alguma instabilidade em mudar da díade biológica para qualquer arranjo que a substitua. E, como explicado acima, a maior parte dos sujeitos do estudo passaram apenas alguns anos com pais do mesmo sexo, o que torna provável que seu arranjo familiar mudou mais de uma vez e, assim, resultou em uma infância instável.

Ademais, dado que o estudo é um retrato de um período de tempo que precedeu a legalização do casamento homossexual (em alguns estados), alguém poderia especular que o estigma social teve seu papel nos dados de Regnerus, e que tal estigma terá um efeito menor em pesquisas futuras. De fato, poder-se-ia afirmar que o estudo de Regnerus poderia ser utilizado para justificar o casamento gay no sentido de que desaprovação social a casais gays não-casados gera a própria instabilidade que leva as crianças a passar por experiências negativas: o casamento de parceiros gays leva ao melhoramento da estabilidade familiar e, portanto, é benéfica para as crianças. Considero isso como um passo muito avançado, pois o alto índice de divórcio entre os gays não indica que casais homossexuais serão em breve um modelo de estabilidade –, mas pode merecer alguma reflexão.

O estudo de Regnerus é um sucesso na medida em que responde à questão fundamental se crianças educadas por casais homossexuais são diferentes: está claro que sim, e não é preciso uma opinião conservadora para ver que “diferentes” significa, quase sempre, “pior”. É discutível, todavia, se isso é culpa das famílias homossexuais ou da instabilidade. De fato, a maior conclusão do relatório não é de que famílias homossexuais sejam negativas, mas mais uma afirmação de que famílias biológicas intactas são uma positivas. De modo simples, se você quer que seus filhos tenham uma vida melhor, você deveria tê-los dentro de um matrimônio e mantê-lo firme. Mas isso nós todos já sabíamos.


Charles C. W. Cooke é editor associado da National Review, onde este artigo foi originalmente publicado.

Tradução: Felipe Melo, editor do blog da Juventude Conservadora da UnB.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Agressão a gay por três lésbicas pode ser considerada "crime de ódio"

Vejam abaixo o caso curioso de três lésbicas que estão sendo acusadas de "crime de ódio de cunho homofóbico" nos Estados Unidos. Aproveitando a deixa, sabiam vocês que vinte e uma (21) pessoas foram condenadas nos Estados Unidos em 2010 por crimes de "heterofobia"?

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Boston Herald
25 de Fevereiro de 2012
Por Richard Weir

Três mulheres identificadas como lésbicas pelo advogado que as defende foram acusadas ontem (24) de cometer um crime de ódio por espancar um homem gay na Estação de Trem Forest Hills, Boston, em um caso incomum que segundo especialistas expõe a lógica perversa da lei de crimes de ódio.

“Acredito que nenhum júri com bom senso condenará as acusadas sob aquelas circunstâncias, mas o que isso realmente demonstra é a estupidez da legislação dos crimes de ódio”, afirmou o advogado pelas liberdades civis Harvey Silvergate. “Se você espanca alguém, você é culpado de agressão a um ser humano. Ponto. A ideia de tentar segmentar os seres humanos em categorias está condenada ao fracasso”

A acusação e a União Americana pelas Liberdades Civis – ACLU - de Massachusetts afirmaram que não importa a orientação sexual das acusadas; elas ainda devem responder pelo crime de agressão e espancamento com a intenção de intimidar, já que a agressão física foi acompanhada por uma linguagem de ódio, o que pode levá-las a dez anos de prisão.

“Um judeu pode ser anti-semita”, disse a advogada-chefe da ACLU Sarah Wunsch.  “O simples fato de alguém pertencer a uma mesma classe não significa que não possa agir motivado por ódio ao seu próprio grupo”.

Mas Carolyn Euell, 38, mãe de duas acusadas, Erika Stroud, 21, e Felicia Stroud, 18, disse aos repórteres que a agressão não pode ser um “crime de ódio”, já que suas duas filhas são lésbicas.

A advogada de acusação Lindsey Weinstein afirmou que as duas irmãs e uma outra colega, Lydia Sanford, agrediram impiedosamente o  homem com uma série de socos e pontapés após ele ter esbarrado nelas com sua mochila nas escadas da estação. Weinstein disse que a vítima, que teve o nariz quebrado, relatou aos policiais que acreditava “ter sido atacado por conta de sua orientação sexual” já que as três mulheres “o insultaram com xingamentos homofóbicos”.

A advogada de defesa Helene Tomlinson, que representa Sandord, disse ao juiz que sua cliente é “uma lésbica assumida... de modo que a acusação de atitude homofóbica é injustificada”. Ela afirma que o homem é que foi o agressor e que utilizou expressões de ódio racial: “ele provocou as mulheres”.

A defesa de Felícia Stroud, C. Harold Krasnow, afirmou: “Elas não sabiam qual era a orientação sexual dele, da mesma forma que ele não sabia a delas”.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Para além do sexo anal



Quando soube da minha homossexualidade, a primeira pergunta do meu pai não foi se eu amava alguém ou se tinha um namorado, mas se era “passivo” ou “ativo”. Colegas heterossexuais também têm essa curiosidade natural e, meio sem jeito, já me questionaram: quem é o homem da relação?

