quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Rubio fala, em entrevista, sobre ameaças e acusação por suposto tributo à bandeira americana.

CUBA - “Os rapazes da festa não são mercenários. Emprestei minha casa para que fosse realizada esta atividade porque está em sintonia com o que faz Mariela Castro Espín”, disse Barbara Rubío, de 58 anos, que é lésbica e proprietária do imóvel onde se realizou a “Festa Gay Liberdade”, sendo que agora está sendo ameaçada pela Agência de Segurança do Estado Cubano de cometer “crime” por suposto tributo à bandeira americana.

“A Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas é uma organização que busca visibilidade da comunidade LGBT cubana da mesma forma que o Centro Nacional de Educação Sexual (dirigido pela Mariela Castro). A festa foi gratuita e não cobramos um centavo sequer para não cometer nenhuma ilegalidade. Mas o que incomodou à Polícia Nacional Revolucionária foi o fato de um grupo levou uma bandeira americana, como se fossemos uns vendidos.”

“Todos nós estamos cansados dessas diferenças de estado americano e cubano que ao final não leva a nada. Os EUA desempenharam um papel, falta Cuba fazer o mesmo. Quando a bandeira americana foi levada à festa não foi para demonstrar que servimos a uma potência estrangeira, mas para ressaltar a liberdade de expressão, de associação e de reunião que tem a comunidade LGBT nos Estados Unidos, para ressaltar o trabalho feito por Hillary Clinton ao estender benefícios diplomáticos a gays e seus companheiros na Casa Branca, para ressaltar que os estados americanos que aprovaram o “matrimônio” entre pessoas do mesmo sexo e os que vão ao mesmo caminho que eles.”

“Finalmente, para ressaltar o que eles têm e nós não e desejamos por parte de nosso governo. Se eu tivesse sido permitida teria dito isso aos oficiais, mas eles não me deixaram falar”, concluiu a proprietária.

Prisões, humilhações, perseguições e ameaças: as conseqüências de realizar uma festa “ilegal” no paraíso do “socialismo libertário”.

Henri Solís Estévez, Coordenador Geral da festa homosexual “Party Gay Liberdad” foi multado em 500 pesos por negar-se a declarar nomes dos membros envolvidos no transporte de equipamentos de áudio, de Havana a Pinar Del Rio, usados na festa.

Solís foi preso pela Polícia Nacional Revolucionária na Casa de Cultura Wajay, onde trabalha como professor de Arte e levado até a delegacia policial de Calabazar Boyeros, onde ficou interrogado e detido durante 11 horas, na ultima segunda-feira, 28/09/09.

“Eu estava na oficina de artesanato com meus alunos primários em frente aos seus pais quando fomos interrumpidos pela chegada da polícia, me algemaram e me tiraram no meio da aula, metendo-me numa viatura. Na frente de todos. Os oficiais pouco se importaram com o efeito psicológico que poderia ocasionar aos meus alunos ao ver uma cena violenta como esta. Eu não posso apagar da minha mente os rostos dos meus alunos quando fui algemado na frente deles como se eu fosse um criminoso”, disse Solis.

Queriam que eu colaborasse com eles, me ameaçaram de todas as formas, disseram que tinham conhecimento de que tínhamos outro equipamento de áudio, e que não iam permitir outra festa de bichinhas organizadas por nós e que nenhum “mariín de mierda” ia conseguir pressionar a Agência de Segurança de Estado Cubano.

Disseram que havia saído a informação de nós queriamos arrastar os viados para a rua, e que sabiam que havia sido Mario José e Aliomar quem havia dado a ordem de que os viados de Pinar Del Rio fossem para a rua.

A Festa Gay Liberdade é um evento gay de carater cultural organizada pela direção da Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas.

Informou Aliomar Janjaque Chivaz, membro da Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas, por e-mail sobre os acontecimentos.

Manifesto gay cubano reclama pelo fim das repressões impostas pela Agencia de Segurança de Estado e pela Polícia Nacional Revolucionária

Por Aliomar Janjaque Chivaz, membro da "Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas" e correspondente para o Blog Gays de Direita, via e-mail.


O comitê gestor do evento “Mr. Gay Cuba”, a Coordenação Geral da Festa Gay Liberdade e a Direção Nacional da Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas, exigem ao governo cubano que se cesse [as ações] do estado repressivo contra as atividades culturais organizadas e executadas de forma independente sobre a comunidade homossexual cubana.

Recentemente o comitê gestor do Mr. Gay Habana foram golpeados, presos e os equipamentos de trabalho foram apreendidos quando encontravam-se reunidos na casa de Mario José Delgado Gonzáles, vice-presidente da Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas, ao finalizarem os detalhes para a execução em Havana o primeiro concurso de beleza “Mr. Gay Habana”.

Naquela época, a repressão governamental contra os ativistas defensores de directos humanos e da comunidade homossexual concluiu-se com a expulsão da universidade os estudantes José Gonzáles e Rafael, estudantes de medicina e vencedores do concurso “Mr. Gay Habana”.

Neste momento, outra cruzada repressiva oficial contra as organizações pró direitos humanos ocorreu quando prenderam em Havana o professor de educação artística Henri Solis e o coordenador-geral da Festa Gay Liberdade, a qual reuniu dentro e fora da capital centenas de jovens homossexuais que a freqüentaram em busca de lazer.
A prisão deste homem de 27 anos (Henri Solis) ocorreu por coordenar e executar a saída e a entrada, em Havana, de equipamentos de áudio para Pinar Del Rio, desinados à Festa Gay Liberdade.

Henri Solis primeiro foi levado à interrogatório quando as autoridades confirmaram oficialmente que o sistema de segurança estabelecido para impedir a saída dos equipamentos de áudio em Havana foi burlado pela equipe de coordenação da Festa Gay Liberdade, a qual os introduziu em Pinar Del Rio. Um dia depois, enquanto estava trabalhando numa oficina de artesanato na Casa de Cultura Wajay Solis foi algemado e preso pela Polícia Nacional Revolucionária em frente aos seus 19 alunos, todos menores de idade, que estavam acompanhados de seus pais. Ele foi multado em 500 pesos, por recusar-se a dar detalhes sobre o Comitê de Coordenação da Festa Gay Liberdade e também por recusar-se a envolver os ativistas de direitos humanos que estavam sob sua coordenação. Atualmente Solis está sob investigação liderada pelo oficial Frometa na delegacia de Calabazar.

Em Pinar del Rio a Polícia Nacional não conseguiu intimidar nem retirar os jovens que se reuniram ao redor da Festa, os quais estavam ali em busca de por motivos de recreação, reunião e associação. Diante do intento de retirá-los do local com repressão, estes responderam dando-lhes as costas e ignorando aos chamados dos policiais, e também dizendo-lhes que estavam apenas dançando e se divertindo e que isto não era crime.

Rubio, lésbica e membro da Fundação Cubana em Pinar del Rio, proprietária da casa onde se realizou a Festa Gay Liberdade, disse, por telefone, à direção nacional da Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas em Havana que a determinação espontânea dos freqüentadores da festa desarticulou o poder repressivo da polícia, de forma que eles tiveram medo de que a Festa pudesse se converter em algo mais. A orientação que ela tinha da direção nacional da Fundação LGBT em Havana era de executar a atividade às 3h da manhã. Foi por esta razão que a Agencia de Segurança do Estado Cubano permitiu a realização do evento que reuniu 485 homossexuais e 85 heterossexuais.
A polícia de Pinar del Rio apreendeu o automóvel usado para o transporte dos equipamentos de áudio em Havana, sendo que, o DJ Daramis Almenteros foi expulso da província. Depois que ele este teve seus equipamentos de áudio confiscados, foi avisado de que poderia reclamar com as autoridades que quisesse, pois a policia tinha ordens para recolher os equipamentos já que estavam sendo usados para instigar os “maricones” contra os princípios da revolução.

O comitê gestor do “Mr. Gay Cuba”, o comitê coordenador da “Festa Gay Liberdade” e a “Fundação Cubana LGBT Reinaldo Arenas” exigem ao governo cubano que se parem estas ações repressivas implantadas pela Polícia Nacional Revolucionária e pela Agência de Segurança de Estado Cubano contra as atividades culturais organizadas de forma independente.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Polícia Nacional Revolucionária (Cuba) confisca equipamentos de áudio da “Festa Gay Liberdade”

Nota via e-mail de Aliomar Janjaque, ativista de direitos humanos e vice presidente da Fundação LGBT “Reinaldo Arenas”, além de ser correspondente cubano para o Blog Gays de Direita.

A delegação da Fundação Cubana LGBT em Pinar del Rio, confirmou nesta quarta-feira a apreensão de equipamentos de áudio pela Polícia Nacional Revolucionária, destinados à “Festa gay liberdade”.

Nós estávamos na periferia de Pinar Del Rio e de volta [de carro] à Havana quando fomos interceptados por duas patrulhas da polícia. Ao motorista não foi pedido nenhum documento, apenas foram diretamente confiscar os equipamentos de áudio. Me pediram para que entregasse os equipamentos juntamente com o cartão de identidade para que pudessem provar que estava tudo em ordem. Em seguida, mandaram o resto dos garotos irem embora, meteram os equipamentos nas patrulhas e me levaram algemado.

