quinta-feira, 27 de agosto de 2009

gays na Coréia do Norte...

Esta é uma reportagem da VEJA desta semana, falando sobre a ditadura comunista na Coréia do Norte. Há um trecho em negrito e vermelho que destaquei, achei interessante porque fala sobre homossexualidade naquele país, daí o motivo de mandar essa matéria para vocês. Tirei as fotografias, senão a postagem ia ficar com 4MB!

Disponível em: < http://veja.abril.com.br/260809/pais-mais-fechado-estranho-mundo-p-104.shtml> . Acesso em: 27/VIII/2009.

O país mais fechado (e estranho) do mundo

A reportagem de VEJA entrou na Coreia do Norte, onde não há celular nem internet, crianças de 5 anos recitam juras de vingança contra os Estados Unidos e é proibido dobrar jornais que trazem a foto do líder Kim Jong-Il

Thaís Oyama, de Pyongyang
O presidente da Coreia do Norte não aparece em público há mais de quinze anos. Mesmo assim, os 23 milhões de habitantes do país enxergam seu rosto da hora em que acordam até a hora em que vão dormir. A imagem de Kim Il-sung, o "eterno presidente", pai do atual ditador Kim Jong-Il, está nos prédios, nos vagões de trem, nas estações de metrô e no broche que 100% da população de Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, carrega "voluntariamente" no peito. "Embora tenha falecido em 1994, o nosso presidente continua vivo em nosso coração", diz a guia que recebe a reportagem de VEJA no aeroporto de Pyongyang. Ter um presidente morto é só uma das extravagâncias que fazem da Coreia do Norte uma aberração planetária. O regime mais isolado do mundo sobreviveu à morte de seu fundador, à derrocada do comunismo e a uma gestão catastrófica que matou de fome quase 3 milhões de pessoas no fim dos anos 90. Hoje, seria apenas um fóssil grotesco não fosse o fato de seu líder estar sentado sobre a bomba atômica. Esta repórter visitou o país de Kim Jong-Il na condição de turista (a entrada de jornalistas só é permitida mediante autorização do governo, que nunca a concede), levada por uma agência de viagens chinesa juntamente com um grupo de dezenove estrangeiros. Os seis dias passados lá mostraram que, mais do que um picadeiro para as bizarrices de Kim Jong-Il, a Coreia do Norte é uma sociedade oprimida pela fome e controlada pelo medo – e isso nem mesmo a onipresente propaganda do regime consegue esconder.
A viagem aérea de Pequim a Pyong-yang leva uma hora e meia e é feita num Tupolev russo. A parte mais desconfortável é ter de equilibrar sobre as pernas uma edição do Pyongyang Times, distribuída aos passageiros, sem amassá-la nem deixá-la cair no chão. Não se trata de mania. Ainda na China e, novamente, antes do embarque, os organizadores da excursão alertaram os turistas para que não dobrassem jornais que estampassem a foto de Kim Jong-Il (caso da edição lida no avião e, pelo que se viu mais tarde, de todas as outras já rodadas no país), sob pena de "ofender gravemente" os norte-coreanos. A lista de atitudes proibidas incluía ainda falar com a população nas ruas, tirar fotografias sem permissão e perguntar aos guias nativos sobre questões como a saúde de Kim Jong-Il ou a existência de campos de concentração no país. Na chegada ao aeroporto de Pyongyang, o grupo foi obrigado a entregar os celulares e a submeter toda a bagagem a uma revista cuidadosa, destinada a evitar o ingresso de material ideologicamente suspeito. O que seria ideologicamente suspeito? Basicamente tudo. Os norte-coreanos não podem ler livros, jornais e revistas estrangeiros e, à exceção de uma reduzidíssima elite, não têm acesso à internet, celular nem a rádio ou canais de TV que não sejam os oficiais.
Da janela do ônibus que leva o grupo ao hotel, a paisagem que se avista é de romance do inglês George Orwell, autor da distopia 1984: imensos pôsteres de propaganda comunista decoram as avenidas, hordas de soldados marcham nas ruas – parte das tropas entoa uma música que será ouvida à exaustão nos próximos dias, a Canção do General Kim Il-sung – e carros equipados com alto-falantes conclamam a população para o trabalho. A guia explica que o país está no penúltimo mês da "Campanha dos 150 Dias": a primeira etapa do esforço nacional destinado a fazer a Coreia do Norte crescer 20% até 2012, data em que o país celebrará os 100 anos do nascimento de Kim Il-sung. As outras atrações do percurso são a Universidade Kim Il-sung, o Estádio Kim Il-sung e a Praça Kim Il-sung, de onde é possível avistar, ao longe, a próxima parada: uma imensa estátua de bronze de Kim Il-sung, em cujos pés os recém-chegados são convidados a depositar flores. Onde quer que se olhe, lá está a imagem do presidente eterno em várias versões: sentado, com o olhar voltado para o futuro; caminhando, de mãos dadas com criancinhas; de peito empinado, entre um soldado, um camponês e alguém que carrega um livro (bingo, é o intelectual).