A verdade é que há muito desconhecimento sobre esse assunto, inclusive entre os próprios homossexuais. A cultura do sexo anal é tão dominante nesse “meio” que mesmo aqueles que não se identificam com a prática não se sentem à vontade, muitas vezes com medo da rejeição, para dizer NÃO ao parceiro e propor formas alternativas de dar e receber prazer. Normalmente, para ser considerado efetivamente gay, é preciso passar pela experiência, às vezes dolorosa e para muitos asquerosa, de fazer sexo anal. A mídia e as campanhas de prevenção governamentais enfatizam muito a camisinha, mas em nenhum momento sugerem a adoção de práticas mais seguras e saudáveis do que o sexo anal – não o fazem porque acham que não podem julgar o comportamento de ninguém.

O fato é que, ao contrário do que muitos fundamentalistas pensam, ser homossexual não se resume ou é sinônimo de dar ou comer cu. Pesquisas indicam que entre 20-45% da população homossexual masculina sexualmente ativa não pratica sexo anal. Masturbação mútua, frottage, sexo oral e tantas outras modalidades podem ser tão ou mais gratificantes do que o sexo penetrativo de pênis e ânus. Além disso, há sempre a opção de abstinência sexual, corretamente indicada pela Igreja Católica como a melhor forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Para aqueles que desejam conhecer mais sobre práticas sexuais não-penetrativas, sugiro os seguintes sites:

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Bahia, Luiz Mott, Movimento Gay Brasileiro, Chatice, Burrice, Idiotização e o Caralho de Asa KKKK

Por João, travesti

ENTÃO, o cidadão chega à delegacia e é 'obrigado' a declarar de público se é viado ou heterossexual: o cigarro do delegado é um falo! O delegado o olha dos pés a cabeça e já tem o diagnóstico, a burocracia sacraliza a VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL: manter em silêncio o seu desejo é uma violência contra o Estado diz o delegado: "Assuma que é viado". Na Bahia ninguém mais poderá se furtar aos escaninhos da BOA VIGILÂNCIA. Quem se dirigir à delegacia terá de dizer se é bicha ou heterossexual. Pergunta-me aí o sábio leitor: "Mas, João, por que disto? ". Simples, querido: o xamã gay da Bahia que responde pelo nome de Luiz Mott quer rastrear os crimes de HOMOFOBIA CULTURAL (rsrsrs). Sim, mais uma modalidade de homofobia. TODO mundo sabe que se uma bicha, um viado, uma sapatão morrer, for assassinado, logo sua morte é, imediatamente, atribuída a um crime de homofobia. Fosse qualquer outro cidadão, as causas poderiam ser aventadas de modo diferente. Morreu um gay, chega algum agente no cio do movimento gay brasileiro para discursar: "Veja o que os heterossexuais fizeram com este pobre rapaz só por ele ser gay". Chega a dar sono. Luiz Mott, em sua poderosa eloquência nos admoesta: "A declaração de que os 'HOMICÍDIOS' tem (sic) como causa não homofobia, mas drogas, não resiste à crítica, pois é a HOMOFOBIA CULTURAL que empurra tantos LGBT's para as margens sociais, inclusive à prostituição nas pistas. TODOS os seis crimes registrados na Bahia em janeiro 2011 (na verdade são sete, um só agora confirmado), as vítimas eram reconhecidamente homossexuais". OU cremos que o Estado da Bahia é um dizimador de bicha, OU cremos que Luiz Mott e o GGB - Grupo Gay da Bahia - são uns neuróticos, senão, vejamos. Ainda é possível sustentar um discurso de que a homofobia "empurra para as margens sociais" os homossexuais? Será? Desconfio muito, duvido até. O que percebo, e não é nenhum exagero, os homossexuais é que estão empurrando os heterossexuais para as margens senão institucionais, ao menos, da mentalidade cultural. É odioso ser macho, o ideal é que o homem seja viado, de preferência, delicado, cheio de paetês nas camisas e blush nas faces e batom vermelhíssimo nos lábios: viva os queers! Um viado maconheiro que comprou e não pagou que destino tem? Evidente, o tráfico manda-o apagar. Nas estatísticas de Luiz Mott o viado foi morto pelo tráfico: o tráfico é homofóbico. Risível, pois não? O que é preciso fazer, a meu ver, não é começar uma busca idiota para saber com quem o criminoso se deitou na noite anterior ao crime, mas em que condições o crime ocorreu, quem é seu mandante, por quê? Entendemos a visão limitadíssima de Luiz Mott e o que ele deseja com isto, isto é, em saber a sexualidade dos prováveis criminosos ou vítimas de crime. Ele quer inventariar tudo e criar um manual sexual do crime. É preciso encontrar novos caminhos... O GGB ainda mantém aquela velha estratégia que as bichas usavam na década de setenta para combater o preconceito. Viremos o disco, ninguém mais quer ser viado. Tenho dito!!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vai tomar na Cuba!

Por A Catequista

Nesta semana, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ficou irritado ao saber sobre supostas declarações do Papa Bento XVI dizendo que o homossexualismo é uma ameaça ao futuro da humanidade. O ex-BBB atacou o pontífice com palavras duras:

O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade. Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas, a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo. Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial”. (1)

O deputado possui a arte de concentrar altíssimas doses de veneno em poucas palavras. Nós aqui do blog não temos antiofídico pra enviar ao nosso papitcho, mas desejamos informar os católicos sobre o que realmente o papa disse, além de mostrar o quanto infundadas são as declarações desse parlamentar.
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O deputado Jean Wyllys caracterizado de Che Guevera, o revolucionário homofóbico. (Foto: revista Rolling Stone)

“O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo…”


Nós católicos temos razões de sobra para termos orgulho do nosso papa, porque ele foi um corajoso DESERTOR do regime nazista.