Fomos até a Delegacia de Polícia e, ao ser atendido pelo Tenente-Coronel Molejón, este nos disse que tinha ordens de não devolver os equipamentos de áudio. Molejón ameaçou ainda dizendo que eu poderia reclamar com quem quisesse e que tinha que deixar a província, elaborar a documentação pertinente e voltar lá para reivindicar o equipamento, se os ativistas quisessem tê-los de volta.

[GAYSDEDIREITA: Esta manobra, trata-se evidentemente de mais uma intimidação para desestruturar a organização da militância gay em Cuba, expulsando os líderes da organização “Reinaldo Arenas” de Havana, além de impedir a realização de mais um evento.]

“Eu sabia ao que estaria exposto ao apoiar a festa gay liberdade, porém nunca imaginei que [o governo] pudesse ser tão déspota e tão f.d.p.”, disse Daramis Almenteros [1], DJ heterossexual que havia disponibilizado seus equipamentos de áudio à Fundação Cubana LGBT a fim de desenvolver com ele um local de recreação cultural onde a comunidade gay pode freqüentar de forma gratuita.

A festa gratuita “gay liberdade” conseguiu em apenas 15 dias reunir, em Havana, mais de 757 jovens LGBT e em sua primeira apresentação executada em Pinar Del Rio reuniu 425 jovens homossexuais e 85 jovens heterossexuais

A "Festa Gay Liberdade" gerou dentro da comunidade um estado de protesto civil contra a repressão policial.

Os garotos não queriam que lhes tirassem a música, disseram [à polícia] que eles não estavam fazendo nada de errado e que estavam apenas dançando. Deram-lhes as costas aos oficiais, ignorando-os, não se importando com sua presença e sem atender aos chamados. Aos freqüentadores da festa não lhes importavam que os repressores que eles estavam ali, deram-lhes as costas, sendo isto um ato de protesto pacífico perante a intimidação que se tentava implantar. “Aqui, quando estamos em grupo nadando e [quando] a polícia passa, sentimos medo de que nos levem presos e nos coloquem em perigo. Mas o que aconteceu em minha casa foi justamente o contrário, os garotos defenderam o seu espaço.”

Os oficiais da polícia estavam nervosos e não sabiam o que fazer, pois algo assim nunca havia acontecido anteriormente, aqui se fazem festas gays, mas [a entrada] custa 20 pesos cubanos, todas são ilegais e vão poucas pessoas, pois esta vida é muito dura e quase não há o que comer. Muitos se prostituem para poder fazer algum dinheiro e poder assistir [à estes eventos].

“Quando se correu o boato por todos os lugares de que esta festa seria gratuita, todos baixaram para aqui, não parava de chegar gente”, disse Bárbara Rubio, lésbica de 58 anos e proprietária da casa onde ocorreu a atividade cultural “Festa Gay Liberdade”.

Além disso, em Havana, Henry Estevez Solis [2], Coordenador Geral da "Festa Gay Liberdade" foi levado para interrogatório pelo oficial Frometa, chefe do setor de crimes de Calabazar. A alegação do motivo da prisão é de que Solis coordenou a saída e entrada dos equipamentos de áudio em Pinar del Rio.

“Ele queria que eu declarasse culpado de que a “Festa Gay Liberdade” reuniu em uma casa no centro de Pinar Del Rio mais de 400 jovens homossexuais que foram para dançar e escutar música, e logo me disse que eles sabiam que nós queríamos encher a cidade de Pinar Del Rio com a merda do “Mr. Gay” [3] e que nossa fama e de estar dando entre os “viadinhos” [4] de Havana”, disse Henry Esteves Solis.

Disseram me para que me informassem de que para ter um equipamento de áudio da província sem ser minha propriedade e nem ter permissão era um delito, e quando mostrei a ele uma fotocópia de que os equipamentos eram de minha propriedade, ele me deu um tapa com a mão e disse que aquilo não servia, e que devia entregar os papéis originais. Eu me neguei em fazê-lo e deixaram-me detido, sem me oferecer comida ou água. Disseram-me que ali eu iria em me converter num homenzinho e que eu devia ir me preparando”.

Solis foi posto em liberdade depois de 11 horas de detenção e encontra-se ainda sob investigação por obter um equipamento de áudio da província e introduzi-lo em outra província a fim de propiciar desordem pública em Pinar Del Rio, segundo o oficial Frometa quem lidera o caso.


Notas:

[1] na fotografia em que há um homem segurando uma bandeira é o proprietário dos equipamentos de áudio, DJ Daramis Almenteros.
[2] o jovem de camisa branca na fotografia é o Henry Esteves Solis.
[3] o policial se referiu ao evento “Mr. Gay Habana”, devidamente reportado neste blog.
[4] A expressão usada por Henry Esteves Solis é a de “maricones”.




segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bichas pela Palestina


De todos os slogans cantados e apresentados em manifestações anti-Israel durante o mês passado (dezembro 2008), com certeza o "Bichas pela Palestina” [1] se classifica como o mais paradoxal. É o lema da organização Bichas que Debilitam o Terrorismo Israelense – QUIT [2] localizada na cidade de São Francisco, um grupo que defende a privação de investimentos do Estado Judeu. O grupo "QUIT" afirma que o sionismo é racismo, e regularmente demonstra em marchas do orgulho gay, organizados com organizações de extrema-direita muçulmano, e tendo apoiado com sucesso o International Gay and Lesbian Human Rights Commission para boicotar a Conferência Mundial de Orgulho 2006, por causa da localização deste evento naquele ano, em Jerusalém.
O que faz o “QUIT” ser uma organização paradoxal é que a sua afinidade com a Palestina não é recíproco. Pode haver bichas para a Palestina, mas a Palestina certamente não é para gays, seja no sentido habitáveis ou de empatia. Como todas as organizações políticas islâmicas, a Autoridade Palestina sistematicamente prende [na cadeia] as pessoas homossexuais. Sob o manto de extirpar os “colaboradores” de Israel, os oficiais da Autoridade Palestina extorquem, prendem e torturaram gays. Mas a opressão dos palestinos contra a homossexualidade não é meramente uma questão de política de Estado, é algo que está firmemente enraizado na sociedade palestina, onde o ódio a gays ultrapassa até mesmo a dos judeus. Em outubro passado, um homem gay palestino com um amante israelense Israel solicitou à alta corte de justiça israelense o pedido de asilo, alegando que sua família o ameaçou a matá-lo caso ele não se "reformasse". Ele é um dos poucos palestinos de sorte de ser capaz de desafiar sua situação.

E isso só somente na região relativamente afável da Cisjordânia. A Faixa de Gaza, que se estagnou sob o tacão das regras islamofacistas do Hamas desde 2007, é um lugar ainda mais perigoso para os gays, "uma minoria de pervertidos e mental e moralmente doentes", nas palavras de um líder do Hamas. Tal como no Irã, patrono do Hamas e o principal patrocinador do terrorismo internacional, mesmo a mera suspeita da homossexualidade acaba resultando em morte em Gaza, sendo lançados a partir do telhado de um edifício alto como sendo o método de escolha.

É destes fatos que sugerem a interpretação bizarra das "Bichas pela Palestina". Contrariamente ao que alguns ativistas gays poderiam fazer você acreditar, não há realmente que muitos assuntos políticos, onde a sexualidade de alguém deveria influenciar uma opinião. Para além das questões óbvias relacionadas com a igualdade cívica (reconhecimento de parcerias, aberto no serviço militar, etc), como a homossexualidade implica um ponto de vista particular sobre assuntos complicados como na Reforma da Segurança Social, na política de saúde, ou a guerra no Iraque?

A resposta, pelo menos para alguns deles do lado esquerdo do espectro, é uma retórica encontrada no início da Frente de Libertação Gay, - GLF [3] a principal organização de direitos dos homossexuais a surgir após os protestos de Stonewall. O “GLF” era, nas palavras do historiador Paul Berman, a “ala gay da aliança revolucionária", a qual em 1970 desafiou o consenso liberal e passou a ser conhecida como a "Nova Esquerda".

Os líderes da GLF, por exemplo, desempenhou um papel fundamental na criação da Brigada Venceremos, que expediu americanos utopistas radicais para colher cana-de-açúcar em Cuba como uma demonstração de solidariedade com o regime de Fidel Castro (Como a Autoridade Palestin, a Cuba comunista não exatamente devolveu a amabilidade aos seus simpatizantes; por décadas, internou homossexuais contaminados com o vírus HIV em prisões de campos de trabalho forçado). O GLF aliou-se com um novo conjunto de organizações radicais (como a organização assassina dos Panteras Negras), cujo papel na luta pela igualdade gay eram muito tênues. E o próprio nome do GLF foi adotada a partir da Frente de Libertação Nacional, o apelido dos comunistas vietnamitas.

Por que essa história importa agora? Embora você irá encontrar poucos conscienciosos marxistas na liderança de organizações gays de hoje, a maioria dos ativistas gays ainda ver o mundo com o mesmo tipo de complexo de "opressão" simbolizadas pelos primeiros radicais que conduziram a GLF. Eles acreditam que os gays são "oprimidos", e sustentam que qualquer outro grupo que reivindica o mesmo vitimismo deveria ganhar o apoio dos gays.