E onde está Kim Jong-Il, o filho?
Não demora para o visitante entender que o tirano norte-coreano, de cabelos espetados como os do cantor Chico César, é, entre os Kims, o menor. O "Querido Líder", como é chamado no país, é pouco mais do que o representante de seu pai na terra. O culto a Kim Il-sung – cujo nome não é jamais pronunciado sem um dos epítetos costumeiros: "Grande Líder", "Sol da Humanidade" ou "Inigualável Patriota" – deve-se principalmente ao fato de que, sob o seu reinado, a Coreia do Norte viveu os seus melhores dias, graças à mesada da então União Soviética. Até 1965, o PIB do país era três vezes o da Coreia do Sul e cada grão que brotava do solo era apresentado como um presente ofertado ao povo por Kim Il-sung. Quando cessou a ajuda dos camaradas russos e a grande fome do fim dos anos 90 devastou a Coreia do Norte, obrigando as embaixadas da vizinha China a instalar cercas de arame farpado para impedir que multidões de refugiados famintos pulassem os muros em busca de comida e asilo, o Grande Líder já desfrutava a paz dos mortos. Sobrou para o filho a ruína em que se transformou o país depois de décadas de isolamento e gestão calamitosa. O Chico César coreano não é exatamente um gênio da política e administração – sua opção preferencial é pelo investimento em armas nucleares. Resultado: hoje, o PIB da Coreia do Norte equivale a 3,1% do da Coreia do Sul.
A foto de Kim Jong-Il, ao lado da do pai, aparece pela primeira vez no hotel em que a reportagem se hospedou. O Yanggakdo, no centro de Pyongyang, tem 1000 quartos e 47 andares. No fim da década de 80, quando a sua construção teve início, a inimiga Coreia do Sul havia começado a erguer em Cingapura o que seria um dos hotéis mais altos da Ásia. O Yanggakdo e o Ryugyong, esse último jamais terminado, vieram para mostrar que os norte-coreanos também eram capazes de fazer edifícios altos. Ainda que vazios. Na última semana do mês passado, dos 1.000 quartos, apenas quarenta estavam ocupados. No Yanggakdo, os telefonemas são monitorados, os fax recebidos são lidos antes de ser entregues ao hóspede e os cartões-postais enviados de lá podem ou não chegar ao destino, dependendo do seu conteúdo, conforme aviso dado pela agência de turismo chinesa. Antes de irem para os quartos, os turistas têm de entregar seu passaporte à guia norte-coreana, que ficará com ele até o fim da viagem.
Do alto do 38o andar, a visão que se tem de Pyongyang é a de uma bela cidade cercada de colinas. O Rio Taedong, margeado por árvores e parques, corre ao longo de boa parte da região central, o que faz com que, além de imaculadamente limpa, a cidade pareça fresca e verde. Pyongyang foi inteiramente reconstruída depois da Guerra da Coreia (1950-1953). Tem avenidas largas, monumentos grandiosos e nenhuma casa térrea, só prédios – monótonos, compactos, soviéticos. Nas avenidas centrais, as mulheres se vestem basicamente do mesmo jeito: saia azul e blusa branca, sempre com salto alto. Olhá-las caminhando nas calçadas provoca uma imediata sensação de estranhamento no recém-chegado – parece que falta alguma coisa na paisagem. E falta mesmo: além da ausência de lojas, os carros em circulação em Pyongyang são tão poucos que, entre a passagem de um e outro, seria possível comer um prato inteiro de kimchi – a apimentada conserva de acelga que é a base das refeições na Coreia do Norte. Mas nada supera o espanto causado pela visão das guardas de trânsito da capital. Postadas em pedestais instalados nos cruzamentos, elas mantêm uma frenética atividade de sinalização com a cabeça e os braços mesmo quando as ruas estão desertas – e elas sempre estão desertas. A explicação da guia para o comportamento é a seguinte: como, por muito tempo, os Estados Unidos impediram a Coreia do Norte de desenvolver seu programa de energia nuclear, o país passou a sofrer de um déficit crônico de eletricidade. Assim, as controladoras de tráfego atuam como semáforos humanos, já que o uso de similares eletrônicos seria um desperdício. E por que elas têm de gesticular sem parar mesmo quando não há um único carro na rua? A guia não sabe responder. Diz-se na Coreia do Norte que o Querido Líder em pessoa (também conhecido como "Inteligente Líder" ou "Respeitado Líder") é quem escolhe as belas guardas – dissimulados símbolos sexuais e heroínas de muitos dos filmes produzidos lá (Sentinela do Cruzamento, por exemplo, fala sobre "a dedicação ao trabalho e o terno amor das guardas pelo povo e também sobre a verdadeira supremacia do socialismo do nosso país", diz o texto que resume o enredo).