A incorporação de crianças alemãs na Juventude Hitlerista tornou-se oficialmente obrigatória a partir de 1938. Por isso, Joseph Ratzinger, aos 14 anos, foi obrigado a se incorporar a esse grupo. Em 1941, um dos seus primos de Ratzinger, um adolescente com Síndrome de Down, foi morto pelo regime, que eliminava os deficientes físicos e mentais.


Em 1943, com 16 anos, Ratzinger foi incorporado, pelo alistamento obrigatório, ao Exército Alemão. No ano seguinte, fugiu como desertor.


Quem acusa este homem de ser simpático ao nazismo, só pode ser duas coisas: no melhor dos casos, é mal informado; na pior hipótese, é desonesto.


“O papa (…) disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade.”


Não, ele não disse isso. Bem poderia ter dito, a gente aqui aplaudia de pé, mas não disse. Pra variar, a mídia distorceu suas palavras.
O que Bento XVI falou foi que os jovens precisam ser educados em uma família formada por um homem e uma mulher, e que “as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade” (2). Entre estas políticas danosas, o papa citou a questão do uso de células tronco embrionárias e o aborto, e em momento algum citou as palavras “homossexualismo”, “gay” ou algo similar.


Agora, que a Igreja condena a cultura gay e as práticas homossexuais, não é nenhuma novidade. Trataremos deste tema em outro post.


"Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas…"


E o socialismo, BBBputado, não é ruim, não? Interessante… Sobre a imensa pilha de cadáveres, as torturas e o desespero em escala colossal promovidos pelos seus companheiros de ideologia, o senhor Jean Wyllys não fala nada!


“Ameaça ao futuro da humanidade são (…) a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo.”


Sim, a pedofilia foi uma das maiores misérias que abalaram a nossa Igreja (essa mesma Igreja que sabemos ser a maior promotora do bem das crianças em todo o mundo). E essa atrocidade foi realizada, quase que em sua totalidade, por padres homossexuais. Ou ninguém reparou que praticamente todas as vítimas são meninos?


Por isso mesmo, Bento XVI foi direto ao ponto, e lançou um documento proibindo expressamente a permanência de pessoas com tendências homossexuais nos seminários (saiba mais aqui).


“Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial.”



O deputado parece sugerir que Bento XVI deseja que todos os gays morram. Não, senhor: o Papa e os católicos amam os gays e prezam pela sua vida, tanto que rezam, evangelizam e fazem penitência pela sua conversão.


Genocidas e assassinos de gays – não em potencial, mas de fato – são os comunistas, que em toda a parte onde se estabeleceram no poder trataram os gays como verdadeiras pestes a serem exterminadas.
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Prisioneiros do regime comunista da U.R.S.S. realizando trabalhos forçados na Sibéria.




Na União Soviética, da década de 1930 até 1992, ser homossexual era considerado um CRIME vergonhoso, um ato contra-revolucionário. Milhares de gays foram mortos em campos de concentração na Sibéria; lá, onde no inverno a temperatura chega a 40 graus abaixo de zero, eles realizavam trabalhos forçados.


Na China, desde o estabelecimento do governo socialista até meados da década de 1980, os acusados de práticas homossexuais eram condenados a penas severas, como a castração ou a pena de morte.


O senhor Jean Wyllys, filiado a um partido socialista, é fã de Che Guevara. Ele parece não saber que Che, junto com Fidel, foi responsável pela abertura dos campos de concentração para onde eram enviados os gays cubanos, de 1960 a 1970. E, até 1993, os portadores de HIV da ilha, em sua maioria homossexuais, eram capturados e detidos nestes mesmos campos.


Quem quiser saber mais sobre como o regime comunista cubano trata os gays, basta consultar o site do Grupo Gay da Bahia – GGB:


“Data de 1971 a infeliz resolução do Primeiro Congresso Nacional de Educação e Cultura de Cuba onde se decretou que ‘os desvios homossexuais representam uma patologia anti-social, não admitindo de forma alguma suas manifestações, nem sua propagação, estabelecendo como medidas preventivas o afastamento de reconhecidos homossexuais artistas e intelectuais do convívio com a juventude, impedindo gays, lésbicas e travestis de representarem artisticamente Cuba em festivais no exterior.’ (…).
“Em 1959 ao tomar o poder em Cuba, Fidel declarou que ‘um homossexual não pode ser um revolucionário’. Em 1965 Fidel e Che Guevara criam as Unidades Militares de Ajuda à Produção, acampamentos de trabalho agrícola em regime militar, com cercas de 4 metros de arame farpado, onde os homossexuais e outros ‘marginais’ realizavam trabalho forçado nos canaviais, com até 16 horas de trabalho forçado (…)".
“Em 1980, segundo informes oficiais, 1700 ‘homossexuais incorrigíveis’ de Cuba foram deportados para os Estados Unidos (…).
“Consta que o próprio Guevara, ao encontrar na Biblioteca da Embaixada Cubana em Argel, a obra Teatro Completo de Virgilio Piñera, homossexual assumido, jogou o livro na parede, dizendo: ‘como vocês têm na nossa embaixada o livro de um pajaro maricon!’ o sinônimo cubano para veado.” (3)


A história e os fatos demonstram que o senhor Jean Wyllys e os demais gays e lésbicas do Brasil devem dar graças a Deus por terem nascido em um país com bases cristãs. Isso que ele chama de “Ocidente” foi criado pela Igreja Católica. Se o deputado tivesse nascido em um país muçulmano ou governado por comunistas, não teria a liberdade de dizer essas asneiras.
Agradeçam ao Papa por terem o direito de espezinhá-lo despreocupadamente, seus ingratos.