É por esta razão que cada organização gay importante era tão hesitante em falar sobre o apoio generalizado entre os negros americanos em banir o casamento gay na Califórnia, e porque a National Gay and Lesbian Task Force foi tão longe em encomendar um estudo falso que ostensivamente refutava a estatística perturbadora em si. Na estimativa do estabelecimento dos direitos dos homossexuais, os negros americanos, assim como os gays, são "oprimidos", e não há espaço para inimigos no lado “esquerdo”.

Mas os gays nunca vão chegar a lugar nenhum enquanto seu ponto de vista sobre o mundo é feito de maneira constritiva e contraprodutiva. Na verdade, se alguém quisesse interpretar uma “posição gay" sobre o conflito árabe-israelense - ou seja, analisar a questão apenas sob o prisma do bem-estar das pessoas homossexuais - a postura inevitável é nada menos do que a parcialidade a favor de Israel. Israel, apesar de tudo, é o único estado no Oriente Médio que legalmente consagra os direitos dos homossexuais. Os gays servem abertamente às forças armadas e ocupam cargos de alta patente nos negócios e na vida pública, e Tel Aviv é uma “meca” para os gays do mundo. Como clichê que possa parecer, Israel é um oásis de tolerância liberal em um remanso religioso reacionário, e se os gays querem ficar com os "oprimidos" daquela região, será com os palestinos que procuram uma solução pacífica, com a consolidação de dois Estados, não com assassinos do Hamas ou seus apoiadores em Teerã, que apóiam o mérito.
Nada disso quer dizer que os homossexuais estão errados em simpatizar com os injustiçados e genuinamente oprimidos, pelo contrário, é uma qualidade admirável. Mas, muitas vezes, os ideólogos com segundas intenções com agendas radicais pervertem esse instinto digno.

Uma coisa é manifestar preocupação com as condições humanitárias nos territórios palestinos. Mas, estar ao lado dos adeptos do fascismo religioso não é "progressista". É obsceno.

Fotografia tirada por "Fred", do blog "Gay and Right", na qual aponta os ativistas como idiotas úteis.
Notas
[1] O autor usa a expressão “Queers for Palestine”. (N. do T.).
[2] “Queers Undermining Israeli Terrorism – QUIT”, tradução: Bichas que Debilitam o Terrorismo Israelense - “Quit” significa “sair” em alusão de protesto contra a ocupações israelenses. (N. do T).
[3] GLF, sigla para Gay Liberation Front, ou Frente da Libertação Gay. (N. do T).

Referências:
INDEPENDENT GAY FORUM. Queers for Palestine? KIRCHICK, James: 28/01/2009. Disponível em: http://www.indegayforum.org/news/show/31697.html . Acesso em: 30/01/09.
GAYANDRIGHT. Useful Idiots March in Ottawa. Fred: 30/08/09, Ottawa, Canadá. Disponível em: http://gayandright.blogspot.com/2009/08/useful-idiots-march-in-ottawa.html. Acesso em: 27/09/09.

domingo, 27 de setembro de 2009

Documentário desmente vários mitos sobre a Igreja Católica

Se você já ouviu do seu professor de história, quando era garoto na escola, falar que a Igreja Católica defendia que a Terra era plana e que se viajar com as caravelas longe demais iria "cair" na borda da Terra, então prepare-se para mudar de idéia. E quanto ao Galileu Galilei? Sabia que a Igreja Católica foi a entidade que mais investiu na astronomia na Europa Medieval? E quanto aqueles que disseram que a Igreja se satisfazia com a ignorância das pessoas e que a educação era, por essa razão, essencialmente restrita? Sabia que a maioria das universidades e das instituições de ensino foram criadas pela Igreja Católica?

Esses mitos e muitos outros são esclarecidos neste documentário de vários episódios. Eu realmente não conheço a pessoa que disponibilizou o material na internet, mas que Deus o abençoe! Lamentavelmente, não precisamos usar muito da nossa imaginação ao nos perguntar por quê tantas mentiras foram, e ainda são, ditas sobre a Igreja Católica. Durante séculos, muitos "intelectuais" proclamavam, abertamente ou discretamente, o seu ódio por essa nobre instituição que fundou várias civilizações no Ocidente. E também porque é óbvio, no período recente, professores de esquerda fazem doutrinação nas escolas ATÉ HOJE, desinformando os alunos, fazendo-os crer em mentiras, subvertendo a cultura à serviço do Marxismo internacional. Infelizmente, para esses, uma hora a verdade vem à tona.
Para assistir os videos no YouTube, acesse (é necessário procurar o restante das partes no YouTube):


Caso lhe seja mais cômodo, o blog disponibiliza os links abaixo para download direto ao seu computador:

Episódio 1 - parte 1 (101,405 KB)

Episódio 1 - parte 2 (99,769 KB)

Episódio 1 - parte 3 (68,188 KB)

Episódio 2 - parte 1 (101,124 KB)

Episódio 2 - parte 2 (100,872 KB)

Episódio 2 - parte 3 (67,242 KB)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A odisséia do evento "Mr. Gay Habana".

Por Mario José Delgado González, ativista de direitos humanos da Fundación LGBT "Reinaldo Arenas”.


CUBA - Eles pensavam que a fome, a sede e o frio iam me dominar. Que com os ratos nas celas e as condições sub-humanas do presídio iam poder me derrotar. O tiro lhes saiu pela culatra!

Não vou negar que tive medo se batessem em mim e no Belkis antes de ser levado à prisão de Villa Marista, como tampouco negarei o sentimento de ódio e a impotência de ser excluído da sociedade naqueles dias, porque esses sentimentos são inerentes ao ser humano.

E embora eu tenha contraído uma forte gripe, que não é nem vírus influenza H1N1, ou a tuberculose, mas pode ter passado, trás o imprevisível que se converte ser um condenado nas prisões cubanas, por favor, nunca saem com a pandemia que nestes momentos assola o mundo.

Nas escuras, impregnadas com a umidade, poeira, sujeira e pichações, Belkis e eu estávamos sozinhos na mesma cela, um apoiando ao outro, depois das insultantes provocações dos policiais e carcereiros a serviço dos preconceituosos Castros e da suposta defensora dos direitos sexuais da comunidade LGBT cubana, Mariela Castro Espín.

A qualidade da comida era de fazer chorar e gritar. Não queríamos comer os alimentos que nos era oferecido, mas tivemos que comer, apesar de ser um suicídio. A comida era repugnante.

Não entendo como Belkis permaneceu em um presídio de homens sendo "ela" mulher, sem ocorrer conflitos, quando éramos levados algemados pelos oficiais para jantar. Apenas alguns dos que eram realmente bonitos, dos verdadeiros delinqüentes e problemáticos da sociedade, nos perguntaram o porquê permanecíamos lá, quando os oficiais que nos deram custódia se afastavam de nós, respondíamos: somos ativistas pelos direitos humanos da comunidade LGBT cubana.

Pensei que a reação seria nefasta, mas foi completamente o oposto. Vimos o apoio dos bissexuais, dos gays e dos héteros pelo valor de nos opormos às mentiras do governo cubano.

Depois do terceiro dia, Belkis e eu fomos levados a celas diferentes, sem saber o que se passava ao outro, ou se estávamos no mesmo presídio.

Foi este o momento decisivo que decidiria o nosso destino, para o qual ambos tínhamos acordado, que se por qualquer motivo nos separassem, faríamos uma greve de fome, fosse onde estivéssemos.

Cada dia com 4 exaustivos interrogatórios de uma hora cada, nos era exigido que abandonássemos o evento "Mr. Gay Habana", quando ainda estava por se realizar.

Os interrogatórios foram feitos separadamente. No entanto, um oficial da Agência de Segurança do Estado, cujo nome nunca me revelou, atreveu-se a dizer que com a nossa atitude prejudicaríamos o trabalho de Mariela Castro e do Centro Nacional de Educação Sexual – Cenesex, a favor da erradicação da “homofobia” em Cuba, e que o evento “Mr. Gay Habana” não podia ser feito porque ameaçava os interesses [comunistas] do Estado e do Governo.

Eu tive um ataque de risadas e respondi que a única coisa que ele tinha a dizer é o que Belkis e eu estávamos vivos e, com as noticias publicadas, em segurança via internet, é o que afeta a reputação da Mariela, porque o evento “Mr. Gay Habana” não é uma atividade política, mas com finalidade cultural.

Entre o confinamento, a fome, os interrogatórios sem sentido e a lentidão dos dias pareciam meses de duração. Eu estava perdido no tempo.

Passar dias sem ver o sol e a lua, e todos os relógios de sala que observava quando era conduzido aos interrogatórios marcavam uma hora diferente. Estava perdido no tempo.

Acho que a única razão pela qual nos colocaram em liberdade e nos conduziram em uma patrulha policial até a Delegacia Policial da Zona 8 de Alamar, onde definitivamente fui libertado, é o temor que eles tem de que se arme uma agitação internacional, na qual poderia intervir a Anistia Internacional e outras organizações de direitos humanos que questionam o verdadeiro trabalho de Mariela, além do imediato declínio físico por causa da nossa greve de fome

Isto é o que os assusta por conduzirem uma política falsa e “homofóbica”, as mentiras, abusos e violações dos direitos humanos acabar voltando contra eles mesmos.