Já se disse que a Coreia do Norte é um lugar em que ninguém sorri. Um país cuja economia se encontra há quase quinze anos em estado de flagelo de fato não oferece motivos para riso. A cambaleante produção agrícola – que, mês sim, mês não, leva à interrupção do fornecimento das cotas de comida à população – e a fome crônica que já dura doze anos deixaram marcas visíveis nos norte-coreanos. Não nas moças que desfilam de salto alto pelas avenidas, mas nos passageiros que é possível espreitar no interior dos bondes decrépitos, fabricados na Checoslováquia dos anos 70, e nos camponeses, magros e encovados, que se veem na beira das estradas. Por causa da subnutrição, 64 anos depois da separação das Coreias, os comunistas do norte são, em média, 7 centímetros mais baixos do que os capitalistas do sul. A diferença fica clara na visita que o grupo faz à Zona Desmilitarizada, na cidade de Kaedong. A área é guardada por soldados norte e sul-coreanos, que chegam a ficar separados por apenas 50 centímetros de distância, a largura da faixa de concreto que delimita aquela fronteira entre as duas Coreias. Diante dos bem nutridos militares do sul – de ombros largos, capacetes, botas reluzentes e óculos escuros – é que se percebe quão esquálidos e pequenos são os famélicos soldados do norte, com seus uniformes rotos que dão a impressão de pertencer a seus irmãos mais velhos. Mas a aparente melancolia dos norte-coreanos não vem apenas do seu estômago vazio ou do justificado medo que eles têm de pisar fora da linha – e ir parar num dos seis campos de concentração do país, que abrigam estimados 150.000 prisioneiros políticos (veja ao lado o depoimento de uma ex-prisioneira de um campo de concentração norte-coreano). Há outro detalhe que ajuda a entender a aparente morbidez da população. A Coreia do Norte vive na escuridão – e não somente no sentido metafórico. Embora a cidade de Pyongyang, cartão de visita do país, seja poupada dos cortes diários de luz que atingem o resto do território, também lá o fornecimento de energia é precário. Pouco iluminados, museus, estações de metrô e vagões de trem ganham uma atmosfera lúgubre. Some-se a isso o hábito de as pessoas baixarem os olhos quando veem turistas (a curiosidade em relação ao mundo exterior é malvista pelo regime) e entende-se o motivo pelo qual todo norte-coreano parece profundamente infeliz aos olhos de um estrangeiro.
Na distopia totalitária de Kim Jong-Il, a população é dividida em três castas: a dos "leais", que compreende de 20% a 30% da população; a dos "neutros", em que se encaixam em torno de 60% dos norte-coreanos; e a dos "reacionários", ou "hostis" – que totaliza 10% ou 20% da população. É com base nessa classificação, com 56 subdivisões, que o governo define se uma pessoa pode ou não cursar a universidade, a quantidade de ração que vai receber e a ocupação que terá ao longo da vida. A família da guia da excursão, como a maioria das famílias autorizadas a morar na capital, pertence à casta privilegiada. A jovem estudou inglês e russo numa das melhores universidades de Pyongyang e já viajou para a China – prerrogativa rara, já que mesmo os moradores da capital têm de ter autorização para se deslocar de uma cidade para outra. Aos 29 anos de idade, bonita e inteligente, ela é uma autêntica representante da elite norte-coreana. Indagada se o fato de dois homens cami-nharem de mãos dadas nas ruas (como se vê vez ou outra em Pyongyang) significa que são homossexuais, ela, demonstrando genuíno espanto, negou. Depois, achando graça no desconhecimento da visitante, explicou: "No nosso país não há gays nem lésbicas".
No penúltimo dia da excursão, a guia perguntou à repórter, que ela supunha ser uma turista, o que se falava no Brasil sobre a Coreia do Norte. Ouviu em resposta que as últimas notícias giravam em torno da realização de nova bateria de testes nucleares com mísseis de longo alcance e da suposta doença de Kim Jong-Il. Diante disso, a guia balançou tristemente a cabeça: "Não são mísseis, são satélites. E o nosso líder não está doente: goza de perfeita saúde. Vocês não deveriam acreditar em tudo o que dizem os Estados Unidos". Como reza a cartilha dos regimes totalitários, a Coreia do Norte elegeu seu Inimigo Número Um e faz dele uma presença tão constante no imaginário popular quanto o rosto do Inigualável