*****


Conheço uma penca de católicos devotos que votaram no Chico Alencar (PSOL-RJ) para deputado federal nas últimas eleições. Se você é um desses, parabéns: considere-se um dos responsáveis pela eleição do deputado Jean Wyllys.


O ex-BBB não recebeu votos suficientes para se eleger, mas entrou graças ao sistema de proporcionalidade, sendo beneficiado pelos muitos votos recebidos pelo seu colega de partido, Chico Alencar.


Notas:


(1) Jornal do Brasil. Casamento gay: Jean Wyllys associa Bento XVI ao nazismo e o chama de genocida . 10.01.2012


(2) Site do Vaticano. Discurso do Papa Bento XVI ao Corpo Diplomático Acreditado Junto da Santa Sé . 09.01.2012


(3) Site do Grupo Gay da Bahia. Gays exigem que Fidel Castro peça perdão pela perseguição aos homossexuais em Cuba . Consulta realizada em 11.01.2012

Fonte: http://ocatequista.com.br/?p=3538

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Gays de Direita e Q-Libertários entrevistados pelo site Um Outro Olhar

Segue uma entrevista concedida pelo Gays de Direita (GG) e pelo blog Q-Libertários (QL) no ano de 2010 ao site Um Outro Olhar (UOO). Embora muita coisa tenha mudado de lá pra cá, acho importante resgatar as inquietações originais que nos levaram à criação deste espaço.


UOO:Vocês mantêm dois blogs, Gays de Direita e Q-Libertários, que vão na contramão da perspectiva com que a maioria de ativistas e blogueiros LGBT aborda a questão da homossexualidade que é tradicionalmente mais à esquerda ou de esquerda. Então pergunto, primeiro, quando decidiram lançar os blogs e qual o objetivo deles?

GG: A ideia de criar o blog surgiu em uma festa na casa de um amigo, onde percebi que praticamente nenhum homossexual ali compartilhava dos mesmos ideais de cunho esquerdista do movimento gay. Além disso, em conversas com amigos em outras ocasiões, notei que havia muita desinformação em relação a temas do interesse dos homossexuais e desconhecimento acerca do verdadeiro caráter da militância LGBT no Brasil.

O blog tem o objetivo de incentivar o debate sobre assuntos da atualidade a partir de uma perspectiva conservadora. Pensamos em vários nomes, mas acabamos optando por “Gays de Direita” mesmo. Julgamos que os resultados de nossa iniciativa têm sido muito positivos: apesar de uns xingamentos, temos recebido muitos elogios e críticas de pessoas que pensam como a gente, além de ter despertado a admiração até mesmo de alguns heterossexuais, que acabaram se tornando fãs do blog. Evidentemente, as publicações do blog não necessariamente representam a opinião de todas as pessoas envolvidas no grupo. Da mesma forma, não esperamos que os leitores concordem com tudo o que é publicado, pois alguns temas inclusive são bastante controversos.

QL: Não tive, a princípio, a intenção de criar um blog que relacionasse política com assuntos LGBTs. Entristecia-me qualquer tentativa de mesclar identidade sexual com ideologia política. Contudo, ao fazer buscas na internet por sites de temática LGBT percebia que boa parte deles estava atrelada, politica ou ideologicamente, a partidos e movimentos de esquerda. Nessa época, eu já não me considerava de esquerda, embora não quisesse aceitar. Fui doutrinado pelos meus professores a pensar que a esquerda possuía o monopólio dos bons sentimentos. Após uma série de reflexões e estudos, percebi que não compartilhava com a visão de mundo socialista. Procurei por sites ou blogs gays que tivessem alguma afinidade com o que pensava, mas não encontrei nenhum, pelo menos em língua portuguesa. A partir daí, resolvi criar o blog. Sobre o objetivo do mesmo, acredito que seja apresentar às lésbicas, aos gays, aos bissexuais e aos transgêneros a visão que nós, libertários, possuímos da sexualidade humana e dos direitos civis e individuais.

UOO: GG, dizer-se de direita no Brasil, no contexto pouco democrático atual, é como assumir um estigma. Exige coragem portanto. Assumir-se gay e de direita exige muito mais, principalmente porque a direita sempre foi vista como inimiga das pessoas homossexuais, tendo de fato assumido posturas muito reacionárias. Fale um pouco sobre essa (aparente?) contradição.

GG: Intuitivamente, observo que a impressão das pessoas comuns em relação ao socialismo é muito mais negativa do que em relação à direita. Por isso, eu não vejo essa interpretação como uma percepção generalizada dentro da população gay ou fora dela. É perfeitamente normal que homossexuais defendam idéias de direita. Há gays católicos, gays que são virgens e gays que defendem relações monogâmicas e estáveis. Parece-me que quem quer saber de “revoluções” é a cúpula do MHB, totalmente influenciada pelo discurso marxista e alheia aos interesses e necessidades da população homossexual.