Hoje Belkis e eu estamos passando mal de saúde. Entre as surpresas, o medo de voltar à cadeia, a fobia da polícia e da Agência de Segurança de Estado Cubano, a falta de apetite e insônia, são seqüelas que atormentarão as nossas vidas por um bom tempo.

E enquanto eu conseguir as forças para apoiar o Belkis, sem demonstrar covardia, se eu mostro que estou a reverter os riscos profissionais que estou correndo, isso tudo afetará o nosso futuro.

Observação: Belkis Belin não quis colocar sua foto no Blog por ter medo de represálias por parte da Agência de Segurança do Estado.

Referências:

MISCELANEASDECUBA. La Odisea pre Mr Gay Habana. DELGADO, Mario Jose Gonzalez: 23/09/09. Disponível em: <http://www.miscelaneasdecuba.net/web/article.asp?artID=23054>. Acesso em: 24/09/09.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Existe a Homossexualidade no Tora?

O artigo abaixo foi obtido do site "JGBR - Judeus Gays Brasileiros", que infelizmente não está mais disponível. A autoria pertencente está escrita nas referências.
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O propósito destes simples comentários não é buscar uma justificativa na Bíblia para apoiar qualquer tipo de atividade sexual. Sinceramente, não preciso disso, já que sinto o amor de Deus como expressão de amor, de forma plena e também através da minha sexualidade. Cabe mencionar que incluo citações bíblicas, comentários de vários autores, reflexões pessoais, enfim, tudo o que empregarei pessoalmente para ajudar outras pessoas que se sentem angustiadas pelo aparente dilema de escolher entre sua homossexualidade e sua relação com D’us e sua sinagoga.

O uso da Bíblia como provedora do alimento espiritual foi eclipsado várias vezes devido a más interpretações. Mostra disso é a maneira como foi usada para justificar a escravidão ou impor monarquias abusivas nos séculos passados. No entanto, pouco a pouco foi encontrada a verdadeira interpretação destes temas, até se chegar ao ponto de eliminar por completo todas as falsas interpretações. Porém, infelizmente, não acontecesse o mesmo com a homossexualidade, que ainda é condenada em muitas sinagogas do mundo.

O uso de dados bíblicos tem suas limitações, como aponta um Rabino. Por um lado, as Escrituras estão histórica e culturalmente limitadas. Por outro lado, não seria aceitável uma tese baseada apenas em textos isolados fora de contexto.

Podemos aceitar, sem mais nem menos, o que nas traduções da Bíblia é denominado homossexualidade, dando por certo que o pensamento dos autores bíblicos implicava o que entendemos hoje por tal?

A respeito da interpretação das Sagradas Escrituras, dado que nelas D’us fala através dos homens e de uma forma humana, o intérprete destas deveria - para ver com clareza o que D’us queria comunicar - investigar, com o máximo de cuidado, o que os autores sagrados queriam dizer na realidade e o que D’us desejava manifestar por meio de suas palavras.

Poderíamos nos perguntar de maneira simples: como é possível que a palavra "homossexual", que surgiu no século passado, seja usada em textos de dois mil anos de antigüidade? De fato, sodomita foi a palavra que encontramos nas primeiras traduções modernas, mas não nos textos originais...

Textos da Torá

Ao anoitecer vieram dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava Lot assentado. Este, quando os viu, levantou-se e, indo ao seu encontro, prostou-se, rosto em terra e disse-lhes: "Meus senhores, vinde para a casa de vosso servo, pernoitai e lavai os vossos pés nela. Levantar-vos-eis de madrugada e seguireis vosso caminho." Porém, eles disseram: "Não, passaremos a noite na praça." No entanto Lot insistiu muito e, por fim, eles aceitaram ir à casa dele, deu-lhes um bom jantar, fez assar uns pães e eles comeram. Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, assim os moços como os velhos, sim todo povo de todos os lados. E chamaram por Lot e disseram: " Onde estão os homens que à noite entraram em tua casa? Traze-los para fora. Queremos deitar com eles." Saiu então Lot à porta, fechou-a e lhes disse: "Rogo-vos, meus amigos, que não façais algo tão perverso. Tenho duas filhas virgens, e vo-las trarei para que façam com elas o que quiserem, porém nada façais a estes homens, porque são meus convidados." Eles disseram: "retira-te daí. Só faltava que um estrangeiro como tu quisesse mandar em nós. A ti, pois, faremos pior do que a eles." E arremessaram-se contra Lot e se chegaram para arrobar a porta. Porém, os visitantes, estendendo a mão, fizeram entrar Lot fecharam a porta e deixaram cegos os que estavam fora, desde o menor até o maior, de modo que se cansaram à procura da porta. Então, disseram os homens a Lot: "Tens aqui alguém mais dos teus? Genros e teus filhos e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair, pois vamos destruir este lugar, porque seu clamor tem aumentado, chegando até a presença do Senhor. E o Senhor nos enviou para destruí-lo." Então saiu Lot e falou a seus genros, aos que estavam para casar com suas filhas, e disse: "Levantai-vos, saíde deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade." Acharam porém que ele gracejava. Como estava amanhecendo, os anjos disseram a Lot: " Levanta-te, toma sua mulher e tuas filhas que aqui se encontram, para que não pereças no castigo da cidade."

Esta é a passagem mais antiga que, geralmente, foi usada para justificar a perseguição, encarceramento e morte de milhares de homossexuais. Pois bem, vejamos:

Como é possível que todos, desde o mais jovem até o mais velho, tenham sido homossexuais se o número estimado nas cidades é de aproximadamente 10% de homossexuais mais ou menos discretos? Além disso, o versículo 14 diz que Lot tinha genros prometidos para suas filhas. Consequentemente, poderíamos ver aqui homossexuais como os de hoje em pequeno número, ou um fenômeno social de homossexualidade como meio de abuso, violência ou falta de hospitalidade? Esta pergunta pode ser respondida ao ver-se, por exemplo, que o próprio Lot ofereceu suas filhas como último recurso para acalmar a luxúria dos sadomitas, mas eles não aceitaram e disseram que iam fazer pior com ele do que com os outros. Certamente, não lhe fizeram nada sexual, porém, como indica o versículo 9, começaram a "maltratá-lo", isto é cometeram violência e abuso. Os versículos 11 e 12 do Gênesis mostram que deixaram cegos a todos e que estes se cansaram de procurar a porta. Então, era a violência e não o impulso sexual que os fazia continuar procurando a porta depois de ficarem cegos.

Encontramos outro exemplo similar a este em Juizes 19:15-26.

Depois de caminhar muito para não ficar em uma cidade pagã, mas numa cidade israelita, por fim, o levita, sua concubina e sua criada chegaram a uma cidade israelita, onde supostamente encontrariam hospitalidade e isto aconteceu...

15 Retiraram-se para a Gibeá, a fim de nela passarem a noite. Entrando nela, o levita assentou-se na praça da cidade, porque não houve quem os recolhesse em casa para ali pernoitarem.

Eis que, ao anoitecer, vinha do seu trabalho do campo um homem velho; era este da região montanhosa de Efraim e vivia ali como forasteiro, pois os que viviam em Gibeá eram das tribos de Benjamim. Quando o ancião viu o viajante na praça, perguntou:

- De onde vens e para onde vais?

E o levita respondeu:

- Estamos de passagem. Viemos de Belém de Judá, e vamos para a parte mais distante dos montes de Efraim, onde vivo. Estive em Belém, e agora regresso a casa, mas não encontrei aqui ninguém que me dê alojamento. Temos palha e pasto para os nossos jumentos, e pão e vinho para nós. Não há falta de coisa nenhuma.

Porém o velho respondeu:

- A paz esteja contigo, tudo quanto vier a faltar que fique a meu cargo. Não vou permitir que passes a noite na praça.

O velho levou-os para casa e, enquanto os viajantes lavavam os pés, comiam e bebiam, ele deu de comer aos jumentos.

No momento em que estavam mais contentes, e eis que uns homens pervertidos da cidade cercaram a casa, começaram a bater na porta e disseram ao velho dono da casa:

- Traze para fora o homem que tens em tua casa! Queremos dormir com ele!

Porém o dono da casa pediu:

- Não, meus amigos, por favor! Não cometam tal perversidade, já que este homem é meu hóspede. Ai está minha filha que ainda é virgem e a concubina dele. Vou trazê-las para fora, para que as humilhem e façam com elas o que quiserem. Porém, com este homem, não comentam tal perversidade.

25 Porém, eles não quiseram ouvir. Então, o levita pegou a concubina e a deixou na rua e eles a violaram e abusaram dela a noite toda até pela manhã. Então, a deixaram.

26 Ao romper a manhã, a mulher regressou à casa do ancião, onde estava seu marido, e caiu morta diante da porta.

É surpreendente a semelhança deste relato com o do Gênesis, só que aqui houve sim um crime sexual e ninguém emprega este relato para condenar a heterossexualidade. A violência e a falta de hospitalidade é que são é que são condenadas. Este ponto de vista também é compartilhado por um médico, que considera que o pecado dos sadomitas não tem, necessariamente, uma conotação sexual, mas que poderia ser interpretado como uma violação da hospitalidade. Para se fazer notar isto, a Bíblia na passagem anterior (Gênesis, 18) dá um exemplo do que deveria ter sido feito em Sodoma: mostrar hospitalidade a estes mesmos anjos. Estes dois capítulos estão postos, não por coincidência, diante de nós, como contraste e exemplo do que se deve fazer e para ressaltar o pecado dessas cidades: a falta de hospitalidade.