Patriota nas ruas. O ódio ao inimigo não aparece apenas no Museu da Vitoriosa Guerra da Liberação da Pátria, onde uma soldada-guia exibe com orgulho pilhas de botas de combatentes americanos mortos na Guerra da Coreia. No parque de diversões que o grupo visitou, a versão norte-coreana do tiro ao alvo era um painel com a pintura de três soldados americanos em chamas. A brincadeira, da qual participavam adultos e crianças, consistia em acertar pedras nos buracos cavados na altura do peito de cada um. Em outro programa da excursão, os turistas foram convidados a assistir a um show em que crianças de 5 a 6 anos de idade cantavam, dançavam e tocavam instrumentos com perfeição. Os números incluíam um minicantor que, maquiado, levantava o punho enquanto jurava vingança contra "os imperialistas americanos" e uma minicantora e dançarina que descrevia entre bailados a felicidade que sentia pelo fato de os pais terem cumprido sua cota na Campanha dos 150 Dias e contribuído, assim, para o engrandecimento da pátria socialista. Para se apresentarem aos turistas, as crianças treinaram três horas diárias durante um ano e meio, informaram as professoras.
Segundo o hiperativo serviço de inteligência da Coreia do Sul, Kim Jong-Il está gravemente doente. Sua pouco revolucionária pança – abastecida por sushis e sopa de barbatana de tubarão, suas iguarias preferidas, conforme entregou ao mundo um de seus ex-chefs – hoje parece tão murcha quanto seu outrora eriçado topete. Se a informação for verdadeira, a Coreia do Norte terá em breve uma chance de sair da escuridão. A morte de Kim Jong-Il pode começar a pôr fim ao totalitarismo mais eficiente do mundo. O desconhecido Kim Jong-un, filho caçula de Kim Jong-Il, não seria capaz de manter, acreditam especialistas, o regime e seus dois principais pilares: o culto à personalidade dos Kims e o isolamento do país.
Esse isolamento já começa a apresentar fendas. Indício disso seriam recentes movimentos de Kim Jong-Il – como a libertação das jornalistas americanas capturadas em março, com a intercessão do ex-presidente Bill Clinton, e a autorização para a entrada de turistas sul-coreanos em território nacional, dada na semana passada. Outro sinal seria o surgimento de uma classe de comerciantes no país. Estima-se que já existam na Coreia do Norte mais de 300 pequenos e grandes mercados de produtos contrabandeados – roupas, alimentos e mercadorias provenientes da China. O governo faz vista grossa para o negócio, já que parte do lucro acaba revertendo para ele em forma de suborno. "Assim como aconteceu na antiga União Soviética, o aparecimento de uma elite econômica, paralela à elite política, sinaliza o enfraquecimento do regime", acredita o professor sul-coreano Ji-sue Lee, da Universidade Myongji, em Seul.
Ao fim da excursão, a volta do grupo para a China é feita de trem. Na fronteira, soldados do Exército do Povo Coreano entram nos vagões para uma revista que dura quase quatro horas. Todos os passageiros têm suas malas e câmeras fotográficas vasculhadas. Soldados olham foto por foto e, sem cerimônia, apagam as imagens que não lhes agradam – em geral, cenas de pobreza em Pyongyang. Uma das soldadas para, maravilhada, diante de uma turista obesa, sentada em uma das cabines. Gesticula e chama um colega, que fita a mulher com igual admiração. Os dois sorriem para ela e balançam afirmativamente a cabeça, como que a cumprimentando pela boa fortuna – no país em que tantos perecem de fome, ser gordo é ser feliz.
Pouco antes de embarcar no trem, esta repórter havia procurado a guia para relatar-lhe um "problema". Contou-lhe que, cumprindo a determinação recebida, havia levado com cuidado para o hotel a edição do Pyongyang Times com a foto de Kim Jong-Il. Que, durante os seis dias da excursão, manteve o jornal perfeitamente esticado sobre a penteadeira. Que, no momento de fazer as malas, achou por bem não levar o jornal e, assim... A guia acompanhou o relato arregalando progressivamente os olhos amendoados, a ponto de virarem uma perfeita circunferência. Ao final, quando soube que o jornal havia sido deixado intacto sobre a penteadeira do quarto, suspirou aliviada: "Pensei que você o tivesse jogado no lixo". Esta repórter achou graça na reação da jovem, mas o que havia visto nos seus olhos segundos antes era algo próximo do terror. A Coreia do Norte pode ser um circo, mas, para os participantes compulsórios desse espetáculo, ele está longe de ser divertido.