As pessoas gostam de falar que existe uma contradição entre ser gay e de direita porque a direita, de um modo geral, não assume um posicionamento pró-gay; no entanto, também não assume uma posição anti-gay. São um ou outro os casos de pessoas de direita que se manifestam de forma contrária aos gays, coisa que também ocorre nas esquerdas.

Minhas pesquisas a este respeito apontam que o MHB, em conjunto com outros movimentos e indivíduos defensores do socialismo, tem adotado uma estratégia gramsciniana de penetração na mídia, cinema, artes em geral, escolas etc. com o objetivo de difundir uma imagem negativa e incorreta a cerca da maneira pela qual, por exemplo, o capitalismo, os militares e Igreja Católica abordam a homossexualidade.

Hoje no Brasil não existe mais ensino, mas sim doutrinação, tendo a verdade sido substituída pela propaganda. E este é o cerne da questão do blog: colocar uma luz sobre a evidente doutrinação que existe dentro da militância e fora dela. Eu acho que o gay brasileiro precisa parar de acreditar no que dizem por aí e passar a investigar os fatos por conta própria.

UOO: QL, você identifica seu blog como para homossexuais libertários e de centro-direita. Gostaria primeiro que me definisse o que é ser libertário e a relação dessa corrente de pensamento com a questão homossexual. Como também os anarquistas se identificam como libertários, gostaria que estabelecesse qual a diferença entre libertários liberais e de esquerda. Segundo gostaria que explicasse também como define ser de centro-direita e no que isto se diferencia de ser de direita sobretudo no referente à questão LGBT.

QL: O libertarianismo ou libertarismo é uma filosofia política que defende a maximização das liberdades individuais e a minimização do Estado. Na Europa, o termo é usado como sinônimo de liberalismo clássico. Contudo, nos Estados Unidos, a palavra “liberal” ganhou novos contornos. Lá, ela designa uma pessoa adepta de uma economia controlada atrelada ao Estado-providência. Assim, os verdadeiros liberais americanos adotaram o nome de libertários. Embora muita gente enxergue os Estados Unidos como um país bipartidário (democratas versus republicanos), há outros partidos, entre eles o Partido Libertário, o terceiro maior partido do país. Não sei se você sabe, mas o Partido Libertário americano foi o primeiro partido a endossar os direitos para a comunidade LGBT, incluindo o direito de se casar com quem quiser, independente do gênero. Em 1974, o Partido Libertário pediu a revogação das leis contra homossexuais. O libertarianismo difere do anarco-comunismo pelo fato do último ser contrário à propriedade privada e ao dinheiro. Além disso, o anarco-comunismo prega a tomada do poder pela revolução, atitude essa condenada pelos libertários. Durante o processo de criação do blog pensei em exclusivamente libertários. Entretanto, optei por incluir o termo “centro-direita” para ampliar o leque de opções para quem é adepto dessa corrente. Quando se fala em “direita” pensamos em uma série de estereótipos que foram criados pela esquerda. Nada mais injusto e covarde. A “direita” é diversa e congrega uma série de ideias e concepções, muitas conflitantes. Em alguns meios, é comum definir os liberais como de centro-direita.

UOO:Vocês acreditam que essa polarização direita x esquerda que requentaram nos dias de hoje procede? Ela já não havia sido superada por outra visão mais abrangente que apontava para a possibilidade de se superar a dicotomia Estado x mercado? Ou a questão direita x esquerda vai além dessa dicotomia e não há um meio-termo possível?

GG: Com certeza ainda procede. Eu acho que a definição de direita e esquerda vai além dessa dicotomia, é muito mais abrangente do que as considerações entre liberdade de mercado ou dirigismo estatal. Também defendemos um modelo de Estado menos dominante e uma economia liberal, mas procuramos nos concentrar no modo pelo qual Estado e sociedade interagem na atualidade.

Uma das questões que merecem ser discutidas é esse modelo de Estado, construído a partir de 1988, que protege demasiadamente os ditos “movimentos sociais” e, com isso, acaba criando uma atmosfera de falsa cidadania, na qual os desejos de um pequeno grupo passam a definir a agenda pública. Eu vejo uma insatisfação muito grande, entre os homossexuais, quanto à pretensão da militância gay em criar um modelo de homossexual. Não é raro ver militantes LGBT dizendo que querem proibir a Bíblia, acabar com a família, controlar mídias, instalar “ditaduras do proletariado”, entre outras coisas.

A larga maioria da população brasileira não odeia os homossexuais mas também não quer que eles fiquem ditando regras acerca de como seus filhos devem ser educados, sobre como as pessoas devem se comportar no trabalho ou como devem pensar a respeito de suas doutrinas religiosas.

QL: Provavelmente não, mas essa discussão é algo que se agrava em muitos países. A polarização entre esquerda e direita remete à Revolução Francesa. Todavia, a divisão entre essas duas correntes varia conforme a época. Antes, a direita foi monarquista; hoje é republicana. Alguns pontos e posturas defendidos pela esquerda atual deixariam Lênin de cabelo em pé. Houve tentativas de encontrar um meio-termo entre as duas grandes correntes: a social democracia, o liberalismo social, a terceira via e o próprio centrismo. Contudo, essas visões e seus defensores não apresentam uma proposta clara, o que abre espaço para interpretações dúbias e bizarras.