Longe de falar de amor entre pessoas do mesmo sexo, fala de violência. A história nos conta que alguns exércitos abusavam sexualmente do exército derrotado em sinal de humilhação e subserviência. Na Bíblia, há cerca de cinqüenta referências à Sodoma e somente uma esta relacionada com atos sexuais: Judas, 7, que diz:

Como Sodoma e Gomorra, as cidades circunvizinhas se entregaram à prostituição (grego: ekporneúsasai) e se deixaram levar por vícios contra a natureza (grego: sarkós hetéras). Por isso, sofreram o castigo do fogo eterno e serviram de exemplo a todos.

A tradução mais correta é a de algumas versões que usaram “carne diferente”: sarkós é carne e hetéras é diferente. De fato, esta última dá origem à palavra heterossexual. A Bíblia de Jerusalém oferece uma boa explicação do termo “carne diferente”:

Carne que não era humana, posto que seu pecado tinha sido o de querer abusar dos anjos.

O apócrifo Testamento dos Doze Patriarcas, semelhantemente a Judas, 6-7, menciona, ao mesmo tempo, o pecado dos anjos e o de Sodoma. Judas, ao que parece, faz alusão aos anjos mencionados em Gênesis, 6, que tomaram corpos humanos e fizeram sexo com mulheres, e daí nasceram gigantes violentos, chamados nefilim, que foi uma das razoões pelas quais a Terra foi destruída pelo dilúvio. Ao que parece, cita o Livro de Henoc, como mostram os versículos 14 e 15, no qual está escrito com detalhes o castigo dos anjos, que criaram corpos humanos e fizeram sexo contra sua natureza espiritual, ou com carne diferente. Pelo simples fato de serem eles anjos, como em Sodoma, esse era um ato antinatural: uma criatura humana querer sexo com uma criatura celestial vai contra a natureza de ambos, em especial, como cita Judas, para os anjos, porque eles não se reproduzem, não lhes foi dado um corpo com o qual pudessem ter práticas sexuais.

No entanto, há muitos textos mais que apontam qual foi a verdadeira causa da destruição destas cidades. Um exemplo disso são os livros deuterocanônicos de Sabedoria, 19:13-14 e Eclisiastes, 16:8, que contam a falta de hospitalidade e o orgulho foram as causas. Da mesma maneira os profetas, como Ezequiel, apontam também qual foi a causa. Ezequiel, 16:46-49 diz:

46 E tua irmã, a maior, é Samaria, que habita a tua esquerda com suas filhas; e a tua irmã, a menor, que habita a tua mão direita, É Sodoma e suas filhas.

47 Todavia não só andaste nos seus caminhos, nem só fizeste segundo suas abominações; mas como se isto fora pouco, ainda te corrompeste mais do que elas.

48 Tão certo quanto eu vivo, diz o Senhor D´us, não fez Sodoma tua irmã, nem e suas filhas, como tu fizeste e também tua filha.

49 Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: ela e suas aldeias sentiam-se orgulhosas por terem mais abundância de alimentos e por gozarem de tranqüilidade, mais nunca ajudaram nem ao pobre, nem ao necessitado.

O versículo indica de maneira clara qual foi o pecado, e este ao está relacionado ao sexo.

Porém como os cristãos, podemos nos perguntar o que disse Jesus a respeito desta cidade. Encontramos a resposta em Lucas, 10:12 e em Mateus, 10:14-15, que nos diz:

14 E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saiam da quela casa ou cidade e sacudam o pó de seus pés.

15 Em verdade vos digo que, no dia do juízo, o castigo para essa cidade será pior que para a gente da região de Sodoma e Gomorra.

Mais uma vez, fala-se da falta de hospitalidade. Sim, como vimos, essa interpretação do verdadeiro pecado de Sodoma é correta, encontramo-nos diante de um dos paradoxos mais irônicos da história. Durante milhares de anos, o homossexual tem sido vítima da falta de hospitalidade. Condenado por sinagogas, sofreu perseguição, tortura e, inclusive, a morte. Em nome de uma interpretação errônea do crime de Sodoma e Gomorra, repetiu-se e continua se repetindo diariamente o mesmo crime.

Porém continuemos analisando textos da Torá

Não te deite com um homem como se deita com uma mulher. Isto é um ato infame (Levítico 18:22 e 20:13).

Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, condenará os dois à morte e serão responsáveis por sua própria morte, pois cometeram um ato infame (Levítico 18:22).

Para começar, estes textos não dizem que se comete um pecado. Falam de “um ato infame” em algumas versões ou, segundo outras, “uma abominação” ou um “ato impuro”. Um pecado é muito diferente de um ato abominável. O Levítico era como um muro que distinguia Israel das cidades que a rodeavam, não somente pelas regras sanitárias, como por algo ainda mais importante, relacionado com as regras de pureza espiritual e adoração. Estas últimas são as questões vinculadas aos atos homossexuais, já que estes eram conhecidos sob dois aspectos: como humilhação e como um ato de idolatria, conforme veremos com mais detalhes.

Nesses textos é usada a palavra ToEVAH, a qual está sempre associada à idolatria e não ao pecado, denominado pelo termo ZIMAH. E não só é pecado, como também é injusto usar atualmente o mesmo texto que era aplicado a uma nação há milhares de anos. Se nós podemos fazer isto, então teremos também que aplicar os qualificativos de abominável ou impuro, segundo o mesmo livro do Levítico, aos seguintes atos:

- Comer carne de porco (11:2, 7; 31-33);
- Misturar dois tipos de tecidos (19:19);
- Raspar as costeletas (19:27);
- Fazer tatuagens (19:28);
- Comer camarão, lagostim, avestruz ou coelho (11:2-16;31-33);
- Aparar as pontas da barba (19:27);
- Comer coisas com sangue (19:26);
- Ter um filho e, pior ainda, ter uma filha (12:2-6);
- Semear a terra com mistura de sementes (19:19);
- Polução noturna (22:4);
- A menstruação feminina (15:19-23);
- Tocar em uma mulher menstruada (15:24)

E também muitas coisas que todos nós fazemos hoje. No caso de condenação à morte, esta também deveria ser a aplicada a:

- Os filhos que amaldiçoem os pais (20:14);
- Os adúlteros (20:10);
- As relações sexuais durante o período menstrual (20:18);
- Os filhos bêbados (Deuteronômio, 21:18-21);
- Pessoas que tivessem relações com animais (20:16)

Para ressaltar que essas leis tinham o propósito de manter limpo espiritualmente o povo de Israel, consideramos como exemplo, as relações sexuais com animais, os quais eram mortos depois destas.Algo parecido acontecia com os recipientes de barro que fossem tocados por uma mulher menstruada, que teriam de ser quebrados. E, se um homem abusasse de um garoto, ambos eram castigados com a morte, não importando se a criança consentiu ou não. Poderíamos pensar que tanto o animal quanto os objetos não tinham nenhuma responsabilidade por ficar “imundos”. No entanto, isso é compreendido ao descobrirmos que não é uma questão de “moral”, mas sim, da pureza espiritual que esse povo especial de D´us deveria ter.

Então considerando o anterior, que não é “impuro” ou cometeu atos “infames” segundo o Levítico? Ninguém. Além do mais, como o mesmo texto indica, eram coisas que deveriam deixar de fazer, não porque todas fossem más, senão porque era o que as nações pagãs que os rodeavam faziam em seus rituais a outros deuses pagãos. Este foi o aviso:

Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Cannã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. (Levítico, 18:3;18:24-30;20:23).

Além disso devemos considerar o momento histórico: todos os atos homossexuais conhecidos pertenciam à homossexualidade cultual do Egito e Cannã, o qual não se assemelhava à relação de dois adultos, que se amam e se respeitam e que desejam se unir, apoiar e crescer juntos. Consideramos também que, para o povo Israelita, ter filhos era uma grande benção. D´us prometeu a Abraão que sua descendência seria como os grãos de areia no mar e as estrelas nos céus. Da mesma forma, nesses tempos, Israel se converteu num povo guerreiro. Para poder conquistar a Terra Prometida, tinha que contar com guerreiros, procriar bastante e casais homossexuais limitariam demais a realização, dessas medidas, sem falar que os judeus não podiam ver a homossexualidade como viram os gregos e romanos mais adiante.

Para destacar que conheciam a homossexualidade como uma prática idólatra, analisaremos o seguinte texto:

Havia também na terra prostitutos cultuais, que faziam todas as coisas abomináveis que o Senhor expulsara de diante dos filhos de Israel (1 Reis, 14:24).