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"Fiquei dois meses num campo de concentração"

"Resolvi fugir da Coreia do Norte depois de ver minha neta de 6 anos morrer de fome, em 1998. Fui presa nas duas primeiras tentativas. Da segunda vez, fui mandada para Chongjin (campo de concentração no norte do país), onde fiquei por dois meses. Tive sorte de sobreviver. A comida que eles dão aos prisioneiros não serve nem para os porcos: é uma mistura de água com cascas de grãos mofadas ou podres. Os guardas são treinados para nos tratar como insetos. Vi-os chutar com suas botinas a barriga de uma jovem grávida capturada na China. Gritavam que ela carregava o filho de um chinês no ventre. O bebê nasceu e eles o deixaram chorando num canto até que morresse. Escapei porque adoeci gravemente e meu irmão subornou guardas para que dissessem que eu havia morrido. Moro em Seul há oito anos. Na Coreia do Norte, eles dizem que a sociedade daqui é doente e decadente e que lá é o paraíso dos trabalhadores. Como eles podem enganar as pessoas assim?"
Jong Bok Soon, de 63 anos
"Há os que fogem e depois voltam.Acho que essas pessoas são loucas"

"Eu era criança e estava visitando a fábrica em que meu pai trabalhava. Peguei um graveto e escrevi no chão de areia: ‘Kim Il-sung’. O chefe do meu pai viu e ficou furioso: ‘Como você escreve o nome do Grande Líder no chão?’. Tive medo e comecei a esfregar os pés na areia para desmanchar o que havia escrito. Isso o deixou ainda mais furioso: eu não devia estar usando os meus pés para apagar aquele nome. Lembro do meu pai se ajoelhando diante do chefe e implorando para que não me denunciasse. Consegui fugir de lá há sete anos. Sei de pessoas que escapam da Coreia do Norte e voltam, dizendo-se decepcionadas. Isso acontece porque a imagem que elas têm da Coreia do Sul é aquela que veem nas novelas contrabandeadas, em que todos são ricos. Quando chegam, percebem que é preciso encontrar emprego, um lugar para morar e, aí, resolvem voltar. Eu acho que essas pessoas são loucas."
Oh Sun Hwan (nome fictício), de 32 anos
"Não tinha nenhum sonho, não vimatrás de liberdade. Fugi para sobreviver"
"Em 1999, eu, minha mãe e meu irmão fugimos para a China. Minha mãe se casou com um chinês e nós moramos com ele por três anos, até que vizinhos nos denunciaram, a polícia apareceu no meio da noite e fomos mandados de volta para a Coreia do Norte. Pouco depois, conseguimos fugir novamente e chegar a Seul. Não tinha nenhum sonho, não vim em busca de liberdade – só queria sobreviver. Entre 1997 e 1998, minha avó, meu avô e meu pai morreram de fome. Atualmente, estudo psicologia na Universidade Sogang. No começo, eu me sentia incomodada ao ouvir colegas se referirem de maneira desrespeitosa a Kim Il-sung e a Kim Jong-Il. Também ficava confusa quando diziam que muita coisa do que eu havia aprendido lá não era verdade. Hoje, não tenho mais tanto respeito por Kim Jong-Il. Mas continuo admirando Kim Il-sung. Ele é como se fosse o nosso pai."
Keum Ju (nome fictício), de 24 anos
"Passei trinta anos sequestrado na Coreia do Norte