UOO: Vocês são bem críticos do atual Movimento LGBT brasileiro. Por quê? Porque o movimento foi aparelhado pelo PT, portanto partidarizado, ou por que o consideram muito de esquerda simplesmente? Se a partidarização fosse de direita (supondo que isso fosse possível), veriam a situação com outros olhos?

GG: Há vários porquês. Primeiro porque noto que boa parte dos militantes é formada por pessoas interessadas em captar recursos públicos ou simplesmente criar projetos para acrescentar no seu “currículo de militante gay”. Não é raro encontrar nessa militância cientistas sociais, jornalistas e advogados que não tiveram sucesso em suas carreiras e buscam na “causa gay” uma desculpa para maquiar seu fracasso profissional.

Segundo, na própria discussão dentro do movimento, vislumbramos uma série de ideias bizarras, chegando-se ao cúmulo de identificar como “aliados” partidos de ideologia comunista, com histórico de massacre de gays sem precedentes em toda a história da humanidade. Esta pregação pelo socialismo está tornando a militância cada vez mais distante do gay comum, impedindo que os militantes compreendam suas reais necessidades. Por esta razão, o público LGBT se sente pouco estimulado a participar da militância, não se identifica com os discursos, preferindo seguir adiante com a própria vida.

Por exemplo, a ABGLT recentemente esteve num evento realizado em Cuba, o pior país da America Latina para os homossexuais. Os gays cubanos têm protestado contra Mariela Castro que se esforça em passar uma imagem de defensora dos direitos gays; seus programas, no entanto, não passam de fachada, não mudando em nada a vida dos gays daquele país. Outro fato bizarro foi a mesma ABGLT ter praticamente ficado em silêncio diante da vinda de Ahmadinejad ao Brasil, em novembro. É verdade que a ONG em questão manifestou o seu apoio à comunidade judaica, mas apenas nominalmente. Aquele era um momento em que os gays deveriam ter se juntado com os judeus e protestado contra Ahmadinejad, considerando que, no Irã, a tortura e a execução de homossexuais são legalizadas. O presidente da associação chegou a dizer, em entrevista, que pediria ao governo Lula licença para protestar, deixando patente que quem manda na ABGLT é o PT.

Terceiro, o movimento gay fica constantemente mudando o foco de suas reivindicações: ora milita pelo “matrimônio” gay, ora tenta aprovar o PLC 122/2006, ora busca eleger candidatos homossexuais. Essa alternância de estratégia acaba custando muito nos campos tático e operacional e, vendo como administrador, parece-me que esses ativistas têm feito um péssimo trabalho. Não é de se estranhar que não conseguem alcançar nenhum dos objetivos concretos a que se propõem, sejam eles bons ou ruins. Eles não têm obtido êxito nem em dar o primeiro passo que consiste em reunir os homossexuais para criar um movimento sólido. Os atuais grupos de militância gay são todos patéticos, com um contingente que varia entre 5 ou 15 pessoas em cada grupo, com pouquíssimas exceções. A ABGLT, que se gaba de ser representante de 220 grupos homossexuais, não passa de um embuste, já que a quantidade de grupos gays no Brasil, segundo um levantamento feito por nós no ano passado, não passava de 110. Isso sem mencionar o fato de a ABGLT ser uma organização fechada, não passa de um grupo de comadres marxistas, como se ser gay demandasse necessariamente ser socialista.

Por fim, não vejo nenhuma possibilidade de haver uma partidarização à direita no atual cenário do movimento gay. Não acho inclusive que o movimento deveria assumir uma tendência, mas simplesmente procurar priorizar as reais necessidades dos homossexuais brasileiros.

QL: Não diria que sou um crítico, apenas não compartilho do discurso radical e fundamentalista de determinados setores do movimento LGBT brasileiro. Acho um equívoco essa partidarização apontada por você. A questão dos direitos civis deveria ultrapassar as disputas eleitorais de direita e esquerda. O movimento homossexual vive num mundo fora da realidade. Talvez por influência da esquerda marxista, existe um preconceito contra o setor privado. Como se o dinheiro usado para financiar ONGs, Paradas e entidades LGBTs viesse de Júpiter e não pelo dinheiro do governo, que vem justamente do sistema econômico. Aliás, há aí duas coisas que repudio nesse exemplo: a submissão de entidades homossexuais ao Estado assim como o uso de dinheiro público nas mesmas. Lembra o fascismo italiano, quando os sindicatos ficaram atrelados ao Estado. Acho isso perigoso. Se, hipoteticamente, os movimentos LGBTs fossem subordinados a partidos de “direita”, repudiaria da mesma maneira. O movimento homossexual deve ser independente. Contudo, desejo que haja uma maior abertura do movimento homossexual brasileiro a novas ideias. Em 2006 procurei um grupo LGBT e não fui compreendido. Talvez seja difícil para essas pessoas reconhecer que haja opiniões diferentes.