Em algumas versões este texto está traduzido como prostitutos, homens afeminados, sadomitas e homossexuais no lugar de prostitutos sagrados ou de templo (Deuteronômio, 23:17-18, 1 Reis, 15:12 e 22:46; 2 Reis 23:7). A palavra hebraica usada é kadesh, que se descobriu que descreve os prostitutos do templo, isto é, pessoas que, sem importar a orientação sexual, tinham sexo com homens e mulheres com a finalidade de adorar seu Deus. Agora, nas novas versões, em vez de usar “prostitutos sagrados” usam a palavra “homossexual”. Para justificar sua intolerância, manipulam e mudam estes textos que não se referem ao homossexual, nem a sexualidade, mas à idolatria.

Certo, temos a vantagem dos milhares de anos transcorridos e um conhecimento muito maior de D´us e de sua relação com a humanidade, para não mais nos atermos a regras tão meticulosas dadas a um povo que as necessitava.

Bom, no “Novo Testamento”, encontramos os escritos de Paulo. Paulo nasceu em Tarso (hoje Turquia) e seus pais, fiéis cumpridores da religião judaica, chamaram-no Saulo, como o antigo rei hebreu, e ao oitavo dia foi circuncidado, conforme estipulava a lei judaica. Foi educado com o maior rigor, de acordo com a interpretação farisaica da lei e, sendo um judeu jovem da Diáspora (dispersão dos judeus no mundo greco-romano), escolheu o nome latino de Paulo, pela similitude fonética com o seu.

Suas cartas refletem um conhecimento profundo da retórica grega, algo que, sem dúvida, aprendeu quando jovem em Tarso, mas seus modelos de pensamento refletem também uma educação formal na lei mosaica, quem sabe recebida em Jerusalém do famoso mestre Gamaliel, o Velho, durante a preparação para se converter em rabino. Destacado estudioso da lei e defensor tenaz da ortodoxia judaica (Gálatas, 1:14: Filipenses, 3,:6), seu ciúme o levou a perseguir a incipiente Igreja Cristã por considera-la uma seita hebraica que deveria ser destruída, por ser contrária à lei (Gálatas, 1:13).

Qualquer tentativa de resumir a pensamento de Paulo enfrentaria vários obstáculos, em particular o fato de que suas cartas eram dirigidas a uma comunidade determinada, abordando seus problemas específicos, com a finalidade de corrigir seus erros. Paulo, como bom judeu, com o conhecimento da lei, adotou o ponto de vista que vemos em todo a Tora: separar o povo de Deus dos outros povos pagãos que rodeavam, para não cair em práticas de idolatria. Vejamos, pois, estes textos:

24 Pelo que também Deus os abandonou aos desejos impuros que há neles e praticaram ações vergonhosas entre si.

25 Pois mudaram a verdade de D´us em mentira, e honraram e serviram mais à criatura do que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém.

Pelo que D´us os abandonou às paixões vergonhosas. Até suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.

E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos o castigo merecido por usa perversão (Romanos, 1:24-27).

Por ser cidadão romano, Paulo conhecia as práticas destes e, evidentemente, devido à sua origem judaica, devia parecer-lhe chocante a homossexualidade aberta que presenciou na Grécia. Seu argumento principal e constante foi que o predomínio das práticas de homossexualidade era indício do afastamento de D´us. Sustenta que este, tal qual sua consistência o entende, é o resultado da idolatria. A pessoa não é idolatra por que é homossexual. No entanto, participa de atividades homossexuais por que é idólatra. D´us castiga o idólatra entregando-o a seu egoísmo e suas paixões. Parece que Paulo trata das atividades de homossexualidade unicamente no contexto da idolatria. O código de santidade (Levítico) estabelece com clareza a conexão entre idolatria e atividade homossexual.

Referências

JGBR. Existe a homossexualidade na Tora? RISENFELD, Rinna. Obtido em:<http://www.jgbr.com.br/>. Acesso em: 04/06/2004. (site não mais disponível)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Adolescentes são levados à Delegacia por se beijar na escola.

CUBA - Dois adolescentes masculinos foram levados nesta sexta-feira (11/09/09) à Delegacia Policial de Dragones por terem sido surpreendidos ao se beijarem e trocando carícias com as camisas abertas no banheiro da Escola de la Manzana de Gomes.

O policial os pegou em flagrante quando se dirigiu ao banheiro para urinar. Ao encontrá-los, armou um escândalo de tais proporções que as outras pessoas pensaram que o mundo iria acabar. Este policial ofendeu aos garotos, que não ficaram em silêncio e responderam a um empurrão dado a um dos garotos, motivando os dois a pularem em cima do policial, batendo-lhe com a mochila escolar. “Chamamos a polícia e os garotos foram levados”, disse Rene Suarez, professor emergente do Centro Estudantil.
Os estudantes foram mantidos em um "calabouço*" do meio-dia até às 18h00, quando seus pais foram buscá-los.
Bilma Acosta, mãe de um dos estudantes, declarou que seu filho e seu namorado decidiram nunca mais voltar à escola e passar o resto do curso sem estudar, em função da punição pública que os garotos sofreram. A mãe salienta ainda que até este momento nenhum professor havia ido até a casa dos alunos para incentivá-los a voltar às aulas. “O chefe de setor me ameaçou, dizendo-me que se o moleque não voltará para a escola por causa de suas viadagens, e que isso vai me meter em perigo e poderia ser presa”, conclui a mãe.

Fonte: Informou sobre este caso o correspondente Aliomar Janjaque Chivaz, via e-mail, em 14/09/09.
* A expressão usada originalmente pelo autor foi "Calabozo".

ICM "apresenta" confirmações de que Jesus teria curado homossexuais

Um interesse muito forte em procurar passagens nas Escrituras Sagradas que pudessem levar à confirmação da apreciação de Jesus Cristo sobre a homossexualidade tem se desenvolvido nas últimas décadas. Nesta semana, uma informação divulgada no site PINKNEWS, noticiou que a Igreja Comunitária Metropolitana - ICM fez uma campanha intitulada “Jesus discriminaria?”. Nesta campanha, é apresentado referencias da Bíblia Sagrada, como MT 8: 5-13 e AT 8: 26-40. O objetivo deste artigo não visa simplesmente respaldar ou refutar as afirmações da ICM, mas, fazer uma análise dentro do contexto assegurado pela doutrina católica. Analisemos primeiro o que diz a Bíblia e depois os argumentos da ICM.

Os versículos apresentados do livro de Mateus, conta a história de um soldado romano que pediu a Jesus que fosse até a casa dele, para curar seu escravo doente. E Jesus o curou. Entretanto, a interpretação católica usual que se tem desse fato é a seguinte: “atento ao pedido de um pagão, Jesus mostra que as fronteiras do Reino vão muito além do mundo estreito da pertença a uma origem privilegiada. A fronteira agora é a de fé na palavra libertadora de Jesus. Mesmo pertencendo ao grupo dos que se consideram salvos, se não houver essa fé, também não haverá possibilidade de entrar no Reino de Deus”.

No caso do livro Atos dos Apóstolos, refere-se à abordagem de Iniciação Cristã na Igreja antiga. Um anjo manda Filipe fazer uma viagem de Jerusalém para Gaza e ele foi. No caminho encontra-se com um eunuco etíope que estava peregrinando até Jerusalém, lendo o profeta Isaías, mas sem compreender. Filipe explica-lhe a passagem que estava lendo. Ao compreender, ele pede para ser batizado, o Espírito Santo arrebatou Filipe e o eunuco nunca mais o viu. Novamente, a interpretação que se tem deste trecho bíblico é de que: “a conversão de um eunuco etíope mostra que a fé cristã quebra todas as barreiras, tanto raciais (o etíope é negro), como nacionais (ele é estrangeiro), tanto sociais (tratava-se de escravo) como religiosas (o judaísmo não permitia que uma pessoa mutilada pertencesse à comunidade). Além disso, o episódio mostra como se realizava uma iniciação na Igreja primitiva: encontro, anúncio, catequese e batismo. De um lado, as pessoas que buscam algo ou alguém que lhes dê sentido para a vida; de outro o missionário obedece ao Espírito, que indica o momento e o lugar oportuno para esclarecer quem as pessoas buscam e para fazer o grande anuncio. Não basta ler e estudar a Sagrada Escritura. É necessário que alguém abra a perspectiva da fé para mostrar que a Bíblia, espelho da experiência humana, é o anuncio de Jesus. O rito do batismo é o sinal que exprime a aceitação de que Jesus é o novo sentido para a vida do batizado”.

Entretanto, segundo a notícia, a ICM afirma que os versículos em Mateus 8:5-13 e Lucas 7:1-10 referem-se a um “centurião que é gay, dizendo que a palavra usada para descrever o seu servo doente - pais - é uma antiga palavra grega para parceiros do mesmo sexo. Na história, Jesus curou o homem, que, segundo a ICM, mostra que ele não discriminam os homossexuais.” Já no caso dos versículos citados em Atos 8: 26-40, a ICM alega que “é óbvio que o eunuco é gay”. Segundo o site PINKNEWS, “Um comunicado no site da igreja [comunitária metropolitana] diz: "Ao longo da história do cristianismo, muitas instituições religiosas têm utilizado a sua interpretação da Bíblia para justificar a discriminação contra mulheres, minorias étnicas e pessoas com uma orientação sexual diferente e / ou questões de identidade”.