"Eu cresci na Coreia do Sul e sobrevivi a duas guerras: lutei na da Coreia e na do Vietnã, ao lado dos americanos. Quando voltei do Vietnã, em 1975, no meu primeiro dia de trabalho num barco pesqueiro, fui sequestrado por norte-coreanos com outros 32 homens. Fiquei trinta anos naquele país. Eles usam os sequestrados para fazer propaganda do regime: somos apresentados como se tivéssemos deixado a Coreia do Sul voluntariamente. Em 2005, meus irmãos conseguiram subornar um traficante para me trazer de volta. O traficante disse que traria também minha família – eu constituí uma na Coreia do Norte –, mas nunca cumpriu a promessa. Soube depois que, por causa de minha fuga, minha mulher e meus filhos foram mandados para um campo de concentração. Nunca mais tive notícias deles."
Goh Myong Seop, de 65 anos

sábado, 22 de agosto de 2009

"Liberdade" Socialista: MAIS GAYS PRESOS EM CUBA...



Essa é pros gays que defendem a ditadura de Fidel... Há menos de 1 mês, 19 jovens gays foram presos por ir a um evento marcado pela Agência de Saúde Cubana que iria distribuir gel lubrificante e camisinhas de graça (a noticia consta neste blog). E agora mais esta notícia. Acho que convém fazer uma lista contando os gays e lésbicas presos, desaparecidos ou mortos para aqueles que sustentam a tese da "opressão sufocante homofóbica, capitalista e cristã no Brasil"...
 
 
Presos dois ativistas gays estão em paradeiro desconhecido

Ambos foram presos enquanto participavam de uma reunião para organizar o evento "Mr. Gay", a se realizar em 29 de agosto no Malecón, em Havana.

Redação CE 17/08/2009

Dois membros da "Fundação Cubana de LGBT" (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais) ainda estão desaparecidos desde a última sexta-feira, quando foram detidos por agentes da Polícia e da Segurança do Estado, em uma operação para impedir a organização de uma atividade, relatou ao site CUBAENCUENTRO.com com, o presidente deste grupo independente, Aliomar Janjaque.

Os detidos são Mario Jose Delgado, 27, vice-presidente da Fundação, e Berkis Delín, de 21. Janjaque garante que vários ativistas tem procurado nas delegacias de polícia de Havana sem resultado. Os familiares dos detidos tampouco foram informados do lugar que eles se encontram.

O caso de Delín, advertiu ele, é agravada pelo fato de que o paciente tem AIDS e necessita de medicação específica.

Segundo Janjaque, os membros da Fundação foram detidos sexta-feira passada na casa do Delgado, quando eles estavam reunidos para a preparação do evento Mr. Gay, uma atividade cultural, que pretende realizar a 29 de agosto no Malecon em Havana.

"Bateram fortemente na porta e começamos a pegar as coisas que tínhamos, um laptop, cartões de memória [de câmera didital] e um disco rígido. Um policial chutou a porta e quebrou", disse o ativista.

Disseram ainda que entraram na casa dois policiais uniformizados e cinco agentes da Agência de Segurança do Estado vestidos de civil. Todos estavam armados, disse. "Ninguém mostrou documentos mostrando que tinham direito de entrar".

Segundo Janjaque, autoridades alertaram que eles não iriam permitir que fosse feitas "atividades contra a revolução."

"Tentamos explicar que a atividade era cultural, para dar uma maior visibilidade à comunidade homossexual", disse Janjaque. Ele acrescentou que, em resposta, os policiais revistaram os equipamentos, e foi apreendido.

"Nós impedimos que os equipamentos fossem apreendidos, e um deles lançou um cinzeiro contra a tela de um laptop. Depois, começaram a dar golpes em todos os que estavam em casa"; No total, 11 jovens, entre meninos e meninas.

Os ativistas foram golpeados e chutados, segundo Janjaque, que afirmou que os agentes aplicaram técnicas de artes marciais.

Mario José Delgado e Berkis Delis "tomaram o disco rígido e as memórias [da câmera digital], e tentaram escapar por uma saída dos fundos da casa", mas "foram detidos na rua e golpeados na frente dos vizinhos".