UOO: Os Planos Nacionais de Direitos Humanos de FHC e de Lula contemplaram algumas reivindicações de direitos homossexuais, mas o de Lula veio com um recheio onde se observam propostas de abolição do direito de propriedade, monitoramento e controle da imprensa, controle de livros didáticos, ampliação do desarmamento da população (e de seguranças!!?) enquanto o governo financia, com $ público, o cada vez mais armado MST), e outras estrovengas autoritárias. Muitos ativistas, que inclusive reconhecem o caráter aberrante desse plano, estão fazendo vista grossa ao cerne da coisa para ver se passam os direitos homossexuais. Como vocês veem essa estratégia?

GG: Recentemente, um militante comunista disse que a população tem dado mais ênfase às questões do aborto, da propriedade privada e à polêmica dos militares do que a questão homossexual. De fato, de todas elas, parece que a questão homossexual é a que menos preocupa. O PT não está interessado em entregar coisa alguma aos homossexuais, embora pudesse fazê-lo, já que possui maioria aliada no Congresso.

Acho engraçado que tão logo a questão do PLC 122/2006 (projeto contra homofobia) arrefeceu, veio em seguida este PNDH-III. Para mim, esse programa, mais do que um esboço de dominação política, é também estratégia para agitar a sociedade e depois o governo dizer que os “cristãos fundamentalistas” têm pressionado o PT nessas questões.

Eu conviveria perfeitamente bem com a esquerda, sem o menor problema. E deve haver uma esquerda. No entanto, os partidos de esquerda que estão aí, com um passado de assassinatos, assaltos, terrorismo e mortes, obviamente não possuem a menor aspiração democrática.

QL: O PNDH 3 foi alvo de tantas críticas que fica difícil fazer um elogio. Reprovo qualquer tentativa de controle por parte do governo à minha vida, à minha propriedade e à minha liberdade. Eles falam que o Plano saiu de discussões de diversos setores da sociedade. Mas quais setores? Na realidade são os tais movimentos “sociais” ligados aos partidos de esquerda que, segundo os próprios, totalizaram 14 mil pessoas nesses dois anos. Desde quando 14 mil representam 190 milhões de pessoas? Sabemos que os reais objetivos do PNDH 3 são partidários, de ampliar o poder da esquerda e do PT em particular. Tal partido não está nem um pouco interessado em Direitos Humanos. Se estivesse, por que seus dirigentes e militantes não se posicionam contra países que desrespeitam os direitos humanos, como Cuba, China e Venezuela? A recepção de Mahmoud Ahmadinejad pelo presidente Lula, no ano passado, foi uma ofensa àqueles que lutam pelos direitos humanos.

UOO: Da perspectiva LGBT de direita e libertária, quais as principais bandeiras a serem levadas por um movimento LGBT e como elas deveriam ser encaminhadas? Há diferenças com as que já são encaminhadas pela militância tradicional ou não?

GG: Penso que a única coisa correta originada do PT foi o projeto de união civil (e os direitos daí derivados, como a transferência da herança ao parceiro e a possibilidade de financiar em conjunto a compra de seu lar), mas esta se tornou uma bandeira abandonada pelos próprios militantes homossexuais. A maioria deles não se vê minimamente interessada em defendê-la, já que alegam que o projeto estaria “defasado” e que outro mais novo e abrangente seria mais oportuno. Uma distorção que tem sido freqüente é chamar este projeto de “casamento gay”, pois passa a ideia de que a lei permitiria nos casarmos dentro das igrejas, o que é um absurdo, pois as religiões têm o seu próprio percurso evolutivo que deve ser respeitado. Apesar do PLC 122/2006 não determinar isto explicitamente, na prática, era um projeto que estava levando a isto.

A questão da AIDS ainda é um campo a ser explorado. Alguns militantes homossexuais têm reclamado da impossibilidade do gay doar sangue, mas este é um problema real, já que há muitos gays que fazem sexo sem camisinha com até 26 homens num único final de semana. Muito se fala que as políticas brasileiras de combate à AIDS são referências internacionais, mas também é dito que gays e jovens constituem população de risco. Se as políticas brasileiras são tão boas, por que os índices de contaminação entre os gays têm aumentado? Esse é o tipo de reflexão que o movimento LGBT deveria fazer; e, ao invés de estimular a promiscuidade sexual, incentivar a fidelidade e a monogamia.

Deveria também ser criado um sistema de informação e vigilância com relação aos crimes motivados por preconceito que permitisse o acompanhamento dos casos judiciais diretamente pelo público interessado. Atualmente, quando ocorre um crime hediondo, os dirigentes das ONGs fazem suas declarações, mas parece que pára por aí. Nos EUA, fatos assim são acompanhados de perto pelo público gay, que atende prontamente os chamados da militância para protestar.

QL: Acredito que a militância LGBT deveria focalizar os direitos civis e exigir do Estado o fim de qualquer lei que discrimine pessoas ou organizações com base na orientação sexual. Mas sou contra leis “especiais”. Aqui no Brasil temos a mentalidade de que o governo tem de salvar as pessoas de si mesmas e que seremos uma sociedade democrática através da ação estatal. Por vezes, a militância LGBT age de forma autoritária e incoerente. Vou te dar um exemplo: basta que um líder religioso cristão faça algum comentário se posicionado contra a homossexualidade que temos motins em portas de igrejas, pessoas queimando fotografias do Papa... Por que não se tomou essa mesma postura quando o ultra-homofóbico presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad visitou o Brasil?

UOO:Sei que no exterior há grupos organizados de LGBT conservadores e libertários, mas, aqui no Brasil, acho que a iniciativa de vocês é pioneira. Vocês pretendem partir para uma organização nos moldes internacionais futuramente?