Minha avaliação é de que, é ridícula a idéia de que os romanos tivessem escravos apenas para sua vontade sexual. Poder-se-ia alegar até que o romano procurou Jesus porque se incomodava com a idéia de que estava prestes a perder uma propriedade que lhe pertencia (o escravo), por conta de uma enfermidade. No entanto, o fato de o romano ter procurado Jesus para salvá-lo, pode indicar, certamente, que o romano tinha sim um mínimo de respeito pelo seu escravo. Porem, a alegação de que este escravo deve ter sido seu parceiro afetivo, é demasiadamente vago. No caso do eunuco, a situação é mais complexa uma vez que, ser eunuco não significa necessariamente que a pessoa referida na Bíblia era de fato homossexual. Mesmo nos dias de hoje, a prática de remover os testículos ou o corpo do pênis não é um costume de quem é homossexual. Pelo contrário, basta olhar ao redor e notar que as pessoas querem manter seus órgãos sexuais o mais intacto possível, evidentemente, para utilizá-los.

Existem pelo menos três situações distintas para o eunuco, sendo a remoção (ou ausência) de sua genitália decorrente de necessidade médica demandante da remoção dos órgãos, ou porque a pessoa nasceu com essa condição (hermafrodita), ou ainda, tenha deliberadamente removido seu órgão sexual (transexual). Mesmo considerando a suspeita de se tratar de um transexual, novamente fica difícil, senão impossível, estimar que o eunuco referido na Bíblia se tratasse de um transexual. Isto será mais investigado a seguir.

No entanto, há ainda uma outra passagem nas Escrituras Sagradas não citadas na notícia, e se referem aos eunucos. Segundo em Mateus 19-12, Jesus afirma que “De fato há homens castrados, porque nasceram assim; outros ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda”. Mesmo que o texto seja interpretado literalmente, indicaria apenas de que Jesus conhecia o fato de que há pessoas eunucas que nascera nessa condição (hermafroditismo) e há quem escolha remover sua genitália para se concentrar em servir ao Senhor. Esta passagem é esclarecedora, porque reflete sobre à problemática da questão anterior. Não existem transexuais “a serviço de Deus”, aniquilando portanto, essa possibilidade de interpretação na história do eunuco batizado pelo Filipe.

Em suma, minhas considerações finais é de que não parece haver nenhuma confirmação da Bíblia sobre os trechos citados pela notícia sobre as declarações da Igreja Comunitária Metropolitana. Há sim trechos que permitem a abertura de muitas interpretações, mas a confrontação com outras passagens da Bíblica parece ajudar a remover algumas dúvidas.

Referências:

PINKNEWS. Gay-friendly church asks 'Would Jesus discriminate?' Publicado em: 10/09/2009. Disponível em: http://www.pinknews.co.uk/news/articles/2005-14012.html. Acesso em: 11/09/2009.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

OPERAÇÕES POLICIAIS CONTRA HOMOSSEXUAIS EM HAVANA.

Por Aliomar Janjaque Chivaz , Presidente da Fundação Cubana LGBT (informado em 08/09/09)



"Faz tempo que não se passava algo semelhante aqui, eles podiam pegar na entrada , mas havia muito tempo que não chegavam até a água para nos prender e nos enfiar nos caminhões", disse Alexia Guzman, lésbica independente, presa na enseada e multada em 120 pesos por ser surpreendida beijando sua parceira.

Três carros de patrulha cercou o local e os pelotões de guardas começaram a correr atrás dos homossexuais que tentavam escapar para não serem presos.

"Parecia uma caça às bruxas, tudo o que vivi era mais que desumano, foi imensamente triste, eu tenho 42 anos e minha parceira 44, e nesta idade quem vai me dizer que não posso beijar a pessoa que amo e com quem quero formar uma família, apesar de não sermos casadas legalmente.


Na Playa del Chivo, localizada na saída leste do túnel de Havana, foi o cenário do concurso de beleza "Mr Gay Habana" no último 29 de agosto, realizado pelo Comitê Gestor do concurso e patrocinado pela Direção Nacional da Fundação Cubana LGBT.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vencedor do concurso "Mr. Gay Habana" é levado ao interrogatório.

O estudante de medicina Rafael Chávez González (foto), vencedor do premio "Mr. Gay-Havana" foi levado nesta tarde de quinta-feira à interrogatório pelos oficiais da agência cubana de Segurança do Estado (uma versão comunista da Gestapo) por participar no "ilegal" concurso de beleza "Mr. Gay Habana", ocorrido no dia 29 de agosto na Praia del Chivo (Praia do Bode).

Disseram-me que a Fundação cubana LGBT era uma organização que buscava a derrubada da Revolução, e que o "Mr. Gay" era um invento, uma de tantas falácias do capitalismo, que não era um evento sério em nenhuma parte do mundo, e não entendiam como um estudante de medicina formado pela Revolução podia estar fazendo o "jogo" contra-revolucionário.

Disseram-me que o melhor que eu podia fazer era denunciar publicamente que tudo havia sido uma farsa, e o que se passou na Playa del Chivo foi uma montagem liderada por homossexuais contra-revolucionários da Flórida, e eles poderiam provar que por trás de tudo isso estava as mãos do contra-revolucionário homossexual Efrein Martines, tentando desviar mais uma vez a atenção com alegações de violações de direitos humanos em Havana.

Apenas me deixaram falar, era impossível fazê-los entender que uma atividade tinha um caráter nitidamente cultural, que nunca fomos enganados por ninguém, que os organizadores do evento deixaram claro por muitas vezes que era possível todos sofrerem represálias por participar do evento. Eles nos disseram o que se passou na casa do vice-presidente da Fundação Reinaldo Arenas, contaram como a polícia quebrou e confiscou equipamentos eletrônicos da casa (Televisão, computador e um ventilador roubado), razão pela qual alguns não foram ao evento por medo.


Me ofenderam quando eu disse que o evento foi aberto e transparente, que foram os mesmos espectadores quem selecionaram os vencedores, que eu pude ver como a direção da Fundação formatou na frente de todos o único cartão de memória [de câmera digital fotográfica] que tinham para entregá-la como prêmio, uma memória que o governo vende numa loja a um preço de 30 ou 40 CUC, impossível de comprar por um estudante proveniente de uma família que anda descalça. Foi então quando me perguntaram se eu estava interessado em concluir minha carreira de medicina, disseram que todos os médicos cubanos devem estar comprometidos com a Revolução e que devem ter uma consciência revolucionária inabalável, disse que nunca irá permitir um estudante de medicina cubano apoiar a contra-revolução orquestrada na Flórida.

Só espero que não me privem de estudar medicina apenas por competir em um concurso de beleza.

Além disso, Mario José Delgado González, vice-presidente da Fundação cubana LGBT, que foi golpeado e preso por mais de 13 dias por participar da organização do evento "Mr. Gay Habana", depois de ter sido libertado, negaram-lhe o direito de continuar estudando Sociologia.

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Fonte: MISCELANEASDECUBA. LLEVAN A INTERROGATORIO A ESTUDIANTE DE MEDICINA PREMIO Mr. GAY HABANA: JANJAQUE, Aliomar Chivaz, 04/09/09. Disponível em: <http://www.miscelaneasdecuba.net/web/article.asp?artID=22650>. Acesso em: 04/09/09.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A influência marxista nos "movimentos sociais"...

O artigo abaixo em si não fala absolutamente NADA sobre homossexualidade. Mas fala sobre como o socialismo influencia no pensamento filosófico utópico pró-ambiental. Certa vez um amigo meu me questionou duvidando que os socialistas fossem capazes de influenciar a opinião de tantas pessoas, a ponto destas mesmas nem se darem por conta. Talvez seja mais fácil entender sobre como essa influência socialista incide sobre movimentos gays, tomando por análise um “outro movimento”, no caso, os ambientalistas.

E, no final da mensagem, você pode verificar um vídeo disponibilizado no You Tube, "A grande farsa do Aquecimento Global" (há várias partes dele).


Fraude em verde e vermelho – Henrique Dmyterko.

Fonte: MIDIA@MAIS. Fraude em verde e amarelo: opinião e cultura. DMYTERKO, Henrique: 19 de Agosto de 2009. Disponível em: <http://www.midiaamais.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=985&Itemid=57>. Acesso em: 2/09/09.


Eu deixei a organização em 1986, depois de quinze anos como membro de seu comitê superior. Eu fui um dos seus cinco diretores internacionais durante os últimos seis anos em que lá estive. Eu passei a me sentir desconfortável com os rumos tomados por meus colegas diretores, em particular quando me dei conta de que eu era o único com educação científica dentre os diretores internacionais  da organização. Eu também queria deixar para trás a política de confrontação, que se resume a dizer às pessoas aquilo que elas deveriam parar de fazer. Além disso, o grupo tinha decidido fazer campanha pelo banimento do uso do cloro. Eu lhes perguntei se eles estavam cientes de que o cloro é parte da tabela periódica de elementos químicos e que o cloro contribuiu para um  avanço na área de saúde pública uma vez que os antibióticos são baseados na química do cloro. Até hoje a política deles é pelo banimento do cloro e eu tive de sair. O cloro é o mais importante elemento químico para a saúde humana... ele é tóxico para as bactérias e para outras coisas que podem nos matar. [...]