Janjaque disse que a mãe de Delgado, Lourdes Gonzalez, 71, pegou o laptop e segurou-o para evitar os agentes levassem-no, mas ela também foi espancada. No entanto, a mulher conseguiu manter o computador.

Todos os ativistas, exceto Delgado e Delin, foram levados para a delegacia de Cojimar, onde permaneceram até a manhã de domingo.

Janjaque denunciou que a polícia pretendem mantê-los "junto a criminosos comuns" e obrigá-los a assinar uma "carta de advertência", na qual se declaram que são "contra-revolucionários tentando realizar atividades contra o governo".

"Ninguém assinou nada", disse ele. "Eles disseram que não iriam permitir nenhuma atividade, que sabiam que Mario José é o líder do Mr. Gay, e que com ele e com o Berkis irão tratá-los de forma "diferente", disse.

O ativista disse que, durante a operação policial, foi levada da casa uma televisão, um aparelho de DVD e dois ventiladores.

Diz ainda que, mesmo após terem sido libertados, os membros do grupo são constantemente monitorados. "

Desde que me soltaram, tem um agente da Agência de Segurânça na porta da minha casa", disse. O objetivo, seria impedir a realização de Mr. Gay.

Janjaque disse que eventos desse tipo são realizados em outros países, e no caso deste está sendo organizado pela Fundação Cubana Reinaldo Arenas, consiste na eleição do rapaz homossexual "mais bonitas fisicamente e mentalmente."

"Há 26 candidatos concorrentes", disse Janjaque e anunciou que a Fundação pretende convidar a imprensa estrangeira.

Assim mesmo, explicou que os ativistas tem colado posters pela cidade e distribuindo folhetos para promover o evento, além de um telefone para informações.

"É algo que a comunidade gay conhece e espera", disse Janjaque. "A única maneira que a Agência de Segurança do Estado tem de impedir o M. Gay é mantendo presa toda a organização", disse.

"O Mr. Gay vai acontecer, goste ou não o governo", disse ele.

© cubaencuentro.com

Arrestados y en paradero desconocido dos activistas gays - Noticias - Cuba - cubaencuentro.com (17 August 2009)
http://www.cubaencuentro.com/es/cuba/noticias/arrestados-y-en-paradero-desconocido-dos-activistas-gays-202694