GG: Claro que sim, porém, para garantir a legitimidade do movimento, não devemos nos associar a nenhum partido político. Mas ainda há muito pela frente. No momento, acompanhamos fatos políticos e violações homofóbicas ocorridos em outros países, entre outras questões. Temos também nos esforçado para denunciar que as técnicas de subversão marxista-leninista, empregadas durante o regime militar pelas esquerdas, estão sendo utilizadas ainda hoje.

QL: Gostaria muito. Tenho mantido contatos informais com uma organização italiana e outra norte-americana. Mas esbarramos aqui numa série de problemas, como a precariedade de um país como o Brasil e o estereótipo que muitas pessoas desenham dos liberais. Comecei de forma tímida, com o blog e uma lista de discussão. Mas entre os planos futuros desejo ter um site e um espaço para reuniões e encontros.

UOO: Como vocês veem as próximas eleições para a população homossexual e o país? Que cenário visualizam?

GG: O presidente da ABGLT deu uma entrevista recentemente recomendando a candidata do PT, Dilma Rouseff. É evidente que a aliança político-partidária da ABGLT está acima do compromisso de representar a população homossexual. Se um pseudo-operário nada trouxe de concreto para a população gay, menos ainda fará uma ex-guerrilheira terrorista e assaltante de bancos, da VAR-Palmares, treinada em Cuba.

De qualquer forma, não creio que a Dilma sairá vencedora. Por outro lado, devemos ficar atentos, pois a troca de um presidente não necessariamente traz impactos positivos sobre o movimento gay. Nesse sentido, um candidato eleito por outro partido pode significar um continuísmo da presente situação, caso ele faça vista grossa aos militantes esquerdistas que fazem carreira como “militantes gays”, cujo único objetivo é obter recursos públicos.

QL: Não há neste país nenhum partido que se aproxime daquilo que acredite. Há boas tentativas como o Partido Libertário e o Partido Federalista, mas são projetos e dependem da burocracia estatal para a regularização dos mesmos. Não vejo um futuro promissor para um país que apresenta candidatos presidenciais como Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

UOO: Por fim, agradecendo pela entrevista, pediria que deixassem uma mensagem para as leitoras e os leitores do site.

GG: Nossa mensagem para os leitores é “invadam” as sedes do movimento gay, procurando participar das reuniões e dos meios de conversação existentes na internet, a fim de ajudar a mudar a situação ou pelo menos para testemunhar a veracidade do que falamos. Algumas dessas organizações se envolvem até em práticas criminosas (tal como o aliciamento de menores, num determinado caso). O problema de pessoas que fazem carreiras em movimentos sociais é que estas não se destinam a resolver os problemas da população, uma vez que os problemas são o motivo de elas estarem ali recebendo verba pública. Recentemente, um homossexual comunista em Cuba foi expulso do partido pelo fato de ser gay. Se fosse verdade que “o capitalismo gera a homofobia”, fatos como esse jamais teriam ocorrido. Por isto é importante analisar a coerência dos discursos dessas pessoas.

QL: Agradeço, primeiramente, a Miriam Martinho pela confiança e pela oportunidade. Quando paro para ver tudo que os teóricos da esquerda escreveram: ditadura do proletariado, guerras civis, revoluções armadas e sanguinárias, paredón, fica tudo com um ar de morte e monstruosidade. Toda leitura que já fiz sobre liberalismo nunca encontrei um autor que violasse os direitos essenciais dos seres humanos: direito à vida, à liberdade, à propriedade, e por aí vai. Portanto, convido a comunidade LGBT à defesa da igualdade de direitos.

Fala de Papa Bento 16 é distorcida pela imprensa e militantes gays comemoram

Notícia da Reuters traduzida pelo Estado de São Paulo afirma que "o papa Bento 16 disse nesta segunda-feira, 9, que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque "o próprio futuro da humanidade".

Infelizmente, a desinformação jornalística é repetida pelas mídias sociais e a militância LGBT se aproveita da ocasião para manifestar seu ódio à religião, especialmente à Igreja Católica.

O que poucos sabem é que, no seu discurso, em momento algum, o papa menciona "casamento homossexual". Para conferir a íntegra da fala de Bento 16, clique aqui:

"A educação é um tema crucial para todas as gerações, pois depende dela tanto o desenvolvimento saudável de cada pessoa como o futuro da sociedade inteira. Por isso mesmo, aquela constitui uma tarefa de primária grandeza num tempo difícil e delicado. Para além de um objectivo claro, como é o de levar os jovens a um pleno conhecimento da realidade e, consequentemente, da verdade, a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade. Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade. O quadro familiar é fundamental no percurso educativo e para o próprio desenvolvimento dos indivíduos e dos Estados; consequentemente, são necessárias políticas que o valorizem e colaborem para a sua coesão social e diálogo. É na família que a pessoa se abre ao mundo e à vida e, como tive ocasião de lembrar durante a minha viagem à Croácia, «a abertura à vida é um sinal da abertura ao futuro»[3]. Neste contexto de abertura à vida, recebi com satisfação a recente sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia, que proíbe atribuir alvarás em processos relativos às células estaminais embrionárias humanas, e também a Resolução da Assembleia parlamentar do Conselho da Europa que condena a selecção pré-natal em função do sexo".