[...] O mais recente ‘veneno invisível’, segundo a organização, são os alimentos geneticamente modificados. Essa é uma campanha completamente fabricada, sem nenhuma base. Se não fosse assunto tão sério, seria risível. Muitos povos pobres ao redor do mundo têm no  arroz a sua dieta básica e, portanto, têm deficiência de vitamina A, o que pode levar à cegueira. Cientistas criaram um arroz geneticamente modificado, conhecido como golden rice, que contém beta-caroteno (vitamina C) e vitamina A. A organização conseguiu bloquear a campanha para a introdução do golden rice nos países em desenvolvimento onde agricultores poderiam receber as sementes de graça. [...]

[...] A segunda metade dos anos 1980 transformou-se numa era de extremismo ambientalista. Os extremistas [neo-marxistas, segundo o Prof. Ian Plimer, em seu livro Heaven and Earth: Global Warming, The Missing Science, p.437] são fáceis de identificar na medida em que são anti-seres humanos, anti-ciência, anti-tecnologia, anti-globalização, anti-empresas, anti-capitalista e, pura e simplesmente, anti-civilização. [...]

[...] Enquanto a sociedade sabe que suas indústrias liberam gases na atmosfera e que as temperaturas foram mais altas nas décadas de 1980 e 1990, não está claro que a atividade humana é a causa desses incrementos na temperatura. Gráficos referentes a um bilhão de anos de mudanças climáticas mostram períodos quentes conhecidos como estágios estufa e períodos frios, chamados de eras glaciais. Os níveis de CO2 variaram enormemente ao longo do tempo. [...] O truque está na escolha do período de tempo. […] Na verdade, os níveis de CO2 atuais são menores do que em qualquer outro período da história da vida [neste planeta]. [...] A média é sete vezes e meia mais alta do que a atual".

A organização acima referida é o Greenpeace International, e as declarações foram dadas a dois jornais diferentes, em 07 de julho de 2008 e em 06 de fevereiro de 2009, por ninguém menos do que o Dr. Patrick Moore, um de seus fundadores.  Patrick Moore hoje se considera um "ambientalista sensato", a ponto de defender a construção de mais usinas nucleares como fontes seguras de energia e de afirmar que a fanfarra sobre o desmatamento da Amazônia brasileira não tem base em fatos, mas segue uma agenda política.

Tão interessantes e importantes quanto o fato de que essas declarações tenham partido de um ex-alto dirigente da mais notória organização ativista verde (cerca de 100 milhões de membros no mundo todo), são a época em que se deu o rompimento entre Patrick Moore e o Greenpeace e o padrão de sua composição diretiva: a segunda metade da década de 1980 e a quase ausência de cientistas em favor da presença de ativistas políticos.

Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o fim da chamada Guerra Fria (não o fim do movimento comunista, que está vivo e passa muito bem), o movimento pelo fim das armas nucleares [Stop the Bomb], em grande medida financiado e/ou dirigido pela antiga URSS, ficou sem causa para defender. Pelo menos sem causa que pudesse ser levada adiante na mídia, sempre ávida por catástrofes iminentes.

Coincidentemente, e para a felicidade dos órfãos verdes, um pouco antes surgira uma nova e alarmante tese, a do aquecimento global antropogênico. Em 1988,  a ONU criava o IPCC –Intergovernmental Panel on Climate Change [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], que deu a oportunidade para os grupos ambientalistas transformarem o aquecimento global em seu tema principal. Em 1989, o aquecimento era um assunto quente e uma comissão do senado americano sobre ciência e tecnologia, presidida pelo então senador Al Gore Jr. discutia o tema ouvindo a opinião de especialistas tais como o Dr. Roger Revelle (que fora professor de Gore em Harvard) e o Dr. James Hansen. Os seus pareceres, apresentados àquele comitê do senado americano numa sala de audiências quente e abafada, davam conta de uma catástrofe ambiental iminente e clamavam por ações drásticas do governo americano. Ainda nesse cargo, Al Gore Jr. bloqueou verbas para que o MIT realizasse pesquisa independente sobre mudanças no clima.  Afinal, por que financiar a concorrência a um negócio tão promissor?

Sobre Al Gore Jr. é necessário fornecer mais algumas informações. Ele começou sua carreira política organizando grupos e piquetes diante de fábricas – com a pressurosa cobertura da mídia—, acusando-as de produzir lixo tóxico, de envenenar os rios, o ar, etc.  As empresas,  temendo a publicidade negativa ou os longos e caros processos judiciais, tratavam de entrar em acordo com o esperto e ambicioso advogado verde. Fechado o acordo, a caravana de Gore partia para outro alvo.

Mas como Al Gore Jr.  conseguiu arregimentar os componentes da sua caravana ambientalista? Voluntários não faltavam, pois é preciso reconhecer que havia e há um número enorme de pessoas de boa-fé e boa índole, iludidas pela nova religião política do ambientalismo. Mas voluntários não bastam, é preciso organização, dinheiro e conexões com a mídia.  Uma das explicações possíveis está na família de Gore Jr.  Seu pai, Al Gore Sr., um modesto professor do Tennessee que tentava reforçar o orçamento doméstico tocando violino em casamentos, foi eleito deputado no final dos anos 1930 e depois senador, em 1952, passando a desfrutar de uma vida luxuosa, estendida a seu filho. O homem que financiou toda a carreira política de Gore Sr. foi Armand Hammer (1898-1990), o bilionário do petróleo (Occidental Petroleum) e das artes, o "capitalista vermelho". Armand Hammer reforçou as ligações com os revolucionários bolcheviques, iniciadas por seu pai, Julius, e teve livre trânsito entre todos os líderes soviéticos, de Stalin a Gorbachev. Foi condecorado por relevantes serviços prestados à URSS. Contava com a ajuda de Gore Sr., um homem que segundo Hammer "estava no meu bolso",  era o "meu representante em Washington".

Al Gore Jr. continuaria a prestar os mesmos bons serviços a Hammer, mas seu poder e influência pessoais aumentaram e o deixaram em posição destacada no senado americano. O aquecimento global foi e é a sua plataforma política, sua raison d’être, o seu ganha pão. Em 1992, a ECO-92 atraiu 20.000 ativistas ambientais ao Rio de Janeiro, além  de políticos de 170 países. Al Gore foi o herói. Seu então recém publicado livro Earth in the Balance fez furor. Tudo isso contribuiu decisivamente para a sua escolha como candidato a vice-presidência na chapa encabeçada por Bill Clinton.

Enquanto isso, era formada a Climate Action Network. A causa virou moda, especialmente entre "especialistas" em clima tais como Robert Redford, Barbra Streisand, Meryl Streep, etc. Companheiros de viagem não paravam de engrossar a caravana. O IPCC lhes fornecia material de propaganda. Esse material vinha na forma dos famosos (ou infames) Relatórios.
Propaganda porque os tais relatórios do IPCC mentiam já na alegação de que eram redigidos por cerca de 2500 "cientistas do clima". Muitos dos nomes que aparecem como autores (1169 "autores") são de ativistas políticos e ambientais, e não de cientistas. Isso é ainda mais importante pelo fato que esses "autores" é que entram no Summary for Policymakers (Sumário para os Formuladores de Políticas), a porção mais lida e divulgada dos relatórios. De fato, há ainda um grupo de 35 autores principais, por sua vez chefiado por um número ainda menor de pessoas (Ver: Heaven and Earth: Global Warming, The Missing Science, Plimer, pp.20-23 e pp. 442-45).

O Summary de 1996 afirmava que: "[O] balanço dos indícios  sugere que há uma discernível influência humana sobre o clima global".  

O furor na mídia foi instantâneo, crescendo a pressão dos grupos ambientalistas sobre governos. O que não era sabido é que um dos 35 autores principais acrescentou essa afirmação ao Capítulo 8 do Relatório depois que este foi concluído e dele apagou passagens que diziam:
Nenhum dos estudos citados acima mostrou indícios claros  e modo a que possamos atribuir as mudanças observadas à causa específica do aumento nos gases do efeito estufa [e] nenhum estudo até hoje  positivamente atribuiu toda ou parte da (mudança climática observada) a causas de origem humana [e] quaisquer alegações de detecção positiva e atribuição de causa de mudança climática significativa provavelmente continuarão controversas até que as incertezas na variabilidade natural total do sistema climático sejam reduzidas. [...] Quando será identificado um efeito antropogênico no clima? Não é surpresa que a melhor resposta a esta questão seja: "Nós não sabemos".

O Wall Street Journal denunciou essa fraude num editorial intitulado "Coverup in the Greenhouse?", mas a denúncia parece não ter arrefecido o ânimo do IPCC ou de Al Gore Jr.
Este continuou a sua muito rentável carreira de garoto-propaganda do apocalipse. Além do livro, lançou um filme, An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente), que contém pelo menos 35 erros factuais. Ele não se cansa de percorrer o mundo dando palestras, todas muito bem pagas.

O que nem todos sabem é que Al Gore Jr. fundou a sua própria corporação "verde", a Generation Investment Management LLP, com sede em Londres. É também membro do conselho de uma empresa de energia renovável e foi diretor do grande banco de investimentos Lehman Brothers, muito ativo no mercado de créditos de carbono, até quebrar em 2008, na esteira do rompimento da bolha imobiliária. Gore [*] emergiu ileso da crise.