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Prayers for Bobby


Um excelente filme sobre religião e homossexualidade. O filme trata da história da luta de uma mãe ao lidar com a homossexualidade do filho. Este filme é particularmente especial porque foi baseado em fatos reais. Não é um script de roteiro inventado dramatizado para atrair platéias ou filme político-partidário visando conduzir a opinião pública. Apenas focou-se em relatar a história completa de um caso em particular. Talvez por isso podemos chamá-lo de “neutro”, pois revela os pontos podres tanto da religião quanto dos meios homossexuais.
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Bobby era um garoto de excelente currículo: inteligente, bonito, queria ser escritor. Atraia facilmente qualquer garota que quisesse. Mas não queria. Incomodado com isso revela ao irmão mais velho que é homossexual. A família de Bobby era muito unida e imediatamente a família inteira se dispôs de ajudá-lo na melhor maneira que fosse. Sua mãe, Mary, preocupada com a saúde e segurança do filho, recorreu à sua educação cristã tradicionalista que teve para tentar mostrar ao filho que havia sido “recrutado” por outros homossexuais pecadores.
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Por outro lado, Bobby não se sentia dessa forma e percebeu que tinha dois caminhos: o de seguir os conselhos da mãe de tentar “curar” sua homossexualidade, ou o de atingir as promessas de mundo livre e de prazeres do envolvente mundo gay. Assim sendo, passou a freqüentar um bar para homossexuais em sua cidade chamado Armory, onde tentava envolver-se com outros homossexuais. Em uma cena do filme mostra Bobby se beijando com outro homem, mas por alguma razão, chateou-se com o ambiente e foi embora para casa.
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O comportamento de Bobby também se altera: de uma hora para outra passa a chegar em casa cada vez mais tarde, larga a escola e não deseja mais ir à faculdade. Muita parte desse comportamento pode se dever em parte porque ele era tão conectado à sua mãe, de forma que, seu comportamento mudava à medida que a mãe também mudava. Ela procurou ler leituras sobre a homossexualidade de uma perspectiva religiosa e estava realmente acreditando que a homossexualidade era anormal e pecaminosa. Procurou ajuda psiquiátrica, levou Bobby para cursos na igreja adventista, incentivou o pai e o irmão se envolverem mais na vida de Bobby e até tentou arrumar-lhe uma namorada. Conforme a mãe assumia uma postura radical, Bobby fazia o mesmo, vestindo-se diferente, andando com mão na cintura e levando “amizades” estranhas para casa.
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Um dia, uma prima da qual gostava muito vem visitá-los e convida Bobby a ir à Portland. Lá ele se interessa por um rapaz chamado Daniel e ambos se envolvem profundamente. Daniel procura apoiar Bobby, incentivando sua autoestima, a enfrentar sua mãe e fazendo-o crer que ela devia aceitar as coisas como são. Bobby passa a ver Portland como uma espécie de “refugio”. Decide se mudar para lá, conseguindo manter contato com alguém da família – sua prima – , focar no seu projeto de ser escritor, além também de ser uma cidade com estrutura aparentemente melhor para receber homossexuais, tanto do ponto de vista de entretenimento (bares, restaurantes, boates etc), quanto do ponto de vista religioso, pois Bobby encontra a Igreja Comunitária Metropolitana, na qual passa a freqüentar. Entretanto um vazio muito profundo toma conta de Bobby. Numa noite ele liga para Daniel e este não atende ao telefone e parece ter lhe dado as costas. Desiludido, Bobby decide cometer suicídio, jogando-se de uma ponte em cima de uma rodovia.
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A conexão entre a mãe e Bobby era especialmente profunda, pois de todas as coisas que poderia encontrar em Portland, apenas uma não poderia achar, que era a sua mãe. Ela tinha sido relutante à idéia do filho ir para aquela cidade, pois sabia que o filho estava indo por causa de um rapaz. Vendo na televisão que a epidemia de AIDS no inicio dos anos 80 começa a se espalhar rapidamente entre homossexuais, a mãe teme pela vida do filho, pela sua segurança e saúde. Certa de que os ambientes freqüentados por Bobby não seriam saudáveis, a mãe toma a decisão de não despedir-se do filho quando ele viaja.
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A morte de Bobby deixa a mãe transtornada, pois esta queria mesmo reencontrar a família no Paraíso, sem nenhum membro faltando por estar no Inferno pagando pelos pecados. Sua educação lhe diz que todo homossexual e suicida vai parar no Inferno e isso a deixa transtornada, pois sabia que no fundo, Bobby não era uma pessoa má e não merecia esse destino. Os pastores de sua igreja não conseguem atender à dor da mãe e respondem apenas reafirmando mais ainda sua condenação à homossexualidade. A mãe, em busca de respostas, passa a ler o diário do filho e descobre que ele freqüentava a Igreja Comunitária Metropolitana. Ela vai lá, e pergunta ao pastor sobre passagens bíblicas escritas no Levitico, sobre a lenda de Sodoma e Gomorra e entre outros. O pastor responde às suas dúvidas e apresenta a ela outra mulher, também mãe de homossexual. Esta lhe convida para ir a uma sessão de um grupo de apoio a pais homossexuais.
Só depois de meses, finalmente percebe que seu filho não estava envolvido em pecado algum e passa a acreditar que seu comportamento, ao invés de ajudar o filho como esperava, acabou prejudicando-o. Tomada pela dor e sentimento de culpa, passa a se envolver mais no ativismo gay. Numa audiência pública pela criação de uma data “dia dos homossexuais”, ela se levanta e discursa a uma platéia.

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O final dessa história é particularmente interessante, pois Bobby não acreditava que sua mãe pudesse um dia mudar de sua postura tradicionalista. Estava enganado, pois isso ocorreu em questão de meses. Uma coisa que chama a atenção é que a propaganda homossexual em geral promete um estilo de vida “libertador”, do tipo que se acha permitir livrar as pessoas de um mundo de mentiras e permiti-las “curtir a vida”. Não se pode condenar a religião, ou até mesmo a suposta “postura homofóbica” da mãe quando os mesmos ambientes homossexuais não conseguiram acolher Bobby. Ele não sentiu alívio freqüentando boates de homossexuais e tão pouco indo à Igreja Comunitária Metropolitana. No final, só a mãe de Bobby poderia ajudá-lo, era o amor dela que ele precisava, mas a impaciência e a sede de viver o levaram à Portland, distanciando-se da mãe. No final, pode-se dizer que Bobby foi iludido por uma falsa propaganda de liberdade.